30/03/2017

Eu costumava andar correndo, querendo transformar o futuro e sem querer eu cagava no presente, mas agora é um pé de cada vez. Não é medo, não é trauma ou descrença é só vontade, desejo que a gente dure mais. [TEXTICULO 68]

arte: Frida Castelli


Meu bem...

Você gasta energia com fatos triviais, querendo criar inutilmente uma rotina para nós quando na verdade o que nos atrai é a quebra dela. Não nascemos para o tédio, está mais que provado que gostamos de movimento e dramas, dramas demasiados. Contudo o drama é uma característica minha, eu o dominei, eu sei quando parar - Já você vai além de Shakespeare transforma desencontros em tragédias e me culpa, me acusa de manipular tudo ao meu favor, eu apenas estou caminhando sem pressa. Então, pare de reclamar da falta de tempo, dos intervalos grandes entre nossos encontros. Eu estou em um processo de restauração, entenda por favor.

Não problematize o que temos, você se tornou meu refúgio a cama e os braços que corro quando nada faz sentido, você estranhamente dá sentido as coisas, por que tudo é simples com você, tudo é prático e tem solução. Você é meu esconderijo secreto. A gente se gasta lembra? Nos desperdiçamos um no outro sem culpa, sem leis e sem protocolos a seguir, não tem roteiro é a estrada em nossa frente e a gente a se aventurar sem saber onde vamos chegar, mas vamos.

Estamos recomeçando, juntando nossos pedaços, leva tempo e eu não tenho mais pressa, quero levitar nessa calma de sensações, sentimentos. Me permitir ao nada, sem planos, sem querer fazer tudo dar certo, quero deixar a vida seguir seu fluxo natural deixar esse tal destino trabalhar em paz. Estou cansada de desespero meus e dos outros, tudo me engole e me cospe e este cuspi no chão demora secar. Não me interessa vencer, apenas tenho interesse em viver e ver onde tudo vai dar, talvez nessa caminhada a gente vire plural ou  apenas singular novamente vagando na estrada.

Por favor, meu bem. Não encha meus ouvidos de reclamações e cobranças já tem muito barulho nessa cabeça, preciso de silêncio, preciso de surpresas tudo diferente do que tive ou vivi. Quero ouvir de você em uma dessas tardes corridas e cinzas que está com saudades, receber uma mensagem inesperada que diz que fiz falta todos esses dias e que ao pensar em mim ficou de pau duro na fila do banco. Quero ouvir você dizer: “Quando você chegar não vou te soltar e está terminantemente proibido roupas em nosso abrigo, eu vou lhe beijar a boca como se fosse a primeira vez e te foder desesperadamente, loucamente, apaixonadamente. ”

Eu costumava andar correndo, querendo transformar o futuro e sem querer eu cagava no presente, mas agora é um pé de cada vez. Não é medo, não é trauma ou descrença é só vontade, desejo que a gente dure mais.

Tais Medeiros.

Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar 

25/03/2017

Sessão poema - Parte L [Não é assim?! “Bombeia sangue coração, bombeia...”]






Um garoto...

Apenas um garoto.

De coração límpido, mas a mente em torpor.

Com vontades passageiros.

Desejos intensos.

Mas depois da conquista, se desfaz.

Como o vento se desfaz das cinzas de um corpo cremado.

Apoia-se na incerteza.

Suas muletas, sua fuga.

Vive para se punir.

Eu não sei o que é verdade em você.

Engana mesmo sem querer enganar.

Engana a si mesmo...

Se ver um crápula diante do espelho.

Diz ser ruim, manipulador...

E eu?

Eu vejo apenas um garoto.

Perdido em seus devaneios.

Afogando-se no seu orgulho.

Você não vê?

Acredite...

Mesmo tortos eu te enxergo.

Meus olhos só me enganaram uma vez...
                                     e eu que permitir.

Às vezes canso de prever os fracassos.

Então jogo os dados..
                   apesar de saber que você prefere o carteado.

