26/02/2017

Sessão Poema - Parte XLVIII [No estreito de minhas pernas.]

Imagem de internet

Ando a fim de estreitar esse espaço entre nós.
Por um fim nesse distanciamento.
Cortar caminhos para lhe encontrar.
Transformar ruas em vielas
                            bem comprimidas.
Para nossos corpos roçarem ao passar.

Mas não passa...
Nessa travessia perturbadora do querer...
                                               do desejar.
Sua carne na minha unha.
Em suas costas rabiscar.
Minhas marcas, minha assinatura.
Escrita com cio.
Comprovando o gozo.
Lambuzando os pelos e a pele.
Desfazendo esse espaço que nos separa...
                                                      no suor.

A distancia não me contém.
Pratico amor em pensamento.
A cada ponto de ônibus, a cada estação de trem.
E é nessa hora que vejo...
O tempo colabora.
Por mais que haja demora.
A vontade nunca passa...
O tesão não ameniza.
É preciso provar mesmo que tarde...
                                        do que nunca não existe.

Todos os dias meu corpo se prepara para lhe receber.
Em uma festa fugaz.
De molhar lençóis, cantando gemidos.
É perdição, amor.
Que você vai encontrar no fim da distancia entre nós.
No estreito de minhas pernas.

Tais Medeiros.



2 comentários:

Alexandre Durden disse...

Você descreve tão bem! que flui a imaginação, atiça os desejos!!, mais um belo escrito!

Choconhaque disse...

Obrigada!