31/01/2017

Eu não almejo encontrar a metade da minha laranja nem a tampa da minha panela, eu quero encontrar o meu poeta, marginal alado não para completar, mas para transbordar... Poeta transborda. Quero que ele role comigo pelas sarjetas em noites chuvosas e quentes caçando problemas e salvação. Andando atrás de tudo que nos mova que nos deixe vivo e nos dias quentes descanse comigo em uma rede lendo nossas linhas. Escrever é a arte de não morrer, meu bem. [TEXTICULO 60]



Se relacionar com pessoas já causa em nós "escrevinhadores" uma puta inspiração dos infernos. Agora imagine se relacionar com um poeta? Por que poeta não é um ser dotado de normalidade, eles normalmente não gostam nem dessa palavra, não querem esconder suas loucuras como as pessoas que se dizem normais tentam fazer inutilmente, apenas com medo de serem julgadas e serem mal vistas. O poeta, não. Dizem ser filhos da lua, irmãos das estrelas aceita sua insanidade, case-se com ela a fim de enlouquecer em paz. Com eles é sempre chuva de meteoros de inspiração sem tamanho vista da própria mãe, lua.

Poetas não se olham, se declamam. Não julgam, contemplam, não fogem, entregam-se. Não a luta, mas para vida. Eles não brigam... Escrevem. Escrevem sobre o que vivem e se caso pararem de escrever podem se considerarem mortos. Poeta morto é poeta triste, mas não de se inspirar na tristeza vive ela banalmente, poeta aproveita todas suas fases para escrever histórias em páginas brancas, dando cor e voz aos sentimentos.

Estão sempre envolvidos em caos e amor, tudo vira arte – o choro, o riso, o sexo. Sexo é a pura poesia e quando dois corpos poéticos se cruzam na galáxia horizontal o gozo torna-se palavras. A cama passeia pelo lirismo romântico e a poesia selvagem e marginal, as almas se transbordam.

Nas mãos de um poeta até o tédio é bem visto, as crises, as contas, o cotidiano e as "DRs". Não existe tempo ruim para quem escreve tudo se torna lúdico nada o poeta TEMER. São homens e mulheres de coragem, escrevem o que sentem, escrevem o que veem, escrevem o que pensam e o que não tem certeza se pensam, fazem reflexões. Ficam nus em paginas, expostos em prateleiras, bancas de jornal e redes sociais. Alvos fáceis para possíveis críticos, inevitáveis problemas.

Quase sempre poetas e nós "escrevinhadores" se autodestruímos, mas não é vontade de morte é como se fosse um castigo, às vezes nossas cabeça também cansam então a gente tenta calar as vozes, mas o efeito é outro ai que elas falam mais alto e tomam de assalto nossas mãos lápis e papel e quando percebemos ali está mais um poema, mais um texto, mais um conto sobre a vida. A gente gosta mesmo é de viver. Viver a vida do jeito que ela for servida, sem regrar, se regrar não dá linha.

Eu não almejo encontrar a metade da minha laranja nem a tampa da minha panela, eu quero encontrar o meu poeta, marginal alado não para completar, mas para transbordar... Poeta transborda. Quero que ele role comigo pelas sarjetas em noites chuvosas e quentes caçando problemas e salvação. Andando atrás de tudo que nos mova que nos deixe vivo e nos dias quentes descanse comigo em uma rede lendo nossas linhas. Escrever é a arte de não morrer, meu bem.

Tais Medeiros.


Todo mundo é parecido
Quando sente dor
Mas nu e só ao meio dia
Só quem está pronto pro amor
O poeta não morreu
Foi ao inferno e voltou
Conheceu os jardins do Éden
E nos contou
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo
Com seus moinhos de vento






2 comentários:

Anônimo disse...

Que madrugada criativa, lindo cada linha deste texto, tão bom que prende mais que a lava jato. Parabéns !

Choconhaque disse...

Hahaha... Obrigada ❤