03/07/2018

Sessão Poema - Parte LXXIV [A sanidade que nunca habitou aqui.]


Imagem de internet - Sem créditos.
Está chegando a hora. 
Eu escuto os gritos dos mudos. 
Dos silenciados, dos desesperados. 
Pula, pula... 
Toda luta nos condena. 
A ser herói ou vilão. 
Não existe sempre glória. 
Um lado de ruínas. 
Dentro.
Outro de ilusões. 
Fora. 
Os que vieram para perder. 
Sempre. 
Nasceram do lodo e não dá lama. 
Subjugados. 
Vivos, mas abortados. 

Não importa o esforço, a crença, a disciplina. 
Minha mãe quanto mais reza, mais chora e não floresce a vida. 
Talvez a única coisa que funcione nesse hospício de seres seja o destino. 
Todos estão fadados a um. 
Não existem deuses que salvem. 
O sol pode até brilhar para todos. 
Porém para alguns ele é mais quente. 
Para outros só resta a sombra fria, 
o desalento, a morte dos vencidos. 

Ela está aqui. 
Não veio pedir perdão, nem chorar. 
Apenas veio para assistir. 
O fim de mais uma grande mentira. 
Restos esquecidos em cabeças que insistem. 
Fingir. 
A sanidade que nunca habitou aqui. 

Tais Medeiros.


02/07/2018

Entretanto, nosso amigo pau de INBOX do sábado de manhã não contava que entre casais eu não me meto, a não ser que me convidem com aprovação e participação de ambos. Mas depois da foto fica difícil ter interesse. [TEXTICULO 81]

Eu realmente tento entender tudo, cada mania, cada comportamento, cada pensamento, todos os lados de cada história. Mas eu não consigo entender e muito menos achar uma lógica nessa história de enviar piroca por INBOX. Eu até entendo quando uma pessoa pede "nudes" para outra pessoa, se ela manda ou não manda, não cabe a mim julgar. Eu ultimamente adotei o Instagram - se quer nudes procure lá entre as 1594 publicações, está garantido uns peitinhos lá e se for “me expor pela internet”, não esqueça de colocar o link do blog. O Choconhaque agradece. 

Mas voltando as invasões de piroca. Um cara que envia a foto do pau para uma garota sem ela ter pedido. Tem o que na cabeça? Não estou aqui querendo impor um moralismo barato, se são adultos e fazem está troca consensual não vejo problema nenhum. Fetiches de seres humanos. As pessoas têm dessas coisas, acredito que as fotos causam tesão, somos movidos por imagens, porem eu também acredito que gifs são mais interessantes para uma possível masturbação, a imagem com movimento expande a imaginação. Porém fazer esse envio sem ser solicitado e ainda mais enviar para pessoas totalmente desconhecidas me soa estranho e curioso.

A maioria das fotos de genitais que brotam no INBOX são de pessoas que você nunca viu na vida. E antes que alguém venha com ataques, indignados por ter tais pessoas na rede social preciso esclarecer uma coisa. Estas pessoas aproximam-se com interesse em poesia, teatro, blog, são amigos de amigos e ninguém espera ser bombardeado em um bate papo por genitais anônimas. Eu não sei a opinião de todas as mulheres, não falo por todas, mas acredito que a grande maioria não quer rola por INBOX e se caso exista alguma intenção da guria de querer ver a rola de alguém ao vivo, morre ali na foto. Pênis não é fotogênico, por favor, PAREM!

Eu fiquei pensando sobre isso. Ultimamente tem aparecido uma galera estranha que me faz pensar sobre a solidão que vivemos e no produto que se tornou nosso corpo. Começa com um oi. Gosto dos seus contos, eu agradeço e POW... Pau no INBOX. Será que a pessoa quer me inspirar a escrever? Se era isso. Parabéns, aqui está o texto. 

