21/02/2017

Sessão Poema - Parte XLVII [Era uma vez.]

Arte: Jan Saudek


Sobrevivo de amores passageiros.
Amores de fundo de garrafas.
Bebo as pessoas em doses fortes.
E me afogo em minhas doces ilusões.

Um dia me perguntaram...
“Você já amou alguém?”
E no vazio que nego existir...
                   achei meu dilema.
Foi amor ou apenas bebedeiras extremas?

Tudo acaba com a chegada da ressaca.
E percebo que nunca tive amor sã.
Tudo é tão intenso.
Como minhas noites no purgatório.

Sei que é efêmero.
Pois não nasci para amar.
Nasci para divertir noites.
Rir risos de torpor.
E cair sozinha nas sarjetas.
Dando doses de vida a singelos bonecos.
Que esperam inconsciente a fada azul.

E aqui estou eu, outra vez.
Vestida em minha miséria.
Tentando enlouquecer novamente.
E tudo é sempre um eterno...
“Era uma vez.”

Tais Medeiros. 

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