20/09/2017

Lembrei quantas vezes me masturbei ouvindo aquela voz que dizia: Quando eu te encontrar vou te chupar por horas, vou te devorar te “fuder” por dias.... - Oi! Tudo bem? Faz tempo que você chegou? [TEXTICULO 75]

Após seis meses de masturbação literária e mensagens via redes sociais, finalmente chegou o dia de nos conhecermos. Conhecer não, pois já nos conhecíamos. Os  nossos caminhos já haviam se cruzado pelos bares da vida, entretanto era apenas "olá e tchau" protocolo de boa educação. Não existia nenhum interesse para além da amizade. Também nessa época éramos comprometidos e “trouxamentes” apaixonados pelos nossos pares. Contudo esse mundo gira mesmo e eu sempre tonta entre estradas tortas me deparei com ele. 

Foi em uma rede social em meio poemas, teatro, fotos, alergias e alienígenas que tudo começou. Fomos nos relacionando e fingindo não ter nenhum interesse de “fuder” um com o outro por mais ou menos três dias seguidos. Sabe aquelas fodas que a gente perde a noção do tempo, do espaço da vida faz até a gente perder peso? Então!!! É essa mesmo. Era esse o objeto de desejo e esse desejo só aumentava  a cada ideia trocadas, a cada fantasia confidenciada.

Finalmente depois de seis meses, pois ele estava viajando a trabalho, íamos nos ver. Eu estava ansiosa. Não sei se ansiosa era a palavra certa. A verdade era que eu estava me cagando de medo, mas pela primeira vez não era medo de parar na mala ou na vala, era medo de não agradar.
Eu sentia medo de não saber como agir o que falar, afinal não era um total desconhecido, não era alguém que eu poderia escolher qual versão de mim apresentar. Ele sabia um pouco do meu passado, tínhamos "amigos" incomum que estavam a favor ou contra a mim. Às vezes até ele  poderia já ter presenciado alguns dos meus surtos passionais e ridículos pelos bares a fora. Sim! Tive épocas de guerras emocionais. Resumindo... Eu corria um risco da porra em encontra-lo. Neste momento fui tomada por um desejo de me mandar dali antes dele aparecer - tarde demais.

Ouvi sua voz rouca chamar meu nome - estremeci e confesso que a calcinha ficou úmida também. Lembrei quantas vezes me masturbei ouvindo aquela voz que dizia: Quando eu te encontrar vou te chupar por horas, vou te devorar te “fuder” por dias....

- Oi! Tudo bem? Faz tempo que você chegou?

Acordei do transe erótico com essas palavras que vinham da boca dele. Uma boca linda que estava acompanhada de um bigode e barba rebelde um verdadeiro hippie. Ele tem essa pegada de iluminado. Desde que começamos a nos falar ele passava uma leveza diante da vida, estranhamente me dava paz. Eu o beijei. Foi assim que respondi. Sou impulsiva, eu precisava de um beijo e ele correspondeu lascivamente.

Depois disso até tentamos ir a um bar para beber conversar tentar não ir direto para sexo, tentar não parecer tão profissional, não teve jeito. Depois da segunda cerveja ele meio acanhado disse:

- Não quero parecer precipitado, mas você é linda e eu espero por isso já faz algum tempo...

Eu não o deixei terminar a frase. Partimos para o hotel. Um hotel simplesinho, mas inspirava contos, romances marginas. Quando a porta se fechou eu disse a mim...

- Não existe a palavra não neste quarto. Eu o quero ao menos essa noite.

Ele se despiu e me despiu também. Ele ficava a vontade nu, poucas pessoas ficam, ele disse para eu ficar à vontade também. Disse para não ter vergonha das marcas alérgicas que carrego pelo corpo. Tão lindo! Mal ele sabia que o que me envergonha é usar roupas... Nos beijamos e a cada chupada de língua eu ficava ofegante e transbordando de tesão. Então ele veio, beijando meus lábios, meus seios, minha barriga e chegou onde eu mais clamava por ele - abocanhou-me.

Ele me chupava gostoso, beijava meus grandes e pequenos lábios, um beijo de língua profundo, abocanhava meu clitóris e eu via seu olhar malicioso entre minhas pernas. Sua cara de satisfação em me ver derretendo e gemendo em sua boca. Eu não sabia distinguir o era que saliva o que era goza, o que era eu e o que era cama. Eu vibrava em sua língua. Em meio a esse sexo oral que me tirava o juízo - ele levou sua boca ao pé do meu ouvido e disse: Esfrega essa boceta na minha cara.

Eu estava no céu. Rapidamente mudei a posição com uma agilidade que até eu desconheci. Eu já almejava por isso e antes que ele pudesse se ajeitar na cama  eu sente na cara dele. Seu pedido é uma ordem.

Esfreguei a boceta molhada e cheia de tesão na cara dele e o sacana continuava chupando, lambendo sem perder o ritmo, sem perder o tesão. Eu sentia uma satisfação enorme em ser invadida por aquela língua, nenhum orifício lhe escapava, não havia pudor, era amor meu bem.  

Então pensei comigo enquanto fitava aquele olhar safado, aqueles olhos cor de conhaque por baixo de mim. 

- Ahhh!!! Está valendo apena ter esperado por seis meses esse homem por seis meses e o melhor que a noite só está começando. 

Vamos dobrar o horário da pernoite.




Eu sei que vai ser muito bom
Porque eu tenho uma boa imaginação
Eu gosto de agradar
Deve se livrar das roupas e das inibições
As inibições são boas porque podemos as superar
Eu farei tudo o que você mandar

20/08/2017

Sessão Poema - Parte LXVI [Ame-me como souber.]

Arte: Nudegrafia


Ama-me como quiser;

Como você souber.

Não amamos iguais

Somos animais diferentes.

Eu sei te amar de muitas formas...
                        de todos os jeitos.

Te devoro pelos lados.

Te engulo pelo meio

E no fim...

Lhe beijo os lábios.

Silencio sua mente;

A muito tempo em combustão.

Afago o coração.

E ficamos assim...

Preguiçosos a ver a vida.

Deixando-a seguir seu rumo.

E não temos pressa.

Tudo que é nosso arruma um jeito de chegar até nós.

Nos encaixamos direitinho.

No tempo certo, na hora certa.

Os movimentos exatos e as palavras corretas.

Até os defeitos excitam.