Estamos em uma época de insegurança emocional, onde as pessoas precisam ser cultuadas, elogiadas a todo momento. Entretanto não usam do carácter ou de uma conversa interessante, elas expõem aquilo que pensam que tem de melhor - o corpo e suas genitais. O nu para mim é algo natural o jeito que as coisas estão sendo feitas que me parecem fora do normal. Não faz muito tempo fui protagonista de um fato até que interessante. O ocorrido me fez aprofundar a reflexão sobre - A síndrome da piroca no INBOX.

Era um sábado às seis horas da manhã, eu já estava de pé, trabalho no final de semana. Eu não tinha nem arrancado a remela do olho e o Messenger pulou, informando que havia uma mensagem. Eu não conhecia o rapaz da foto então abri para ver. Eu devia saber que não era coisa boa, afinal às seis da manhã de um sábado não tem como ser - ou é problema ou é problema. O conversa começou assim.

- Você falou de rola?!

- Oi? Bom dia. Desculpa, você deve estar na conversa errada. Eu nunca falei com você. Procura melhor no seu Messenger. Acho que você estava falando com outra pessoa.

O rapaz respondeu - É com você sim. Então POWWWW ... Foto do pau no INBOX. E além dele enviar a foto ele pedia aprovação. Queria que eu avaliasse, falasse o que eu achava do pênis dele.

Eu respirei fundo e pensei - deve ter algum problema esse rapaz. Não que não goste de pau, mas nessas condições, a essas horas! Por favor.

Perguntei ao rapaz se estava tudo bem. Se alguém em algum momento de sua vida falou mal do pau dele. Disse a ele, caso isso tenha ocorrido ele precisava superar, se ele se sente bem com ele mesmo o resto que se foda. Mas se ele não estivesse bem com o próprio corpo deveria procurar um profissional, mas não do sexo, o da mente... Tipo um psicologo. 

Deixei claro para ele que isso não era normal, ainda mais se tratando da hora. Ele se expondo assim para alguém que ele não conhece. Então o pau INBOX do sábado de manhã desabafou.

Ele me disse que descobriu que sua esposa estava lhe traindo. A mulher mantinha um caso com um colega de trabalho. Ela não sabe que ele sabe, mas confessa que depois que ela arrumou esse caso, ela ficou melhor para ele, principalmente na cama. Estava mais ativa, mais arrumada e até mais atenciosa. Não sabia se ela era movida pelo sentimento de culpa ou por que estava satisfeita e feliz mesmo. Ele confessou até que estava feliz por vê-la assim, porém não sabia o que fazer, afinal ser corno e manso não é algo que a sociedade admite. Então entendi. 

Aquele desespero da aprovação do pau tinha duas finalidades. A primeira, entender por que a mulher arrumou outro homem. Será que ele não a fazia feliz? Não satisfazia? Acho que essa é a primeira coisa que todo ser humano que é traído pensa. Eu não satisfaço meu parceiro sexualmente. A gente fica sem razão, paranoico. Esquecemos que a relação a dois não é mantida só com base no sexo, contudo após ser traído nós reduzimos toda uma história à isso. Não ponderamos alguns fatos, como o de existir pessoas que fode bem, mas não tem mais nada para oferecer. É só uma foda boa e uma presença vazia. Então por que continuar?

A mulher do rapaz ficou e ficou melhor do que era, então havia mais que sexo naquela relação. Eu disse a ele que talvez ela quisesse só uma aventura, porém era ele que tinha que saber até onde ele aguentaria essa situação. Ele precisava pensar em não se magoar e não machucar ela. Muita gente permite algumas coisas e depois não sabem lidar com suas escolhas de forma não violenta. Pensar e decidir sobre esse assunto  somente cabia a ele a mais ninguém. 

A segunda conclusão que cheguei com está conversa, é que o cara estava tentando arrumar uma amante também. Fazer a linha relação aberta. Penso que também seja um mecanismo de defesa dele. Se alguém descobrir que sua mulher tem outro, ele pode alegar que eles são um casal moderno e que ele tinha outra também. Seres humanos. Sempre usando os outros para se sobressair. Entretanto, nosso amigo pau de INBOX do sábado de manhã não contava que entre casais eu não me meto, a não ser que me convidem com aprovação e participação de ambos. Mas depois da foto fica difícil ter interesse.