Estou entregando o jogo.

Não vejo verdade aqui...

Não vejo carinho, não vejo esperança.

Não sigo migalhas.

Persistir demais.

No desespero de calar a solidão que inspira.

Não tem como...

Nasci para isso.

Escrever memórias, tristezas, alegrias e ilusões.

Deixando a mente gritar e o coração bombear.

Não é assim?!

“Bombeia sangue coração, bombeia...”

Estamos mais para lá do que para cá.

Correndo na corda bamba...

Que insistimos em chamar de vida.

Tais Medeiros.









19/03/2017

Sessão [CONTÍCULOS 01] In Memoriam e outras tentativas de consolo.


[...] Navego em calmaria em meus recomeços, sempre em frente, enfrente a frente, mas a tempestade do outro me toca, me preocupa. Hoje "amores meus" sofrem e suas dores são minhas, suas lágrimas são minhas. Eu queria poder resolver tudo, tirar toda dor que sei que passou nessa vida, histórias são escritas nos choros e risos das pessoas, não em vã existência. Queria dizer que tudo vai ficar bem, contudo sou apenas um ser equilibrando-se no seu próprio desequilíbrio, às vezes perturbada e perturbadora. Minha paz não é vitalícia, isso me torna mais um ser falho que não tem muito a oferecer. Estou em uma tranquilidade momentânea ou penso que estou, porém os barulhos dentro dos outros me aterrorizam, me sinto incapaz por ter apenas três dos cincos sentidos para oferecer - eu te vejo, eu te toco, eu te escute, ofereço meu peito como escudo e meus braços como abrigo nossa vida um pacto fortalecido e selado pelos momentos bons e ruins. Este vazio que lhe preenche chega até a mim e faz um eco, saiba você, nunca estará sozinho(a). Quando a dor bater olhe para céu, mesmo nublado há de existir estrelas a brilharem iluminando o seu caminho, elas estão a guiar, vigiar nossa vereda e eu estou em terra até quando o universo permitir, percorrendo com você por estes caminhos incertos que é viver. Existe dor que doí sempre, ameniza, porem não cicatriza são ferimentos na alma, eu não sei explicar e não sei consolar, mas sei amar muito, odiar pouco e julgamentos não me cabem. Eu estou sempre aqui, para o que der e não der. Pode vim, me abraça forte, não precisa dizer nada se não quiser, apenas venha. "Meu corpo te aceita como um irmão."

Tais Medeiros.

16/03/2017

Os movimentos ficaram mais intensos, as carícias no rosto se tornaram tapas na cara, tapas na bunda e quando vi eu já estava de quatro de mãos presas para trás pedindo por mais. Não sei como adormecemos, apenas sei que acordei com ele a me acariciar lascivamente, pedindo para que eu ficasse uns dias mais. E eu só sabia pensar... Te chupo antes ou depois do café. Mais um dia que burlei a mala. [TEXTICULO 67]



Marcamos no metrô ás 21h00 horas, ele se atrasará pelo fato de está saindo do trabalho e em São Paulo caia uma garoa que parava o trânsito, novidade em SP é sempre o caos, faça chuva ou faça sol. Ele me ligou querendo saber se eu ia me atrasar também eu disse a ele que sim e que ainda estava indo para a estação de trem - eu não podia dizer a ele que já estava no local combinado há quase uma hora. Eu e essa ansiedade de querer saber o que o destino me reserva, essa atitude me faz fazer coisas e chegar a lugares muito antes da hora. Ele desligou o telefone e eu vi que não tinha outro remédio além de esperar, mesmo odiando esperar.