Amei primeiro a eles, antes de amar suas amplas qualidades.

Eu também quero...

Gastar o resto de minha vida com uma pessoa fantástica...

Você...

Rasga-me o corpo;

Estimula minha mente.

Que mal você poderia me causar?

É por você que escrevo.

Nos dias de sol e nas noites de chuva.

E este é só uns dos bens que você causa em mim.

Me encha de vida...
                 de sensações...

Beba-me vagarosamente

Para que eu possa nos eternizar...
                      em diversas linhas.

Do papel branco ao corpo.

Do sagrado ao profano.

Do primeiro amor ao eterno pecado...

Ame-me como souber.

Mas ama-me...

Com verdade, voracidade, transparência.

Ainda temos tempo.

Tais Medeiros. 

08/08/2017

Sessão Poema - Parte LXV [Tudo nesta vida deve ser feito com tesão...]


Arte: Jean François Painchaud


Eu não acumulo nada.

Nem dinheiro;

Nem sapatos, roupas, bijuterias, maquiagens.

Muito menos raiva e rancor.

Às vezes me desfaço até livros...
                      meus nobres amores.

Quem dirá de relações que me desbotam.

Não só me desfaço;

Limpo o espaço.

Para singularidade vim.

Amores?!

Também não acumulo.

Que venham e tragam tudo.

Beijos;

Abraços;

Confidências;

Choros;

Excitação.;

Membros duros, pernas trêmulas.

E o molhar...

O (ser) molhado de paixão.

Tudo nesta vida deve ser feito com tesão...

Nessa e nas outras...
                            caso exista.

Tudo é êxtase;

Tudo é voraz;

É tudo amor, meu bem.

Tais Medeiros.



27/07/2017

Sessão Poema - Parte LXIV [Eu sou o paradoxo.]

Arte: Apollonia Saintclair

Eu ando devorando livros;
Devorando cigarros;
Devorando destilados;
Devorando solidão.
Em contrapartida
A vida me devora.
Lentamente, mas ferozmente.
Não me concede perdão.
Inalo cigarros e escuridão.
E nada parece ter sentido.
Ando sem matilha
Um cão doente, esquecida.
No fundo de uma selva rasa.
Entretanto.
Ainda consigo sentir os cheiros.
Não perdi o instinto de caça.
E não me tornei uma.
Será difícil me achar.
Me reconhece entre a neblina.
Eu não morri...
Ainda respiro.
Vagarosamente.
Um pouco de tudo...
                   sem se importar com nada.

Não paro...
Dou um tempo até as feridas do último combate secarem.
Não espero que curem, não espero que cicatrizem.
Quero apenas que elas possam aguentar.
Mais pancadas...
Mais mordidas;
Mais pau e pedra;
Me apropriei da solidão.
Agora não espero.
Qualquer hora é hora.
O momento não será anunciado.
Pois não será o retorno do salvador.
Será eu.
Voltando do inferno
Ardente...
Em brasa.
Para transformar homens em pedras.
Afogar mulheres entre minhas pernas.
Enterrar no útero todos aqueles que sofrem.
Meus seios calaram as bocas daqueles que ousaram me renegar...
                                                                                sufocando-os. 

Uma diaba;
Um cão;
A Loba.
Em pelo e carne.
Abrindo o purgatório.
E quando retornar.
Não terá um corpo que não arda.
Que eu não entre.
Para amar ou destruir.
Não terá uma bebida que amenize.
Eu trago verdades.
Eu sou o paradoxo.
É dentro de mim...
Que reside o inferno e o paraíso.

Tais Medeiros.

26/07/2017

Ela até gostava dele, mas gostava mais de bar, café, coragem e poesia. [TEXTICULO 74]

Ela até gostava dele, mas gostava mais de bar, café, coragem e poesia. Ele até fazia um belo café, podia dissertar horas e horas sobre literatura e filosofia, conhecia bares como ninguém. Porém, ele oferece só para os outros o melhor de si. Para ela só resta o olhar gélido da desconfiança, seus pensamentos fora do que representa ser. Relutava vê-la como igual ao mesmo nível de criação e vida. No escuro do quarto a elogiava por sua voluptuosidade, sua inteligência e imaginação, ao amanhecer um beijo seco e pelas ruas indiferença. Ele não a admirava quando ela brilhava nas noites perambulando ao seu lado nas sarjetas, entre prostituas, viciados, ladrões, traficantes, trabalhadores, todos a notavam e a elogiavam pela mente poética, pela simpatia e reflexões acolhedoras. Tudo que ele via no escuro e negava na claridade. Ela diz: Ele teme amar uma mulher forte, livre. Ele se defende, diz não ser bem assim. Alega que admira, não deseja castra-la ou competir, apenas sente medo não de amar, mas de não ser amado. Entrega-se a esse turbilhão feminino e nada restar após da tempestade que ela significa. Por isso se afoga em wihisky e cigarros baratos. Ele tem consciência do papel que ocupa na vida dela, mas por traumas que ele insiste em alimentar não se arrisca, é sempre o medo... Ele não percebe que a única coisa que difere as duas almas perturbadas e incandescentes é esse medo de ousar, tentar, de viver, devorar tudo até as entranhas, sem medo de perder sem culpa de ganhar. Ele teme a exposição de seus defeitos e fraquezas, teme reconhecer que é também responsável por seus dissabores. Não quer vestir a simples carcaça de ser humano. Deseja ser o rei do desapego, ninguém o submete ao ridículo. Pobre rapaz. Racionaliza sobre tudo, quando o amor é apenas uma doce loucura. Ela estava pronta para enlouquecer ao seu lado, construir história. Não trazia nada nas malas que chama de corpo, nem passado, nem presente, nem futuro. Ela ousava recomeçar do zero, renascer em terras desconhecidas, esquecida de tudo que já aprendeu para aprender mais, viver mais. Ela sabe que seu tempo é sempre o agora, não existe outras épocas, outros amores, outras dores. Não descasca feridas, não abre cicatrizes seus demônios a muito tempo foram exorcizados, ela apenas quer correntes de água quentes para amar suas carcaças até quando der, quando puder. Mas foi o medo, o maldito medo que enfraquece o ser, as melhores coisas foram postas depois do medo é preciso vence-lo, desafia-lo para poder receber o pote de ouro no fim do arco íris. Ela até queria ama-lo incessantemente, contudo ela não ama homens fracos.