Tais Medeiros.

28/06/2018

Infelizmente, não somos aptos para o amor. [TEXTICULO 80]

Desses papos do coração eu passo a vez. Desculpe! Não sou cardiologista. Do coração sou apenas paciente, sem cura e impaciente nas minhas incertezas. Quase em estado terminal, um aleijado pelo amor. Amei tudo, quis viver tudo, mas nem tudo quer viver a gente. Não que isso tenha me causado traumatismos cardíacos por deixar agentes agressores romper a pele e entrar em contato com o coração. Entretanto, não sonho mais com as manhãs de casais em comerciais de margarina. Até porque, para sonhar é precisa dormir e faz muito tempo que não durmo. É a fase da doença, do sexo ao adeus. Já me deito prevendo o fim – houve um tempo que eu desejava que as relações durassem mais. 
A fase da negação, quando o doente não aceita sua doença. Então evita conversas, intimidade, envolvimento todo aquele teatro seguido de segundas intenções. É difícil se relacionar quando se tem consciência, ainda mais quando você não consegue mais ver as coisas na superficialidade. Os olhos treinados veem a fundo, percebe toda a lama das conveniências. 
Sabemos que tudo tem um interesse, e não é só mais o singelo interesse da felicidade, de ter alguém que te faça sentir único, presente, amado. O amor voltou a ser capital, se é que um dia deixou de ser - virou a chance de melhorar de vida. Não se procurar companheiro, procura-se sócios. Ninguém quer começar uma vida a dois do zero, estão todos à procura de bons partidos, mesmos que seja partido, metade, nunca inteiro. 
Nós sabemos de tudo isso, contudo ainda deixamos bater na porta do nosso leito o desespero. Somos tomados pela necessidade de matar um pouco dessa nossa sensibilidade no corpo do outro. Fingindo que essa doença não existe, que não amamos nada e a ninguém, não somos nós que estamos ali. Vivemos em uma utopia. Tem dias que a gente não quer sentir e às vezes essa farsa dura dias, semanas, meses, anos. Tem gente que passa uma vida inteira tentando não sentir. Embebendo-se em doses cavalares de morfina, querendo anestesiar todo sentimento genuíno que adoece o coração. “é para você bombear sangue, não amor” órgão imbecil. Mas não dá para ser forte o tempo todo, até o ferro enferruja, quem dirá eu, quem dirá você. 
Então chega o dia em a gente para de lutar, entrega-se a doença que nos consome e enlouquece. Um romântico incurável e maldito. Se pega clamando aos deuses por um amor, desejando não ser mais marinheiro, quer ser porto, um porto seguro para você e para alguém. Delírios dos poetas que são movidos por paixões. 
Ahh!!! Se o mundo se entregasse a poesia como se entrega a tanta maldade. Quem nos dera que o amor não fosse doença, fosse a cura, plano terapêutico seguido com total disciplina sem interesses vãos. Infelizmente, não somos aptos para o amor. 

Tais Medeiros. 
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas, 
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte

24/06/2018

Ninguém nunca me contou que o inferno duraria tanto. [TEXTICULO 79]

É aquela velha sensação de não pertencer a nada, a ninguém e a lugar nenhum. Sempre tive ansiedade de viver. Minha preocupação aos quatorze anos de idade era – O que será que eu vou viver nessa vida? Ansiava por viver tudo, do céu ao inferno, queria ser forjada na brasa e moldada na brisa, e quando eu chegasse ao auge dos meus cabelos brancos, ia ter muita história e sabedoria para oferecer. Até hoje... Sinto que nada sei, que nada vivi, apenas existindo. Naquela época já existia a buscar da inflamação do ego, não queria ser um cidadão comum, pagador de contas e temente a deus, queria ser diferente, queria ser especial, mas não há pessoas especiais sem ter pessoas e status que afirmem isso. Na maioria das vezes somos apenas uma máquina de fazer mal e merda pela vida inteira.

