03/03/2017

Pensei em me retirar não por desistência, mas pelo fato de sentir que explodiria. Explodiria igual aos kamikazes em terras inimigas - tudo ou nada e nesse ato de desespero eu esperava dar a paz que tanto gritávamos querer um para outro. Com tudo este ato lhe faria vitorioso na guerra e meu corpo destroçado seria o símbolo da minha rendição, minha bandeira branca fincada em seus restos, nossos restos. Eu me nego! [TEXTICULO 66]


Eu estava realmente cansada. O corpo mostrava as marcas que eu tanto tentava esconder. Marcas de ansiedade, desespero e de medo. Eu estava em batalha há muito tempo lutando para não desmoronar no campo. Campo que me devorada lentamente a cada golpe que me davam. Da forma mais cruel me desestruturavam, desfiguravam minha alma, atacavam me psicologicamente.

Agressão física com o tempo cicatriza e essas eu sei como me defender, revidar, mas quando lhe pegam de guarda baixa na hora do abate não é um tiro, não é um soco que vem e você realmente se perde na estratégia, cambaleia entre o passado e o presente, palavras e momentos e não sabe mais se equilibrar ou agir. Pensa em recuar, pensa em fugir para qualquer lugar que desconheçam sua existência, pensa em tudo menos como contra atacar.

Para ele não bastava meus olhos cheios de lágrimas, meu corpo tremulo, meu coração na mão. Não bastava o recuo engolir todos aqueles sentimentos que plantou em mim um dia... Não bastava. Ele queria ouvir o “DESISTO” sair da minha boca, queria me ver de joelhos a suplicar e praguejar sua existência, queria que eu o coroasse senhor das minhas desgraças. Não sabia ele que ando desgraçada a muito tempo.

- Ele ganhou essa batalha!

Pensei em me retirar não por desistência, mas pelo fato de sentir que explodiria. Explodiria igual aos kamikazes em terras inimigas - tudo ou nada e nesse ato de desespero eu esperava dar a paz que tanto gritávamos querer um para outro. Contudo este ato lhe faria vitorioso na guerra e meu corpo destroçado seria o símbolo da minha rendição, minha bandeira branca fincada em seus restos, nossos restos. Eu me nego!

Não sou inimigo fácil de declinar, não sou demônio de água benta meu exorcismo é digno do Vaticano de papas vivos ou mortos. De joelhos ele só me verá em nome do gozo em nome da luxúria, da perversão, do prazer, do desfrute e do amor.  Desistir? Palavra que desconheço seu significado e não me remete nada muito menos lembranças. Saiba que eu nunca desistir de nada. Mendigar?  Já mendiguei por muitas coisas, mas por que acho poético tenho fascínio por sarjetas, mendigo por querer - até a minha dor eu que escolho. Escolho quando, onde e por quem devo sofrer e quando eu devo parar não desistir por ter sido vencida  em um mero combate.

Eu cuspi o que sobrava de meus sonhos e lavei minha cara no pouco de esperança que me sobrava. Olhei nos olhos dele, ele tinha um olhar altivo, porem era um olhar triste como se dissesse: “Desculpe. Eu avisei.” Mas sua expressão foi se modificando ficando perplexo com a minha ascensão. "De onde ela tira essa força?" Dizia ele em pensamento.

Me ergui em posição de ataque por que até minha defesa é atacar e ele não vai me dizer quando tenho que desistir. Fortalecida nas coisas que acredito voltei ao nosso campo de batalha que mesmo negando chamamos de amor. 

Tais Medeiros. 

Eu quero descansar no teu peito
O cansaço dessa vida
E o peso de ter que ser alguém
Eu já não sei o que faço meu bem
Nem o que farei...
Mas se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Eu posso ser um qualquer inimigo
Mas só quero que saiba meu bem...
Esteja sempre comigo...




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