04/01/2017

Pois é, já dizia o filósofo: "Todos os acontecimentos se encadeiam no melhor dos mundos possíveis..." Esse é o melhor mundo possível para nós, somos únicos nele. Taxados de passionais, eufóricos, senhores do oba, oba ou poucofudencistas, não importa. Não é o melhor mundo que queremos, aceite. Nós não sobrevivemos sem um caos, sem um drama, sem um choro de madrugada, um amor marginal. Felicidade demais estraga a gente. Felicidade demais não é tradicional aqui por essas bandas. [TEXTICULO 55]

Arte - Apollonia Saintclair


“As bads também tem sua beleza.”

 Foi o que ouvi de uma amiga, codinome Ágatha. E, de certa forma, acredito nela. Acho lindos esses textos que falam sobre amores correspondidos, mas vejo mais verdades nas linhas que contam dores, parágrafos sobre abandono, copos largados e cinzeiros cheios. Isso tem mais verdade do que declarações cheias romantismo clássico. A graça, o charme, a curiosidade está em saber que o outro também sofre, as bads aproximam os corações surtados. 

Ágatha diz que faz tempo que não escreve nada, apenas sabe contar o quanto é trouxa nessa vida, escrevendo cartas para o ex amor e lamentações fermentadas em qualquer dose de álcool barato. Mas vejo mais sentimentos em suas linhas demoníacas do que em flores murchas na garrafa. Talvez seja por que vivo e sinto o mesmo, nossas perturbações quase sempre cruzam a mesma rua. 

Esses dias tive surtos atrás de surtos, as cenas dos shows me renderam metros e metros de textos, minhas redes sociais entraram em convulsões, o blog explodia igual ao meu coração, meus olhos e meus atos cheios de exagero. Fazer o quê, se eu sou assim? Eu gosto do estrago, minhas fodas são cheias de tesão, meus drinques favoritos são os mais fortes, não ofereço cerveja quente para minhas visitas. Sirvo apenas a alma apimentada e fervendo. Minhas ocasiões sempre levam ao banquete, ou a algo parecido com isso. 

Acreditei nas palavras de Ágatha, porque me sinto consolada ao saber que não sofro isolada no fundo do meu poço. Percebi que estava rolando um exorcismo coletivo, uma centena de outros pobres desgraçados começavam a narrar suas cenas de ciúmes, despejavam o saco cheio de permanecer na mesmice, de certo modo eu estava acolhida e agradeci por isso. 

Pois é, já dizia o filósofo: "Todos os acontecimentos se encadeiam no melhor dos mundos possíveis..." Esse é o melhor mundo possível para nós, somos únicos nele. Taxados de passionais, eufóricos, senhores do oba, oba ou poucofudencistas, não importa. Não é o melhor mundo que queremos, aceite. Nós não sobrevivemos sem um caos, sem um drama, sem um choro de madrugada, um amor marginal. Felicidade demais estraga a gente. Felicidade demais não é tradicional aqui por essas bandas. 

Um rapaz me lembrou um dia, a propósito ele é um Lord da lua, o mais sábio que conheço, meu Lord lunático reforçou, durante aqueles papos repletos de tragos, fumaças cheias e copos vazios, o pensamento de Voltaire: "Muito bem, disse Cândido, mas é preciso cultivar nosso jardim." Cultivá-lo sem se preocupar com o jardim alheio. Cultivar o que te pertence. 

A loucura me pertence. Os momentos de bad florescem no meu jardim, há canteiros e mais canteiros de paranoias no meu quintal. As sandices tem seu charme, trazem conversas, confissões e pessoas fascinantes. Elas me rendem um amanhecer turvo de olhos ressacados, aquele tipo de manhã que só cabe acender um cigarro e pensar “O que eu fiz?. "Talvez seja essa a minha procura, sou viciada em sofrer. 

Desde sofrer por esperar um café que vai me matando aos pouquinhos enquanto apenas seu aroma faz minha barriga roncar de fome, ou até mesmo sofrer por um amor , que foi perdendo o encanto . Ao menos o café existe pra me completar nessas horas, já as paixões fantásticas....Bem, com esse tipo de coisa eu não sei lidar.

Tais Medeiros & Thalita Gongalves.
Choconhaque & Satãnorio 
via: Coletivo Insano.


Meu amor
Não me invadas
Com o teu olhar
Não me deixes aqui a gritar
No meio do caminho
Sozinho
Meu amor,
Não mais deixes escapar
Nenhum desejo no teu olhar
De pecados proibidos 
Esquecidos
Respirando magoas 
De uma outra dor
Do nosso caso imoral
Desse amor
Desse amor marginal
Eu vou
Pra calar o sexo mais banal
Pra virar poesia
Desse amor
Desse amor marginal
Eu vou

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