28/04/2017

Sessão Poema - Parte LIII [Não se assuste. Eu te amo baixinho

Arte: Apollonia Saintclair


Não vim aqui para ser salva.
Muito menos mendigar o que sei, que não quer me dá.
Não vim com expectativas baratas.
Vim de consciência limpa e sonhos guardados.
E com uma única vontade...
                              [amar]

Bom dormi com quem se quer...
Com quem deseja...
Com quem se ama.
Mesmo que por uma noite.
Entre tantas noites mal dormidas...
                                            vazias.

Hoje não, meu bem.
Hoje não almejo mais a sua alma...
Fragmentada em um contrato vitalício.
Quero você livre;
Quero você louco;
Quero você gozo.

Me faz gozar...
Nesse quarto;
Nesta cama;
Neste pau.
Me deixar gozar...

Afogar-me neste instante de felicidade.
Ela é feita de momentos, não eterna.
E eu quero você assim.
Nas incertezas dos dias.
O sabor é sempre novo
É sempre o primeiro dia;
A primeira transa;
O primeiro amor.
Meu primeiro pecado.

Não se assuste.
Eu te amo baixinho.
É desse jeito que nos preservo.
Eu cuido de mim;
Eu lambo minhas feridas;
Sou eu a minha cura.
“sou teimosa demais para cair.
sou devoradora de tempestades.”


Tais Medeiros









22/04/2017

Às vezes só desejo apreciar a face de quem quis ficar, mesmo diante de tantos defeitos e atitudes imprudentemente, não me "usou", viveu comigo. O sentimento "gostar de graça" falou mais alto que decepções do admirável mundo novo. Hoje eu apenas vou tomar um chá, fumar um cigarro e pensar nos que me fizeram bem, seja amores e amigos, família. Hoje meu bem, não perturbe. Estou longe demais das capitais.[TEXTICULO 69]

Sabe, ando cansada. Pensei que andava doente fisicamente, que a idade estava cobrando muitos anos de vivência “desregrada”, mas percebo que é enfermidade da alma. Não estou aqui lamentando a vida que vivi, olho para trás e gosto do que tive, olho para trás e aprendo com os percalços no caminho. Sempre descalça ando, apesar de que existem pessoas que tem a certeza que apenas vaguei. Ando descalça não para mostrar que nada me prende, que em nada me apego, caminho assim para sentir o chão, a natureza, as pessoas.Tiro toda película social que aprendemos a ter para ver do que somos feitos. Temos que ser mais que conveniências, interesses, ignorância e tristezas.

Confesso que não ando escolhendo os melhores caminhos, sempre tive problemas com escolhas, mas nunca tive problemas em assumir as veredas que percorri.

Desculpe!

Eu ando cansada...

Cansada de ofensas gratuitas, de acusações sem bases, do ignorar continuo por coisas que não entendo querendo entender, atolada em teorias de viver, presa na esperança da evolução do espirito. Cansada dos pedidos vazios e recusados, das orações não ouvidas, talvez eu não saiba rezar. Ando cansada dessa sensação ruim, desse corpo marcado e dos dedos apontados em minha direção, dessas expectativas que criam sobre meu ser, cansada de ser apenas uma carcaça, vista pelos excessos, pelas loucuras, um estigma.

Sou mais que esse desfrute, sou a poesia mais bela dos românticos clássicos que enaltece o amor, que precisa dele para viver. Sou mais que linhas que excitam e noites de confusões que tem como finalidade não o exibicionismo, mas a vontade desesperada de fixar laços. Os outros que não sabem usar, abrem a caixa e não leem a bula, não veem além dos seus “achismos” eu não sou tão forte assim. Sou feita de carne, pele, osso, órgão, sonhos, sentimentos. Feita de qualidades e defeitos, não sou feita apenas para acabar.

