19/06/2017

Sessão Poema - Parte LVI [E diga ao cabaré que fico.]

Arte: Nudegrafia.


Já que eu não posso me dar ao luxo.

Me dou a luxúria.

Danço sobre os cacos...
                     os restos de nós.

E me embebedo de novas paixões.

Mamãe já me dizia...

"você não é todo mundo."

Por isso sufoco nos lenções...
                         juras, promessas de finais felizes.

Não gosto de finais.

Vivo de recomeços.

Sem pavor do eterno retorno.

Que voltem as noites de ópio.

As olheiras de gozo.

Os toques ilícitos.

Que escorrem líquidos do corpo a garganta a baixo.

Matem o pudor.

Guardem o amor.

Não é justo deixa -lo mendigar aqui.

Eu voltei.

Mais sedenta do que nunca.

E diga ao cabaré que fico.

E não tenho hora  para sair.

Tais Medeiros

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