Sai do metrô a sorte que eu tinha comprado umas long neck quando desci no centro para pegar a linha vermelha. Tomei duas cervejas, fumei três cigarros e olhei os mendigos passar. Neste intervalo de barulho de chuva e cheiro de sarjeta comecei a pensar sobre o que eu estava fazendo. Mas um encontro às escuras e olha que eu não possuo redes sociais para encontros como o Tinder ou sei lá o que, não tenho paciência pra isso. Este rapaz apareceu no meu whatsapp com um papo de desentendido que se tornou interessante, ele estava em meus contatos a um tempo não sei como foi parar lá e para falar a verdade nem ele sabe, contudo lembro que nos falamos várias vezes até que um dia eu pensava que estava em relacionamento sério e dei uma resposta atravessada para ele – ao menos foi o que ele disse refrescando a minha memória.

- Nossa! Eu te dei um corte? Desculpe, eu deveria está bêbada e com raiva...

- É não foi um corte, corte... Você apenas disse que estava na casa do boy e para bom entendedor meio boy basta, mas não achei ruim, você estava com alguém e estava respeitando isso, difícil atitudes assim hoje em dia.


Rimos da situação, porem eu pensava - Por que depois de tanto tempo ele arriscou contato novamente? Eu em seu lugar o whatsapp dele nunca mais veria o meu online. E as noites e dias seguiram até o dia de hoje. Eu que estava ansiosa e imaginando como seria esse encontro que prometia muito, comecei a me pegar com o velho dilema.

- Hoje eu paro na vala, não pera, na mala...

Ele chegou do jeito que era nas fotos, garoto novo de uns 27 anos, alto e a voz de hippie louco como nos áudios e tinha um bigode ala Salvador Dalí, eu gostei. Caminhamos na chuva até seu apartamento que fica poucos minutos do metrô, paramos para servi um mendigo de cigarro, não dá pra deixar um ser humano na chuva sem cigarros, isso é desumano. Ao chegar ao seu apartamento estava visível que acabará de se mudar, então senti um alivio, me parece que até agora tudo que me disse é verdade.

- Cerveja?

- Claro...


Respondi quase como uma viciada em Crack quando está de frente de uma pedra. Ele bolou um cigarro de maconha, mas eu declinei não me sentia segura para fumar e demonstrar como sou idiota depois que fumo, eu não queria também perder os meus reflexos se caso eu tivesse que me defender... Que maluca eu, em uma misturar de querer ficar e querer correr. Sei muito bem que o álcool também pode causar a perca dos reflexos e é por isso que bebo, mas hoje eu sabia que não ia beber muito, não por não querer, mas por ter percebido que havia pouca cerveja na geladeira.

Papo vai papo vem muito agradável, mas às vezes eu me perdia em lembranças de outro alguém. Ele percebia quando eu desligava do assunto e sempre educado me trazia de volta para ele. Viagem, trabalho, teatro, música e por incrível que pareça em nenhum momento meu blog foi citado como em outros encontros, realmente não foi lá que ele me achou, então ele não espera muito de mim. Ufa! Ele não tem uma fantasia criada, afinal, durante esse tempo nada expus a ele, pouco falei de mim. Então ao som de Balck Alien ele e me beijou - tudo começa ou termina no beijo me com o dele fomos além.

Ele me levantou e me colocou em seu colo, sua boca não deixava meus lábios, mas suas mãos já passeavam por dentro de minha roupa tocando todo meu corpo. Ele me olhava com olhar de cio, um touro selvagem que tinha despertado. Eu não tive nem tempo de toca-lo, me jogou na cama e beijando-me começou a arrancar minha roupa, quando vi já estava nua em suas mãos, ele me chupava e tocava meu clitóris deliciosamente, dizia que meus seios eram lindos e os abocanhou eu gemia, pedia para vim, para entrar em mim, mas o filha da puta não vinha. Brincava comigo, dizia me querer submissa, quem mandava era ele, então mudei a estratégia.

- Se você não vem, eu vou...

Subi em cima dele com todo tesão que sentia e sentava naquele pau como se fosse a ultima coisa que eu faria nessa vida, ele subitamente levou a mão ao meu pescoço e começou a apertar – achei que literalmente ia ser a ultima coisa que eu faria mesmo, acho que a mala não ia rolar mais a vala sim. Ele apertava meu pescoço mais eu não saia de cima dele, era uma mistura de medo e tesão, pensei: Se é para morre vou morrer gozando.