Viver tudo. Transpor o céu e o inferno e no fim da vida sorrir. Delírios adolescentes. Ninguém nunca me contou que o inferno duraria tanto. Estou a tanto tempo aqui, que não me reconheço mais entre os livros, móveis e os escombros do meu ser. Olho as paredes e percebo que mesmo fixas, enraizadas em um único lugar, elas já receberam tantas cores, viram tantas coisas, sentiram tantos cheiros e tantos sabores. Acho que faço parte dessa parede vermelha ou creme, surrada pelo tempo.

Um retrato, mas oco. Ninguém consegue distinguir, definir. O que é mulher? O que é parede? O que é amor? O que é tristeza? O que solidão? O que é arte? Evolução (Re)volução. O que é o (ser) humano? Qual é tamanho do abismo entre os sonhos e a realidade? Como se vive? Como se muda? Mudar... Estou há tanto tempo aqui, na beira do abismo, dividida em recuar para a mesmice dos dias ou pular de cabeça nessa escuridão, que como a vida, nada me garante. Existe vida após a morte?

Já pensei muito sobre isso que até rugas brotaram em meu rosto. Não sei se vale a pena pensar nisso, contudo temo que exista e que seja igual ou parecida com a que temos em terra. Protocolos a seguir e o ato de sonhar para conformar, impulsionar você sabe lá para que – Amor, casamento, família, trabalho, sucesso, justiça, paz, terapia, drogas, depressão. Tudo muito chato, tudo muito falso, então, você pede para renascer achando que agora será diferente. Se for assim, também não vale a pena morrer.

Os anos se aproximam como uma tempestade de área no deserto, o tempo chega e eu não chego a lugar nenhum, tentei, mas as represálias foram mais fortes. É bem como Bukowski escreveu "Não existem anjos em trincheiras."

Penso sobre a velhice, e ela  não me atrai nem um pouco. Mais uma decepção dos planos da adolescência. Envelhecer foi riscado da minha lista. Apesar de que, todo dia que termina é um dia a menos no calendário da vida. Ahhhh!!! Eu estou a tanto tempo aqui. Eu tento expandir dentro dessa casa minúscula, dessa sociedade suja, dessa vida vazia. Fluidez. Essa palavra me parece tão idiota agora, começo odiar Sidarta “Tudo flui, tudo se renova.” Para quem?

Sou a extensão dessas paredes. Percorro o espaço como Gregor nas metamorfoses de Kafka. Procurando seu espaço, seu cabimento, sua importância. Talvez a gente veio mesmo foi para acabar. Somos apenas insetos, incertos causando grandes problemas uns aos outros. 
Tentando criar formas de ter valor, ser reconhecido, ser visto, invejado, amado... sem dá amor. É desse jeito que criamos os gênios, os líderes, os ídolos, criamos deuses para seguir e nos fazemos de bons dentro dessa outra ilusão. Tudo para fugir de um eterno vazio – é isso Nietzsche? O eterno retorno é o eterno vazio? 

O vazio de ter a consciência de que somos iguais na essência, somos feitos da mesma merda. Não existe superioridade. Somos feitos de carne, osso, água, oxigênio, suor e bosta. Somos nós que damos valor, importância, significado as coisas, afim de se sentir menos idiota, menos animal, afirmando esse lado mais que esquizofrênico que chamamos de racionalidade. Estamos aqui... as velhas paredes, os velhos questionamentos e o mesmo ano novo. 

Tais Medeiros. 

Boyzinho espera ano inteiro pra chegar fevereiro
Não se amarra a dinheiro
Boyzinho corta o cabelo, boyzinho arranja um emprego
Do passo, recife a vista
Deus me disse eu vou ser mais feliz assim

21/06/2018

Contos da Cadelinha 00 [TEXTICULO 78]

Eu cruzei a porta do seu quarto que ficava nos fundos da casa de sua mãe. Era um lugar pequeno, bagunçado, mas de certa forma aconchegante. Abri a porta com dificuldade, estava carregando nas mãos seis garrafas de cerveja, uma de vinho, e em minha cabeça eu carregava duas doses de “bombeirinho” e quatro cervejas. Entrei dando graças aos deuses por ter conseguido chegar sem mijar nas calças. Corri para o banheiro e acho que fiquei uns 10 minutos só enxotando toda a água do dia e as meras horas de felicidade promovida pelo álcool. Ele estava sentado na cama, já sem camisa, fumando e olhando para chão. Caminhei até ele lhe dei um beijo e uma cerveja.