Tais Medeiros

Dei um beijo na boca do medo e saí por aí
Pela noite tão longa
Passei por terreiros iluminados, na rodoviária
Meu mundo caiu
Peguei na mala uma meia
Vai fazer frio, vai fazer frio
Só me interessam correntes de ar quente
E o que sente um golfinho
Nas grandes rotas do mar
Eu não tenho casa, eu não tenho grana
Vai fazer frio, vai fazer frio

22/07/2017

Sessão Poema - Parte LXIII [“Um sonho de Pierrot e um beijo de Arlequim. ”]

Arte: Nudegrafia


Fomos carne.
Nos despedaçamos obstinadamente.
Nos consumimos até os ossos.
Desejos de útero latente.
Paixão que se mata na cama.
Rasgando lençóis.
Sentimentos vividos na pele.
Satisfaz o corpo.
Um deleite...
Um desfrute...
Um instante.
Ainda me excito só de lembrar.
Mas sua loucura foi mentira.
Sobressaiu a minha.
E você não suporta.
Não sou pedaço, meu bem.
Eu sou inteira.
E você não corre em minhas veias.
Mas habita meu corpo.
Como um Arlequim..
Que ama em noites de carnaval.

                    ***

E o que sinto por ele é calma.
Uma paixão sem marcas.
Que ganha vida em conversas descompromissadas.
Nos silêncios criativos.
No olhar dormindo.
Não almeja me escravizar na dor.
Ama-me...
Do corpo a loucura.
Não teme meus desencantos.
Meus defeitos, desesperos.
Meus risos altos e frouxos.
Os convites promíscuos.
Bebedeiras e torpor.
Me vê menina...
Chame-me de anjo.
Mesmo quando ardo no inferno do seu corpo.
E é sempre olho no olho.
E até na distância se faz presente.
Ele é a calmaria diante do tormento do meu ser.
O repouso da minha mente.
Meu Pierrot
E eu?
Sou Colombina.
Ardente...
Inflamada de amor e tesão.
Desejando avidamente.
“Um sonho de Pierrot e um beijo de Arlequim. ”

Tais Medeiros.

21/07/2017

Sessão Poema - Parte LXII [Energias místicas, cristais piramidais.]



Vendo luz.

Para alimentar nossa natureza.

Inflamar o âmago.

Fortalecer o que nos constitui.

Energias místicas, a força dos cristais.

Atraindo o bem, bloqueando males.

E nosso corpo.

Templo dos gozos, das dores, sabores.

Pirâmide.

Reserva na base energia.

Íntima...

Combustível para continuar.

Emano luz.

Para acender novas veredas

Há tempos escondida na neblina.

A escuridão não dá mais abrigo;

As sarjetas já não saciam mais.

Eu doo luz.

Um instante de sanidade cósmica.

Que nasce e se põe junto ao Sol.

Fertilizando sonhos.

Cultivando vida.

Mudanças que nos alimentam.

Transforma.

Amores que nos aceitam.

Seguindo o rio de Sidarta.

Onde as águas nunca são as mesmas.

Um obstáculo a ser vencido.

Talvez traga algo a ser aprendido.

Tudo flui, tudo se renova.

Energias místicas, cristais piramidais.



Tais Medeiros.

17/07/2017

Sessão Poema - Parte LXI [Hoje...]

Arte Frida Castelli


Eu sabia ler o seu silêncio.

Então um dia eu descobri...
                   que não sei ler.

Eu velava sua solidão.

Para poder entender.

Então compreendi.

Que entendo tudo errado.

Não nos arrisco mais.

Agora eu aguardo...

Espero que algo aconteça.

Não manípulo os fatos, as vontades.

Quero que seja saudade, desejo.

Espero que você queira de novo;

Senti meu gosto em sua boca.

Bebendo-me toda.

Como naquelas noites de setembro.

Quando dançávamos sobre a cama

Sem ver o dia raiar.

E você rir...

Quando digo que sou maluca.

E eu acredito...

Quando você diz gostar de mim.

E dentro dessas nossas mentes perturbadas a gente se engana.

Hoje...

Fingimos nada sentir.

Tais Medeiros.


15/07/2017

- Quer que eu me apaixone? Então me dê mais conversas boas, mais sorrisos frouxos, mais fodas despudoradas, mais doses, mais sacanagem. Me dê abraços fortes, beijos, carinhos, cumplicidade. Me dê lealdade, liberdade. Me queira livre. E que dentro dessa liberdade eu me ache, me prenda por que querer, não por precisar. Me dê você do jeito que é, sem mascarás. Consegue? [TEXTICULO 73]

- Como faço para você se apaixonar? 

Ele me perguntou com os olhos embriagados, fumando nosso último cigarro. Eu não espero tal pergunta, afinal, eu me apaixono todos dias, sou um ser apaixonado. Me assusta saber que alguém pense que exista dificuldades em chegar até a mim. Não sou de mistérios ou poses, mas me parece que não deixo nada claro no escuro das mentes de quem se aproxima. Era nosso segundo ou terceiro encontro, não lembro bem, todos nossos encontros têm gosto de primeira vez, isso é bom, pois acaba não tendo data de validade.

Seus olhos pousaram em mim novamente, insistindo em uma receita. Parece que hoje tudo tem que ter uma receita, um tutorial o velho manual de instrução, tempos modernos. Ninguém se arrisca.

- Como faz para se apaixonar? 


As perguntas pareciam fáceis, mas nada saia da minha boca, não dá para contextualizar paixão, amor. Eu ao menos nunca consegui. Escrevo desesperadamente para tentar alcançar o mínimo de entendimento sobre tudo isso que acontece internamente. Não consigo aceitar que essas relações foram criadas apenas para manter as instituições - Família, Estado, Propriedade Privada. Tem que ser coisa de alma, que transcenda algo além do que já temos do que já conhecemos. Por favor, não mate esses meus pensamentos.

Eu não neguei uma receita a ele, já que lhe interessava consumir meus sentimentos - não sei dizer se era uma vontade real ou simplesmente fogo no cú e você sabe, fogo no cú passa. Mas eu não temo essas decepções, pago para ver quanto vou ganhar ou perder, assumo a aposta e eu nunca saio totalmente lisa desses fogos no cú para o lado negro da força que as pessoas têm. Então terminado o último trago do nosso último cigarro, matando a dose derradeira de nosso último conhaque, eu lhe disse, com as vistas turvas, mais de semblante sério.