Talvez esse seja o problema, a efemeridade... o fugaz, o usar. Pessoas não se usam, usamos coisas, pessoas a gente sente. Sentimos no olhar, no toque, na vida. Existe lugar na maresia para mim, não apenas nas tempestades, eu sei. Existe lugar no por do sol, no sorriso frouxe de alguém pela simples presença e de se querer bem, não apenas nua, trêmula e intensa - é mais que pele são células, veias, sangue, almas.

Não são apenas trevas, consolos e perturbações, não queimo todo dia. Às vezes só desejo apreciar a face de quem quis ficar, mesmo diante de tantos defeitos e atitudes imprudentes, não me "usou", viveu comigo. O sentimento "gostar de graça" falou mais alto que decepções do admirável mundo novo. Hoje eu apenas vou tomar um chá, fumar um cigarro e pensar nos que me fizeram bem, seja amores e amigos, família. Hoje meu bem, não perturbe. Estou longe demais das capitais.

Tais Medeiros.


Suave é cidade
Pra quem gosta da cidade
Pra quem tem necessidade de se esconder
Nossa cidade é tão pequena
E tão ingênua
Estamos longe demais
Das capitais

18/04/2017

Sessão Poema - Parte LII [Estou longe... Estou em outra estação.]


Arte: Apollonia Saintclair


E essa esperança que sufoca.
E essa distância que me mantém;
Mais longe de sua vida.
Tudo colabora para partida.
As Paredes...
As Portas...
As Estações...
[A Pessoa]
Que está mais próxima que os meus sentimentos.

Não sei o que se passa em seu silêncio.
Mas as expectativas me consomem.
Estranho!
Não as vejo ao meu favor.
Meus sonhos são presságios
E percebo mesmo sem querer...
                     não existe espaço.
Estou longe...
Estou em outra estação.

Toco seu corpo, porém não alcanço sua alma.
Sua essência...
Não é só com você que às horas ficam de mal.
Eu vivo presa em minutos bons.
Que não alimentam o futuro;
Não superam passado.

Não existe mais certeza.
Apenas lhe enxergo mais distante.
Em braços que não são meus.
As portas se fecham lentamente
E eu ainda tenho a imagem de suas mãos em meu corpo.
Sua boca em meios seios
Seu gosto, seus beijos.
E eu entregue.
Sem medo, sem culpa...
Juntando migalhas na cama.

Não lhe culpo;
Sou um ser livre;
E ser livre tem um grande preço.
Vou paga-lo.

Estou fechando a porta.
Do outro lado escondo-me
Nua e intensa.
Calando desejos.
Esperando...
Que ao menos...
Isso termine bem para você.

Tais Medeiros



06/04/2017

Sessão Poema - Parte LI [Fome Antropofágica]

Arte: Frida Castelli

Histórias se escrevem juntas.
Diretas ou indiretas. 
Ninguém passa por nós sem levar algo ou deixar algo. 
Seja um sorriso, seja uma lágrima.
Tudo se acompanha. 
É um ciclo, um infinito. 
Só acontece com quem está vivo. 
E seguimos assim... 
Escrevendo parágrafos. 
Cenas... Prosas... Versos. 
Liberto de normas, 
Pronomes de tratamento. 
Sem métrica, sem acordo ortográfico. 
É a pura (des)gramática. 
Carregada de eu lírico, épico. 
Daqueles que veem poesia em tudo. 
Meu choro é arte. 
Minha doença adquirida pelas histórias de viver. 
Um vício para nós não basta... 
E tudo nos vicia;
Por que sempre temos fome insaciável. 
Uma fome voraz, uma fome antropofágica. 
Devorando carnes que contem vivências.
Apossando-se dos diversos sabores. 
Escrevendo nas paredes tudo que bate e apanha...
Do lado de dentro.
É sempre mel e o fel. 
Doces e odiosos seres humano.
Eternos personagens dessa tragicomédia. 
Hoje não, meu bem. 
Contínuo com reticências... 
Resistência. 
Ultrapasso ás vírgulas. 
Eu adio o ponto final.

Tais Medeiros.