20/05/2017

Eu volto, assim que a garoa passar. [TEXTICULO 70]

Eu não me incomodo com a felicidade alheia, por isso não se incomode com minha tristeza abundante. Estou garoando, se afaste. Não preciso de dedos apontados em minha direção, muito menos para me tocar, fazendo do sexo uma salvação rala. Eu o respeito, é sublime, santificado, camas são templos para mim. Eu não vulgarizo o amor como dizem por aí, eu tenho-o demais, sinto demais e não temo dividir. Eu só estou cansada, tem muita atividade nesta cabeça, preciso do meu silêncio, minha melancolia e um pouco de escuridão, às lagrimas purificam e até o diabo precisa de uns dias de solidão.

Estou em um relacionamento sério com a solidão e saiba, isso não parece ser tão ruim assim. Existe momentos que precisamos fechar as janelas, portas, corpos, dizer para o universo que morremos, deixar de olhar para fora, de olhar para outro, ainda mais quando o outro não te ver. Nesses períodos que não são de TPM são de reflexões, cuidados internos, temos que deixar os olhos nos achar dentro, dentro da gente e fazer um balanço dos lucros e perdas, separar os mortos dos feridos, ficar forte para novas aventuras, novos amores, novos sorrisos, novos sonhos e talvez ficar em paz. Depois dessa higiene mental, voltar e abrir todas as janelas, todas as portas e despir todos os corpos, dançar sobre os cacos e sorrir.

Eu vivo uma vida entre rascunhos, apesar de tudo parecer está condenado ao desaparecimento, eu sempre encontro espaço na folha de papel, uma linha a ser rabiscada. Encontro poemas, textos esquecidos nas pastas que trazem velhas ideologias, novas percepções, renova forças.

Pensamentos mudam, corpos mudam, o estado de espirito muda, as vontades mudam, contudo não existe a possibilidade de você se separar de você. Precisa aprender viver consigo mesmo, não adianta, estamos fadados a nós nem a morte nos separa.

Então, o inferno não são os outros, somos nós. Você precisa ser forte, pois vou lhe contar um segredo, muita gente não está preparada para saber, mas preciso revelar – Sabe Deus? Ele também não tem nada a ver com isso. A parte dele foi feita você está aí, a vida está aí, somos feitos de carne, pele, osso e escolhas. Somos responsáveis por tudo que nos acontece, talvez em níveis diferentes, mas não estamos livres de culpas.

Ontem eu queria morrer. Pensei que esse era o final destinado a minha tragédia e quando a garoa quase virou tempestade, abriguei-me em mim. E dentro da minha loucura encontrei uma menina de dezesseis anos geniosa e impulsiva que sempre dizia: "Se o mundo me bate ou saio e bato no mundo, cair jamais." Entende?! Me dê um tempo para me organizar. Eu ainda estou aqui, meio bagunçada com os acontecimentos, pensamentos, sentimentos, crenças e vontades, mas estou. Eu volto, assim que a garoa passar

Tais Medeiros

Eu cresci assim, menino genioso e impulsivo,
E acho que gosto desse meu jeito.
Uso as mesmas camisetas, sempre tenho mil problemas
Nunca escondo meus defeitos.
Aumenta o som que essa música me diz tanto
Que nem sei como não tem meu nome.

08/05/2017

Sessão Poema - Parte LIV [Multiplique-se em mim.]

Arte: Apollonia Saintclair

Meu bem...

Olhe para mim.

Não sou princesa... Sou rainha.

Rainha sem reino, do nada.

Porque o nada é tão grande.

Possibilita infinitas coisas.

Vamos jogar as cartas para o destino.

Quem sabe, em uma dessas mesas de jogatinas;

Aparece-me um rei de paus ou uma rainha.

Possibilidades, eu crio.

Não me importa mais vencer.

Esta guerra de corações desapegados.

Vencer na vida.

Não aceito o que querem nos empurrar.

Eternos conflitos...
             de classes, políticos, crenças e gêneros.

Eu não nasci para o trabalho...
(eu dou trabalho)

Sou peça com defeito nesse sistema que apenas reinicia.

Nunca evolui, nunca humaniza.

Nasci para ócio criativo.

Para o desfrute.

Essas competições loucas de consumismo e posse dos seres não me apetece.

Me interessa apenas a loucura.

A loucura das presenças, das histórias, da vida.

Das pessoas que nos são raras.

A loucura de beijos quentes, abraços fortes.

Das conversas conscientes e inconscientes...

dos risos...
dos cantos desafinados e das danças sem coreografia...
da companhia que se sente  até no silêncio.

Mas eu grito!!!!

Grito por todas as ruas, casas, sarjetas e corações

Grito em plenos pulmões.

Por todas vias e veias que passo.

Somos pares, mesmo diante desse mundo ímpar.

Não individualize vidas...

Multiplique-se em mim.


Tais Medeiros.