- Quer que eu me apaixone? Então me dê mais conversas boas, mais sorrisos frouxos, mais fodas despudoradas, mais doses, mais sacanagem. Me dê abraços fortes, beijos, carinhos, cumplicidade. Me dê lealdade, liberdade. Me queira livre. E que dentro dessa liberdade eu me ache, me prenda por querer, não por precisar. Me dê você do jeito que é, sem mascarás. Consegue? Se conseguir já nos imagino. Eu buscando as crianças no inglês e você terminando as almôndegas para o jantar. 

Tais Medeiros. 



Estou pensando em você
Quero lhe ver
Mas nesse horário você deve estar
Pegando os filhotes no colégio
Depois chegar em casa
Ver o resto de tudo
E quando vem o silêncio
Fumar unzinho e ouvir Coltrane
Não faço mais isso mas entendo muito bem
Adoro os teus cabelos
Adoro a tua voz
Adoro teu estilo
Adoro tua paz de espírito

12/07/2017

Sessão Poema - Parte LX [ Escreva no corpo, com o corpo.]

Imagem: @Psicodelication - Arte & Psychedelic

Ele aguentou minhas linhas;

O peso da minha mente;

Meu sexo desesperado;

Minhas dores guardadas;

Minhas marcas.

Aguentou meus beijos embriagados e os desejos sem lógicas.

Ele me viu assim...

Poesia vestida de mulher.

A poesia sensual, livre. 

Para cima, por cima.

E eu enlouqueço de palavras febris.

Escrevo pelas paredes versos sobre nós.

Ele me pede...

“escreva no corpo, com o corpo.”

Agora podemos falar de saudade.

Você parte...

Mas não de mim.

E pelo cheiro que lhe acho.

No tato, no contato.

Para nos lambuzar novamente.

Tais Medeiros.


Sessão [CONTÍCULOS 02] Eu “aprendi” a escrever...

 @Psicodelication - Arte & Psychedelic


[...] Eu “aprendi” a escrever...
Quando comecei a viver o amor e não sofrer por ele. Quando comecei a olhar os acontecimentos da vida, bons ou ruins como capítulos de um belo louco livro, onde o sofrimento se expurga e as alegrias se espalham. Eu “aprendi” a escrever... Quando gostei da minha imagem refletida no espelho pela primeira vez, quando me vi nua na normalidade dos corpos, com marcas e histórias. Quando me reconheci, reconheci o outro, como pessoa, como escritores inconscientes de sua própria história. Atravessando céus e infernos em buscas decadentes em uma certeza pálida. Às vezes um descanso no purgatório para tentar alinhar a vida e depois voltam a peregrinar na sua existência. Se eles tivessem consciência da obra que criam, escreveriam em papeis, muros no céu tudo que vivem, tudo que sentem. Eu acredito piamente que os sofrimentos psíquicos e outros males criados por nós não existiram mais, pois tudo seria linhas, versos, contos, romances, prosa. Eu “aprendi” a escrever... Quando tive a certeza que só existem incertezas, por isso é necessário o arriscar – alguma coisa pode dar certo. Eu “aprendi” a escrever assim... Vendo o real em tons surreais, vendo o homem e o mundo cru, mas os beijando lascivamente com poesias. Acho que "aprendi" a escrever quando "aprendi" a viver, porém só acho, sabe... Incertezas.

Tais Medeiros.






07/07/2017

Sessão Poema - Parte LIX [No País das Maravilhas.]

Arte: Frank Brunner 


Ele me chama de Alice...
Não por me confundir com paixões do passado.
Foi a forma romântica que ele achou...
                    para me chamar de louca.
E eu...
Dou risada de suas ideias lunáticas...
Não por zombar.
Mas por admirar o brilho que veem dos seus olhos.
Quando fala de seres de outros mundos.

Aqueles olhos castanhos da cor de conhaque.
Me embebedo neles...
Até de cabeça para baixo.
Meu pequeno grande Chapeleiro.
Que se vai em suas danças malucas pelo mundo.

E eu espero... 
O próximo coelho passar...
Apressado a me levar por entre matas fantásticas.
Para o buraco certo...
Onde você me encontra.
Quente, úmida e apaixonada.
Ansiosa e trêmula...
Aguardando o retorno.
Ao País Das Nossas Maravilhas.

Tais Medeiros.

06/07/2017

Carpe Diem - Me dê tudo que tenho direito... O pau, o corpo, as juras, as brigas os risos, os abraços, as noites de torpor e os dias de regalos não me negue nada, nem mentiras nem verdades "o resto é sorte e azar." [TEXTICULO 72]

Arte: Nudegrafia


Sabe aqueles dias que você acorda com uma vontade de chupar um pau? Mas não um pau qualquer. Sabemos muito bem qual é o objeto desejo. Ele tem nome, endereço, CPF, redes socais é o tipo de pau que traz saudade, mesmo que deixe angustias a serem afogadas em copos de destilados. As doses mais fortes para os corações mais intensos.

Por favor, não gaste sua moralidade comigo, pensando que sou dissimulada, transgressora uma PUTA por desejar um belo pau de café da manhã, até porque as putas sim sabem viver. E eu? Ainda estou aprendendo do que somos feitos - carne, suor e tesão.

Ás vezes sucumbimos as lagrimas, porém faz parte do show da trágica comédia do ser humano. De certa forma tudo nessa vida dói não é fácil viver e se fosse acredito que seria o tédio dos tédios. Então por que não viver e sofrer de prazer? A gente rola no inferno pensando estar no céu e tudo nos é valido, tudo nos cabe. Do amor eu quero tudo e nada deixo.

E eu ainda sinto seu cheiro por toda casa, pelo meu corpo até meu hálito é você. Eu beberia você de novo e novo sem medo da ressaca, sem medo da dor da partida já anunciada. Somente me importa o agora "Carpe Diem."

Esse negócio de se resguardar apenas serve para mulheres pós-parto, esse negócio de cautela, de ir devagar com medo de se magoar, se apaixonar apenas serve para quem não sabe amar ou para quem não se ama. Me dê tudo que tenho direito... O pau, o corpo, as juras, as brigas os risos, os abraços, as noites de torpor e os dias de regalos não me negue nada, nem mentiras nem verdades "o resto é sorte e azar."