- Dia difícil!

- Nem me fala, só merda atrás de merda.

- Eu que o diga. Você ao menos tem subordinados, eu sou a subordinada.

- Vamos discutir sobre quem se fode mais?!

- Não. Você perderia.

- É verdade. Você tem uma veia apurada no drama.

- E na comédia também.

- Atrizes...

- Tenho uma ideia.

- Não. Não vamos matar o presidente, pode tirar isso da sua cabeça.

- Não seja ridículo... Apesar de ser uma ideia tentadora, porém eu passo a vez.

- Então me diz. O que se passa nessa sua cabecinha subversiva minha anarquista?

- Ahhh! Estou pensando que devemos fumar nossos cigarros, tomar nossos drinks e ouvir um bom som olhando para nada, sem pensar em nada, sem fazer nada.

- Apenas contemplar o nada?

- Isso... Contemplar o nada. Somos um nada perante a esse universo, não é?!

- Sim. Seria como uma viagem para dentro do nosso eu?

- Ou só preguiça mesmo, talvez um pouco de alcoolismo.

- E depois?!

- A ideia era não pensar em depois.

- Mas tenho certeza que você já pensou.

- Sim.

- Conte-me mais do seu plano infalível "bonche".

- Mais é claro camarada. Depois dessa contemplação toda, você me dá um belo banho quente e relaxante.

- Não, não, não. Você que me dá um banho quente e relaxante.

- Direitos iguais meu bem. Para se justa, a gente se banha e fode bem gostoso embaixo da água.

- Podemos ir para o banho agora?

Ele levantou e se, pois, em minha frente, tirou a calça. Esperou eu tomar o último gole da cerveja. Secou um pouco do liquido que escorrerá em meu queixo.

- Não se interrompe alguém que bebe. Ele me disse.

Como um cavaleiro me pegou pelas mãos e me conduziu até seu banheiro. Entre seus beijos e apertos tirou minha roupa e água quente banhava nosso corpo. Ensaboou-me as costas e fui sentindo seu pau entrar, tão duro, tão lindo. Me apertou as coxas, a bunda, colou seu corpo no meu corpo, pousou sua boca em meu ouvido, ainda acariciando minha nuca, tão carinhoso e singelo me disse: Eu te amo, sua maluca. Eu entre gemidos e um sorriso faceiro, a alegria que sentia não cabia mais em mim. Me voltei para ele e disse:

– Seu cretino...

- Não dá para ser romântico com você.

Me beijou ferozmente, mordendo os lábios e os seios, me virou subitamente, bateu em minha bunda, apertou-me com vontade e me curvou. Meteu seu pau como bicho selvagem no cio. Me prendeu pelos cabelos, parecia que cavalga em mim. E eu diluía como água, as pernas bambas e o sexo latente. A visão de suas pernas peludas, o remexer dos meus quadris, o vai e vem dos meus pequenos seios, o barulho dos nossos corpos metendo-se entre a água ressoava pelo o banheiro inteiro.

Eu me excitava cada vez mais, o seu gemido, as suas palavras profanas, o eco do eu te amo, dito tímido, dito baixinho, mas com coragem. Eu não queria que ele parasse, mesmo afogando-me no chuveiro. Queria sentir seu pau duro amolecer dentro de mim. Que a água toda se molhasse no nosso gozo. E que a gente escorresse, escorresse por entre o ralo tornando-se um só. Tomando os rios, os esgotos, as torneiras o mar. Nosso amor embebedando o mundo inteiro. Às vezes vale a pena ter dias difíceis.




Tais Medeiros.

Dia ímpar tem chocolate, dia par eu vivo de brisa
Dia útil ele me bate, dia santo ele me alisa
Longe dele eu tremo de amor, na presença dele me calo
Eu de dia sou sua flor, eu de noite sou seu cavalo