22/01/2017

Sessão poema - Parte XXXVII [Trocando cravos por girassóis. Almejando uma intervenção alienígena.]

imagem de internet




Baixar a guarda ridiculamente.

Deixando meu véu de ferro sucumbir.

Pensando está trocando cravos por girassóis.

Me enganei de novo.

Não sinta culpa por isso...

Se é que capaz de sentir algo por alguém, além de você.

Não me enganou...

Eu que entrei na porta errada.

Fiz isso tantas vezes.

Eu e essa mania de olhar as estrelas.

Em constelações nebulosas.

Mas foi pouco tempo, não é?

Não lhe deixou nem marcas.

Já em mim...

Não se sinta dono do meu desalento.

Não é só você que me tira o sono...
                              me faz querer chorar.

De repente tudo que eu escondia.

Fingia não sentir.

Veio me cobrar com juros.

Tudo de uma vez só...

Sem direito a parcelas, acordos ou perdão.

Dividas de viver...

Sei que também tens as suas.

A cobrança é alta meu bem.

Eu que há muito tempo fugia da realidade.

Agora me afundo nela.

Em uma solidão precária.

Eu vi a essência humana...
                          e não gostei.

Ando suplicando por vidas em outros planetas.

Almejando uma intervenção alienígena.

Que me escravize...

me bata...

me leve...

me diga algo...

que me faça alguma coisa.

Esse nada não me apetece.

Não traz nada de novo

Apenas nos soterram no mausoléu dos imprestáveis.

Rezo para retornar a minha casa.

A única certeza além da morte...

É que não sou daqui.

Criatura estranha que sente mais do que suporta.

E o mundo mesmo torto...

A girar em cima de mim.


Tais Medeiros.

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