Eu me renovo todos os dias, todas as noites, a cada beijo, a cada olhar, cada troca de afeto que tenho com os outros e comigo. Meus amores são todos únicos, mas não me param. Não consigo alimentar medos e traumas apenas sei alimentar tesão, paixões e boas lembranças, enxugar o choro e seguir para novos horizontes. Sempre em frente de cara limpa, coração cheio e mente barulhenta.

Tais Medeiros. 



Tudo é questão de obedecer ao instinto.
Que o coração ensina a ter, ensina a ter.
Correr o risco, apostar num sonho de amor.
O resto é sorte e azar.
Tudo é questão de não se negar nada.
A nenhuma força que dê luz, que dê luz.
Seja de Deus ou do Diabo se for claro.
É só pagar pra ver, é só pagar pra ver.
E se por acaso, doer demais.
É porque valeu.

29/06/2017

Sessão Poema - Parte LVIII [Transborda em mim.]

Imagem de internet.


Eu te procuro no silêncio.

Mas apenas encontro o vazio.

Um buraco negro.

Onde tudo se perde e nada se encontra.

Eu te perdi ali...

No barulho da sua mente.

Na escuridão dos espíritos.

No julgamento das pessoas.

Confundindo liberdade.

Orgias não são propostas a serem feitas em mesas de bares;

Muito menos em festas que não são minhas.

Desculpe...

Eu me excedi.

Havia muito tempo que eu não admirava o sol.

Que coração não batia além de bombear sangue.

Que não via sorrisos em olhares.

E a alma fica calma.

Só em vê o outro dormi.

Eu quis me libertar e nos matei.

Eu me desesperei...

Não sei lidar com essas emoções.

É sempre, sempre a minha primeira vez.

Nunca sei o que fazer, como fazer, como agir.

Meto os pés pelas mãos e saio improvisando.

E não adianta, não é?

Dizer que será diferente.

Eu também não posso prometer nada.

Mesmo que eu quisesse dosar.

Meu espírito não me cabe.

E eu não quero lhe dar esse fardo.

Porém, nem tudo é desespero.

Ache algo que lhe cative, que valha a pena, que te faça ficar...

Transborda em mim.

Tais Medeiros.








22/06/2017

Cenas Curtas - Monólogo de Jennifer Arranca-Olho [A sanidade que eu não quero pra mim.]


Não aguento mais. É muito barulho...tudo muito, muito nessa cabeça. E parece que nada alivia, nada esvazia. Cigarros, álcool, remédios, drogas ilícitas até o que parece ser amor não satisfaz.

O sexo é o máximo de refúgio que alcanço. É nele que sinto fazer parte de algo de alguém. É nele que sinto controle pelo descontrole, sinto que posso mudar as coisas lá fora, como mudamos de posição quando algo não agrada, machuca. Sinto-me senhora do destino e não apenas mais um socando as paredes do imutável. O mundo lá fora nos parece inatingível. Ele tem mais barulho que nesta cabeça desorganizada. É muito barulho. A cabeça não descansa nem mesmo quando durmo. Estou sempre correndo em um grande campo de questionamentos e essa carcaça que insisto em chamar de corpo reflete tudo que escondo em feridas de desiquilíbrio. Porra de desiquilíbrio emocional. Ele transforma qualquer um em um grande merda.

É porrada atrás de porrada e eu não ando cabendo mais em mim. E os acontecimentos mundo a fora me rasgam creio que os seres humanos não são mais tão humanos assim... Talvez nunca foram. É um eterno escravizar em todos os campos dessa vidinha terrestre. A gente inutiliza e usa tudo para os nossos interesses, nem deus se salvou. Fazemos parte de um circo de horror onde os palhaços não possuem graça e lutam como gladiadores não mais pela sua vida, mas pelas suas razões. O mundo está cheio de gente cheia de razão com o fucinho costurado no umbigo.

Não demos certo. E o mais foda que vendo nossa história percebo que nem tentamos dar. Por favor! Cortem os pintos, costurem as bucetas ninguém mais entra apenas sai desse purgatório, terreiro de anjos caídos. Não procriem mais.

Não queremos mais seres sem brilhos nos olhos, sem poesia na alma, sem humanidade sem amor. Não queremos seres líquidos, descartáveis que não sabem ver a beleza dos dias. Gente que ovaciona politicas não públicas, se divide em classe, em gênero, gente que não se olha. Que está aqui apenas para garantir o seu e nada mais, gente que tortura. E não falo apenas daqueles que cometem crimes alegando ser justiça. Eu falo de você, falo de mim. Que torturamos uns aos outros para afirmar nossa existência. A gente não deve existir, devemos viver porra.... Eu sempre digo, sempre grito para ouvidos surdos para o silêncio e o eco vem e soca minha cara. Me chama de imprudente, sonhadora diz que nada entendo. E nos revides mais fortes me derruba com um tufão de ecos que não são meus - "vitimista, comunista, esquerdista, feminista." São tantos ISTA que não faz sentido, não dá abrigo. Nunca me chamou de humanista.

Nos enterramos na vala das conveniências. Esquecermos ideais, esquecemos os outros enterramos sonhos, nos esquecemos para ser “O Vencedor” que o neoliberalismo tanto quer. Inutilizamos tudo, criticamos tudo... Ahh! E olha você ai. O que você está fazendo nesse momento? Filha da puta...Eu estou despejando tudo que você finge não ver, tudo que bate e machuca e não some. Eu estou tentando não ficar sã, já que o conceito de sanidade dessa humanidade engessam corações. Eu não aceito que ele exista só para bombear sangue.

E eu nem sei mais porquê escrevo, porquê falo, porquê penso. Não consigo organizar os pensamentos as sensações. Vivo a escalar esse poço fundo chamado homo sapiens (homem sábio) a fim de achar sua essência, vivo arranhando muros de indiferenças.

Não é possível... Não é possível... Olha pra mim... Olha pra mim... OLHA PRA MIM. Olha pra nós. Dinossauros foram instintos por tão pouco e eles tinham a irracionalidade ao seu favor. Não seja um predador, pregador de dor. Olhe, olhe em volta, existe mais, existe mais.... Mais que dinheiro, mais que status, mais que poder, mais que seu carro, seu cargo, seu condomínio suas particularidades. Não é só uma questão de sobreviver. O mundo é grande o mundo é bom, é bom. Olhe, olhe... por favor. Olhe como gente, com à alma. E depois que você conseguir se reconhecer no espelho.... Me abrace.