Senti-me cansada, sem ar e cair por cima dele, ele rapidamente veio por cima de mim e me beijou docemente, acariciou meu rosto e me penetrou devagar como se estivesse me dando vida e me deu. Os movimentos ficaram mais intensos, as carícias no rosto se tornaram tapas na cara, tapas na bunda e quando vi eu já estava de quatro de mãos presas para trás pedindo por mais. Não sei como adormecemos, apenas sei que acordei com ele a me acariciar lascivamente, pedindo para que eu ficasse uns dias mais. E eu só sabia pensar... Te chupo antes ou depois do café. Mais um dia que burlei a mala.

Tais Medeiros.



Me senti uma azeitona
Triturada na sua boca
E no final foi porra pra todo lado
Urros e gritos desafinados
Mas que putaria baby
Só que eu quero tudo outra vez


13/03/2017

Sessão Poema - Parte XLIX [Muros, arames farpados e as duvidas de ser]

Pink Floyd – The Wall.
Existem tantas palavras em mim...
Tantos pensamentos e sentimentos.
Contudo não consigo liberta-los como deveria...
                                                    como poderia.
Há sempre a presença sólida da insegurança.
Barreiras que não conseguimos transpor.

Existem muros cercados com arames farpados nas relações.
E a gente tenta ultrapassar...
Corta o arame mesmo que nos rasgue;
Pulamos o muro mesmo que quebre as pernas.
A gente tenta...
Ou pensa que tenta?
Difícil mesmo é derrubar nosso muro de Berlim.
Interno, inconsciente, pesado e cinza.
Saber lidar com o “Seja você mesmo.”

Como ser você mesmo?
Quem é você mesmo?
... é muito mesmo
Talvez esse seja o problema.
Não somos os mesmos;
Não somos naturais.
Apenas nossos traços físicos, genéticos...
                                              apenas a biologia é.

E ainda tem quem tenta mudar isso.
Esquisito não?!
A única coisa que podemos dizer ser “a gente mesmo.”
Tentamos modificar;
E ás vezes inutilmente.

Mas tudo muda.
Tudo sofre influencia do meio.
TV
Internet
Cultura
Política
Discursos e...
Pessoas.

Será que o que eu penso é mesmo meu?
Será que essa realidade é mesmo minha?
Será que o que sinto é mesmo meu?
Será que eu sou eu mesma? 
Ou sou apenas mais um enganado em MATRIX?
Pensando ter controle.
Quando na verdade;
Acontece um massacre em outro plano
Uma guerra dentro de mim.

Tais Medeiros

03/03/2017

Pensei em me retirar não por desistência, mas pelo fato de sentir que explodiria. Explodiria igual aos kamikazes em terras inimigas - tudo ou nada e nesse ato de desespero eu esperava dar a paz que tanto gritávamos querer um para outro. Com tudo este ato lhe faria vitorioso na guerra e meu corpo destroçado seria o símbolo da minha rendição, minha bandeira branca fincada em seus restos, nossos restos. Eu me nego! [TEXTICULO 66]


Eu estava realmente cansada. O corpo mostrava as marcas que eu tanto tentava esconder. Marcas de ansiedade, desespero e de medo. Eu estava em batalha há muito tempo lutando para não desmoronar no campo. Campo que me devorada lentamente a cada golpe que me davam. Da forma mais cruel me desestruturavam, desfiguravam minha alma, atacavam me psicologicamente.

Agressão física com o tempo cicatriza e essas eu sei como me defender, revidar, mas quando lhe pegam de guarda baixa na hora do abate não é um tiro, não é um soco que vem e você realmente se perde na estratégia, cambaleia entre o passado e o presente, palavras e momentos e não sabe mais se equilibrar ou agir. Pensa em recuar, pensa em fugir para qualquer lugar que desconheçam sua existência, pensa em tudo menos como contra atacar.

