27/01/2017

Um dia recebi um convite de um boy que não via há muito tempo. Convite para beber, fumar, papear e trepar, tudo que amo fazer, se existe uma vida ideal para mim... É essa. Eu não estava uma boa companhia, estava juntando minhas sucatas, fui depenada por uma desilusão amorosa, eu e essa mania de me enganar. Descobri tarde que no paneleiro da vida sou uma frigideira ou uma leiteira, não importa, as duas não tem tampa. “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” [TEXTICULO 59]



“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”

Vinicius de Moraes já sabia que a vida é para encontrar. Encontramos tantas coisas, deus e o diabo em terra, alegrias e tristezas... Pessoas. Eu amo as pessoas e é este meu amor que as põem longe de mim. Meu cuidado machuca, mas mesmo machucando acabo ajudando. Elas ficam tão putas com o meu jeito, que um dia as agradou e hoje alegam pesar, fazem questão de arrumar suas bagunças externas e internas, para provar que falta não faço. Como se um dia eu tenha duvidado disso.

Não sou a rainha da sucata, porem as pessoas sempre chegam para mim sucateadas, destroçadas, passando por crises de viver, destroçadas pelos desencontros da vida. Proponho-me a ajudar dar uma nova forma a elas, pois não vejo sucatas nas pessoas, vejo lindas obras de artes o ruim que no final, nunca posso admirar seu esplendor.

Todos partem... Não os culpou. É típico do ser humano no fim de qualquer tipo de relacionamento esquecer o que a de bom na pessoa e potencializar as ruins. Esse ato ajuda justificar as suas falhas também, por que em uma relação, os dois lados erram, porem é mais fácil seguir em frente de cabeça erguida quando nos tornamos vitimas de alguém. Justificando o adeus gélido.

Um dia me perguntaram:

- Faltou gratidão da parte deles?

- Gratidão? Não espero gratidão, espero entendimento e compreensão. Infelizmente não se conserta nada sem quebrar.

Eu vivo dizendo que: Eu já me basto. Agora essa frase me parece vazia e mentirosa. A verdade é que precisamos estar bem com a gente para viver bem com o outro. Compreende-lo em seus momentos e acima de tudo entende-lo. O foda é que eu demoro aprender ás coisas, aprendo fácil tudo que não presta, mas tenho dislexia para o essencial. Quando entendo já foram e não me deixam tentar voltar.

Um dia recebi um convite de um boy que não via há muito tempo. Convite para beber, fumar, papear e trepar, tudo que amo fazer, se existe uma vida ideal para mim... É essa. Eu não estava uma boa companhia, estava juntando minhas sucatas, fui depenada por uma desilusão amorosa, eu e essa mania de me enganar. Descobri tarde que no paneleiro da vida sou uma frigideira ou uma leiteira, não importa, as duas não tem tampa.

Apesar dos pesares resolvi aceitar o convite, estava cansada de dores, culpas e dramas de quinta. Estava precisando muito de uma bela noite de sacanagem desmedida, era o socorro que meu corpo precisava e o desligue que minha mente clamava. Cheguei à casa do boy, o mesmo lindo como da ultima vez, acho que o tempo para ele não passa, acho que a vida de ilegalidade o conserva. Um homem de loucuras extremas, mas de espírito equilibrado, o invejei naquele momento. Queria ser assim, o máximo que sou e louca e desequilibrada em todos meus pólos.

Ele me serviu uma taça de vinho, estranhei aquela sofisticação... Entre taças, beijos, conversa sobre teatro, música, viagens, filmes e piadas políticas meu salvador fez a pergunta do mal.

- E como anda essa cabecinha?

Imediatamente meu pau imaginário brochou, pensei comigo: A que horas Freud entrou na conversa? Visivelmente abalada matei uma taça de vinho, acendi o cigarro e olhei para o nada. Ele ficou sem jeito, mas mesmo assim não recuou utilizou da técnica infalível de deixar nas mãos do condenado a escolha...

- Se não quiser falar tudo bem...

Xeque mate... A sua ultima frase entrou pelo ouvido e abriu minha boca de dentro para fora, frase infalível, desembestei a falar. Falei sobre a crise existencial que estava passando, na verdade da qual eu nunca sair, falei dos amigos que me deixaram com uma certa ajuda minha, falei do cara que tinha conhecido e então pouco tempo ele comerá o pouco de juízo de que eu tinha. Falei do desemprego, dos trinta anos, do meu aumento de peso e chorei... Chorei como nunca tinha chorado antes.

Ele me olhou nos olhos, passou as mãos pelos meus cabelos e depois secou minhas lágrimas e disse:

- Você é uma mulher muito inteligente, faz grandes reflexões sobre a vida. Estão todos perdidos lá fora e são poucos como você que consegue se autoanalisar olhar para dentro para tentar descobrir o que anda errado, você não procura erro nos outros, procura em você por que é onde você consegue mudar. Você escreve o que a maioria das pessoas sente, eles de certa forma nos ajudam, vemos que não estamos sozinhos, não somos estranhos.

Depois de ouvir as palavras do boy senti que eu devia ficar feliz... Não consegui. Era como se ele quisesse fazer o que tento fazer a anos, me consolar. Ele estava fazendo igual o outro cara que me deixou no escuro, apenas sendo o cara legal. Tive vontade de dizer isso a ele, dizer que os meus textos não tem intenção de salvar ou feri ninguém, Apesar de quando acontece um reconhecimento eu me sinto menos inútil nesse mundo, mas eu apenas tento me justificar para mim mesma... Apenas tento diminuir essas vozes, esses questionamentos que me invadem.

Resolvi não dizer nada, mesmo com tanto barulho em minha mente do lado de fora estava calmo, não queria estragar aquele momento. Ele me fitou novamente com um olhar brando e surpreendeu com suas palavras, era como se ele estivesse ouvindo meus pensamentos...

- Estamos todos tentando nos explicar se não é para a gente é para o mundo, estamos gritado por socorro nos bares, nas ruas, nas redes sócias em textos de blogs. Minha rainha, somos um bando de recém-nascidos berrando por ai.

- É... Só que o chato... É que estamos vestidos.

Ele deu uma risada gostosa daquelas que nos faz ri também mesmo sem querer. Beijou-me a boca e me abraçou. Dormimos juntos o sono dos inocentes de pés dados. Senti naquele momento que a sacanagem acabou, eu perdia um amante e ganhava um amigo.

Tais Medeiros.




É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí?
Uma mulher tem que ter qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor e pra ser só perdão
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
...












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