Tais Medeiros.




21/06/2017

Sessão Poema - Parte LVII [Ereções poéticas. Lubrificações de amor.]


Arte: Nudegrafia


Quando você voltar.
Não me peça licença.
Beije-me a boca.
Me envolva em uma abraço forte.
Deixe nossos olhos se reconhecerem.
Depois entre...
Sem bater.
Salivo só pensar.
Molhada...
Entrego-me as minhas mãos...
                        a imaginação.
Ereções poéticas.
Lubrificações de amor.

E nesse emaranhado profano.
Desperta em mim a mais louca vadia.
Que deseja está na sua pele, nas suas veias, no seu membro
Em cima, em baixo, do lado.
Em todos os cantos, em todas as formas
Ama-me depressa.
Me enfiar em você como uma navalha na carne.
"Pernoita" em mim.
Rola comigo por esse quarto.
Eu quero tudo de uma vez.
Me bagunça a cabeça, o espírito o corpo.
Preciso de uma overdose de você.
Te comer como se fosse a ultima vez.
Com o mesmo tesão da primeira.
16 horas não nos bastam.

Tais Medeiros.



19/06/2017

Sessão Poema - Parte LVI [E diga ao cabaré que fico.]

Arte: Nudegrafia.


Já que eu não posso me dar ao luxo.

Me dou a luxúria.

Danço sobre os cacos...
                     os restos de nós.

E me embebedo de novas paixões.

Mamãe já me dizia...

"você não é todo mundo."

Por isso sufoco nos lenções...
                         juras, promessas de finais felizes.

Não gosto de finais.

Vivo de recomeços.

Sem pavor do eterno retorno.

Que voltem as noites de ópio.

As olheiras de gozo.

Os toques ilícitos.

Que escorrem líquidos do corpo a garganta a baixo.

Matem o pudor.

Guardem o amor.

Não é justo deixa -lo mendigar aqui.

Eu voltei.

Mais sedenta do que nunca.

E diga ao cabaré que fico.

E não tenho hora  para sair.

Tais Medeiros

18/06/2017

Eu sempre o decepcionei, desde que seus olhos fitaram os meus pela primeira vez. Eu sempre torta, sempre cheia, sempre perturbada e perturbadora. O corpo vibrando de tesão e de medo, questionando tudo e fugindo do nada, me protegendo da garoa e me afogando em tempestade. Eu sempre intimidando sem querer intimidar, abrindo feridas sem querer abrir, decifrando enigmas, me perdendo em pragas, devorando gente. Eu sempre de mente afoita, sempre barulho uma fraude... Sempre, sempre intensa rolando no inferno sem saber na verdade como viver. [TEXTICULO 71]

O silêncio dele falará tudo, eu não tive reação. Contive às lagrimas, nada adiantaria apelar para fragilidade feminina. Olhei ao redor e pela primeira vez tive vontade de partir, esquecer tudo que já tínhamos vivido, naquele quarto, naquela cama, nada mais fazia sentido. Então tive a consciência de que nunca fez. Era apenas engano, enganos meus, então me vi menina alimentando pássaros mortos. Lembro-me de quando o avistei pela primeira vez, foram suas fotos imponentes, paixões modernas, a gente se interessa sem ao menos olhar nos olhos, impressionante, deve ser por isso que quase todas dão MERDA. Relacionamentos líquidos e as velhas expectativas mal alimentadas. A gente se perde no querer.

As relações são assim agora, instantâneas. Goze e parta, se tiver sorte de gozar ao menos, mas sempre parta deixem marcas, deixem cacos e sinta-se vitorioso se conseguir deixar estrago. Hoje nada mais toca almas, hoje o outro não importa mais. O foco da competição desses seres líquidos não é encontrar a tal felicidade é ver quem ignora mais, quem engana mais, quem se importa menos, entenderam errado a filosofia do desapego. Tudo deve ser consumido até osso, nada de investimentos, nada deve ser poupado, muito menos sentimentos, muito menos a sanidade.

Ele disse que se importava muito, que gostava muito e era por isso que partiria por querer bem demais. E eu permaneci a olhar o horizonte, não havia o que entender, não havia o que aceitar contra fatos não existem argumentos. Existe um mundo que não pertencia a mim, existem “alguéns” que não sou eu. Ele tinha necessidade de novidade todo dia, não sabe lidar com convivência, rotina. Eu também tenho problema com a rotina, porém eu nos reinventava todos os dias e apesar de muitas vezes ele se isolar, dizer querer ficar só seu corpo pedia, sua mente maquinava sempre um novo desafio. Ele sempre precisava de uma nova conquista. Era assim que se sentia vivo, era a única forma de amor que conhecia. Cativar e depois se “sacrificar” para não magoar ninguém o velho clichê “Não é você, sou eu. ” Isso servia como uma dose de conhaque em noites frias.  

Contudo apesar das atitudes de bom moço seu interesse era ver mulheres loucas a lhe perturbar a gritar, implorando, amaldiçoando chorando querendo salva-lo. Se sentia mesmo vivo quando era acusado de ser o culpado por dores alheias e ruínas de castelos feitos de areia.

Eu sempre o decepcionei, desde que seus olhos fitaram os meus pela primeira vez. Eu sempre torta, sempre cheia, sempre perturbada e perturbadora. O corpo vibrando de tesão e de medo, questionando tudo e fugindo do nada, me protegendo da garoa e me afogando em tempestade. Eu sempre intimidando sem querer intimidar, abrindo feridas sem querer abrir, decifrando enigmas, me perdendo em pragas, devorando gente. Eu sempre de mente afoita, sempre barulho uma fraude... Sempre, sempre intensa rolando no inferno sem saber na verdade como viver.

Ele percebeu que não ia dar certo, eu ia contra tudo aquilo que lhe dava vida, pois ele precisar desorganizar seres e não organizar, ele já estava muito ocupado com sua própria bagunça. Seu empenho fugaz em me fazer implorar, culpar, mendigar não vingou. Eu partir da mesma forma que cheguei no silêncio. Essa coreografia eu já dancei. Se ele queria fazer eu viver algo que nunca vivi, devia ter me apresentado essa tal paz e esse tal amor que todos dizem me faltar.