Para ele não bastava meus olhos cheios de lágrimas, meu corpo tremulo, meu coração na mão. Não bastava o recuo engolir todos aqueles sentimentos que plantou em mim um dia... Não bastava. Ele queria ouvir o “DESISTO” sair da minha boca, queria me ver de joelhos a suplicar e praguejar sua existência, queria que eu o coroasse senhor das minhas desgraças. Não sabia ele que ando desgraçada a muito tempo.

- Ele ganhou essa batalha!

Pensei em me retirar não por desistência, mas pelo fato de sentir que explodiria. Explodiria igual aos kamikazes em terras inimigas - tudo ou nada e nesse ato de desespero eu esperava dar a paz que tanto gritávamos querer um para outro. Contudo este ato lhe faria vitorioso na guerra e meu corpo destroçado seria o símbolo da minha rendição, minha bandeira branca fincada em seus restos, nossos restos. Eu me nego!

Não sou inimigo fácil de declinar, não sou demônio de água benta meu exorcismo é digno do Vaticano de papas vivos ou mortos. De joelhos ele só me verá em nome do gozo em nome da luxúria, da perversão, do prazer, do desfrute e do amor.  Desistir? Palavra que desconheço seu significado e não me remete nada muito menos lembranças. Saiba que eu nunca desistir de nada. Mendigar?  Já mendiguei por muitas coisas, mas por que acho poético tenho fascínio por sarjetas, mendigo por querer - até a minha dor eu que escolho. Escolho quando, onde e por quem devo sofrer e quando eu devo parar não desistir por ter sido vencida  em um mero combate.

Eu cuspi o que sobrava de meus sonhos e lavei minha cara no pouco de esperança que me sobrava. Olhei nos olhos dele, ele tinha um olhar altivo, porem era um olhar triste como se dissesse: “Desculpe. Eu avisei.” Mas sua expressão foi se modificando ficando perplexo com a minha ascensão. "De onde ela tira essa força?" Dizia ele em pensamento.

Me ergui em posição de ataque por que até minha defesa é atacar e ele não vai me dizer quando tenho que desistir. Fortalecida nas coisas que acredito voltei ao nosso campo de batalha que mesmo negando chamamos de amor. 

Tais Medeiros. 

Eu quero descansar no teu peito
O cansaço dessa vida
E o peso de ter que ser alguém
Eu já não sei o que faço meu bem
Nem o que farei...
Mas se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Eu posso ser um qualquer inimigo
Mas só quero que saiba meu bem...
Esteja sempre comigo...




01/03/2017

Apresentação - Sessão [CONTÍCULOS 00] e outros pensamentos vãos.

Arte: Jan Saudek
[...] Eu sou apenas o pó das estrelas, algo efêmero. Uma passagem, uma fase... Tudo que um dia passa. Como os dias, como às horas, como os amores, a vida. Sou o amor mais doce e a dor mais crua, sou a dualidade a bipolaridade o destruir para recomeçar. Apenas um ser, vagando nas ruas estreladas do universo, um copo vazio na mesa de um bar, um corpo... Apenas um corpo no desfrute o cigarro esquecido no cinzeiro em meio de tantas outras bitucas. Eu sou o anonimato. Escritas de desesperos e o teatro de mil personagens. "Arte não ama os covardes" e acredito que muito menos a vida... Então estou salva, que de todos os males que carrego, covardia não me cabe, pulo no poço, no precipício nos braços da morte e do caos pelo que acredito. Retribuo amor mesmo quando ele não existe mais, mas isso não importa em tempos líquidos a poesia só é lida se tiver gozo. E o que resta para uma pobre diaba, marginal de alma? É esperar o nada, ser um nada e tudo sentir em silêncio de torpor. Não me procure mais, eu não sou daqui. E nada parece ser o bastante. 

Tais Medeiros.