Tais Medeiros.

Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E há muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor, se há, tentava, já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor, se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal, faço cidade


03/06/2017

Sessão Poema - Parte LV [Desculpe por querer plantar girassóis no asfalto.]

imagem de internet

Desculpe...
Se vejo beleza no grotesco.
Se vejo calma no caos.
Se amo o sagrado e o profano.
Se vejo poesia na vida.
Mesmo diante de tanto tormento.
Ainda creio em sorrisos...
Apertos de mãos, abraços.
Não somente em contratos.
                **
Desculpe se acredito em igualdade.
Que todos merecem uma parte do bolo.
Se tenho sonhos ao invés de metas.
E meus objetivos beiram a utopia.
Desculpe se insisto em falar de amor.
Em falar de essência, falar de gente.
                **
Desculpe se é apenas idealismo...
E pouco pé no chão.
Desculpe por querer plantar girassóis no asfalto.
Mas eu não aceito.
Que tudo tenha que ser consumido;
E os juros contados e comemorados.
Eu não consigo...
[Tem uma escola de samba um ponto de macumba um bloco de maracatu uma guitarra sax piano uma orquestra inteira de diversidade tocando dentro de mim.]
                **
Então não posso aceitar.
Que um nasce para rir...
E outros para chorar.
Me descul...
Não, não...
Sabe de uma coisa?
NÃO ME DESCULPE.

Tais Medeiros.










31/05/2017

Sessão Poema - Parte LIV [Do destoar ao enjoo do ser]

Arte: Thomas Saliot

As nossas diferenças gritam.
Eu que antes nada via
Percebo o quanto destoo do seu mundo.
Eu sempre destoo.
Sou novidade passageira.
Sacio a fome da imaginação.
Com a velocidade da luz.
Transbordo tanto que sobro.
E quando termino de escoar.
Seu enjoo ganha forma.
E eu não sirvo mais.
Volto a ser apenas uma foto.
Escondida a trás do que realmente importa.
Em uma moldura velha.
Não é ser segundo lugar...
       é não ter lugar nenhum.

Sempre olhares tristes para mim.
Perturbados...
Nunca vem algo que nos inflame.
Que nos alimenta.
De concreto, apenas o murro.
Que se levanta diante de nós.
Talvez eu não mereça mesmo o seu melhor.
Talvez eu não mereça nada.
um sorriso...
uma abraço...
Muito menos essa oferta cari(dosa) de carinho.
Que me reserva para alimentar seu ego.
A gente cria desculpa para não admitir...
                                         que falhamos.
Tentando ignorar que joguei para perder
E que nunca houve paixão aqui.


Tais Medeiros

20/05/2017

Eu volto, assim que a garoa passar. [TEXTICULO 70]

Eu não me incomodo com a felicidade alheia, por isso não se incomode com minha tristeza abundante. Estou garoando, se afaste. Não preciso de dedos apontados em minha direção, muito menos para me tocar, fazendo do sexo uma salvação rala. Eu o respeito, é sublime, santificado, camas são templos para mim. Eu não vulgarizo o amor como dizem por aí, eu tenho-o demais, sinto demais e não temo dividir. Eu só estou cansada, tem muita atividade nesta cabeça, preciso do meu silêncio, minha melancolia e um pouco de escuridão, às lagrimas purificam e até o diabo precisa de uns dias de solidão.

Estou em um relacionamento sério com a solidão e saiba, isso não parece ser tão ruim assim. Existe momentos que precisamos fechar as janelas, portas, corpos, dizer para o universo que morremos, deixar de olhar para fora, de olhar para outro, ainda mais quando o outro não te ver. Nesses períodos que não são de TPM são de reflexões, cuidados internos, temos que deixar os olhos nos achar dentro, dentro da gente e fazer um balanço dos lucros e perdas, separar os mortos dos feridos, ficar forte para novas aventuras, novos amores, novos sorrisos, novos sonhos e talvez ficar em paz. Depois dessa higiene mental, voltar e abrir todas as janelas, todas as portas e despir todos os corpos, dançar sobre os cacos e sorrir.

Eu vivo uma vida entre rascunhos, apesar de tudo parecer está condenado ao desaparecimento, eu sempre encontro espaço na folha de papel, uma linha a ser rabiscada. Encontro poemas, textos esquecidos nas pastas que trazem velhas ideologias, novas percepções, renova forças.

Pensamentos mudam, corpos mudam, o estado de espirito muda, as vontades mudam, contudo não existe a possibilidade de você se separar de você. Precisa aprender viver consigo mesmo, não adianta, estamos fadados a nós nem a morte nos separa.

Então, o inferno não são os outros, somos nós. Você precisa ser forte, pois vou lhe contar um segredo, muita gente não está preparada para saber, mas preciso revelar – Sabe Deus? Ele também não tem nada a ver com isso. A parte dele foi feita você está aí, a vida está aí, somos feitos de carne, pele, osso e escolhas. Somos responsáveis por tudo que nos acontece, talvez em níveis diferentes, mas não estamos livres de culpas.

Ontem eu queria morrer. Pensei que esse era o final destinado a minha tragédia e quando a garoa quase virou tempestade, abriguei-me em mim. E dentro da minha loucura encontrei uma menina de dezesseis anos geniosa e impulsiva que sempre dizia: "Se o mundo me bate ou saio e bato no mundo, cair jamais." Entende?! Me dê um tempo para me organizar. Eu ainda estou aqui, meio bagunçada com os acontecimentos, pensamentos, sentimentos, crenças e vontades, mas estou. Eu volto, assim que a garoa passar

Tais Medeiros

Eu cresci assim, menino genioso e impulsivo,
E acho que gosto desse meu jeito.
Uso as mesmas camisetas, sempre tenho mil problemas
Nunca escondo meus defeitos.
Aumenta o som que essa música me diz tanto
Que nem sei como não tem meu nome.

08/05/2017

Sessão Poema - Parte LIV [Multiplique-se em mim.]

Arte: Apollonia Saintclair

Meu bem...

Olhe para mim.

Não sou princesa... Sou rainha.

Rainha sem reino, do nada.

Porque o nada é tão grande.

Possibilita infinitas coisas.

Vamos jogar as cartas para o destino.

Quem sabe, em uma dessas mesas de jogatinas;

Aparece-me um rei de paus ou uma rainha.

Possibilidades, eu crio.

Não me importa mais vencer.

Esta guerra de corações desapegados.

Vencer na vida.

Não aceito o que querem nos empurrar.

Eternos conflitos...
             de classes, políticos, crenças e gêneros.

Eu não nasci para o trabalho...
(eu dou trabalho)

Sou peça com defeito nesse sistema que apenas reinicia.

Nunca evolui, nunca humaniza.

Nasci para ócio criativo.

Para o desfrute.

Essas competições loucas de consumismo e posse dos seres não me apetece.

Me interessa apenas a loucura.

A loucura das presenças, das histórias, da vida.

Das pessoas que nos são raras.

A loucura de beijos quentes, abraços fortes.

Das conversas conscientes e inconscientes...

dos risos...
dos cantos desafinados e das danças sem coreografia...
da companhia que se sente  até no silêncio.

Mas eu grito!!!!

Grito por todas as ruas, casas, sarjetas e corações

Grito em plenos pulmões.

Por todas vias e veias que passo.

Somos pares, mesmo diante desse mundo ímpar.

Não individualize vidas...

Multiplique-se em mim.


Tais Medeiros.

28/04/2017

Sessão Poema - Parte LIII [Não se assuste. Eu te amo baixinho

Arte: Apollonia Saintclair


Não vim aqui para ser salva.
Muito menos mendigar o que sei, que não quer me dá.
Não vim com expectativas baratas.
Vim de consciência limpa e sonhos guardados.
E com uma única vontade...
                              [amar]

Bom dormi com quem se quer...
Com quem deseja...
Com quem se ama.
Mesmo que por uma noite.
Entre tantas noites mal dormidas...
                                            vazias.

Hoje não, meu bem.
Hoje não almejo mais a sua alma...
Fragmentada em um contrato vitalício.
Quero você livre;
Quero você louco;
Quero você gozo.

Me faz gozar...
Nesse quarto;
Nesta cama;
Neste pau.
Me deixar gozar...

Afogar-me neste instante de felicidade.
Ela é feita de momentos, não eterna.
E eu quero você assim.
Nas incertezas dos dias.
O sabor é sempre novo
É sempre o primeiro dia;
A primeira transa;
O primeiro amor.
Meu primeiro pecado.

Não se assuste.
Eu te amo baixinho.
É desse jeito que nos preservo.
Eu cuido de mim;
Eu lambo minhas feridas;
Sou eu a minha cura.
“sou teimosa demais para cair.
sou devoradora de tempestades.”


Tais Medeiros









22/04/2017

Às vezes só desejo apreciar a face de quem quis ficar, mesmo diante de tantos defeitos e atitudes imprudentemente, não me "usou", viveu comigo. O sentimento "gostar de graça" falou mais alto que decepções do admirável mundo novo. Hoje eu apenas vou tomar um chá, fumar um cigarro e pensar nos que me fizeram bem, seja amores e amigos, família. Hoje meu bem, não perturbe. Estou longe demais das capitais.[TEXTICULO 69]

Sabe, ando cansada. Pensei que andava doente fisicamente, que a idade estava cobrando muitos anos de vivência “desregrada”, mas percebo que é enfermidade da alma. Não estou aqui lamentando a vida que vivi, olho para trás e gosto do que tive, olho para trás e aprendo com os percalços no caminho. Sempre descalça ando, apesar de que existem pessoas que tem a certeza que apenas vaguei. Ando descalça não para mostrar que nada me prende, que em nada me apego, caminho assim para sentir o chão, a natureza, as pessoas.Tiro toda película social que aprendemos a ter para ver do que somos feitos. Temos que ser mais que conveniências, interesses, ignorância e tristezas.

Confesso que não ando escolhendo os melhores caminhos, sempre tive problemas com escolhas, mas nunca tive problemas em assumir as veredas que percorri.

Desculpe!

Eu ando cansada...

Cansada de ofensas gratuitas, de acusações sem bases, do ignorar continuo por coisas que não entendo querendo entender, atolada em teorias de viver, presa na esperança da evolução do espirito. Cansada dos pedidos vazios e recusados, das orações não ouvidas, talvez eu não saiba rezar. Ando cansada dessa sensação ruim, desse corpo marcado e dos dedos apontados em minha direção, dessas expectativas que criam sobre meu ser, cansada de ser apenas uma carcaça, vista pelos excessos, pelas loucuras, um estigma.

Sou mais que esse desfrute, sou a poesia mais bela dos românticos clássicos que enaltece o amor, que precisa dele para viver. Sou mais que linhas que excitam e noites de confusões que tem como finalidade não o exibicionismo, mas a vontade desesperada de fixar laços. Os outros que não sabem usar, abrem a caixa e não leem a bula, não veem além dos seus “achismos” eu não sou tão forte assim. Sou feita de carne, pele, osso, órgão, sonhos, sentimentos. Feita de qualidades e defeitos, não sou feita apenas para acabar.

Talvez esse seja o problema, a efemeridade... o fugaz, o usar. Pessoas não se usam, usamos coisas, pessoas a gente sente. Sentimos no olhar, no toque, na vida. Existe lugar na maresia para mim, não apenas nas tempestades, eu sei. Existe lugar no por do sol, no sorriso frouxe de alguém pela simples presença e de se querer bem, não apenas nua, trêmula e intensa - é mais que pele são células, veias, sangue, almas.

Não são apenas trevas, consolos e perturbações, não queimo todo dia. Às vezes só desejo apreciar a face de quem quis ficar, mesmo diante de tantos defeitos e atitudes imprudentes, não me "usou", viveu comigo. O sentimento "gostar de graça" falou mais alto que decepções do admirável mundo novo. Hoje eu apenas vou tomar um chá, fumar um cigarro e pensar nos que me fizeram bem, seja amores e amigos, família. Hoje meu bem, não perturbe. Estou longe demais das capitais.

Tais Medeiros.


Suave é cidade
Pra quem gosta da cidade
Pra quem tem necessidade de se esconder
Nossa cidade é tão pequena
E tão ingênua
Estamos longe demais
Das capitais

18/04/2017

Sessão Poema - Parte LII [Estou longe... Estou em outra estação.]


Arte: Apollonia Saintclair


E essa esperança que sufoca.
E essa distância que me mantém;
Mais longe de sua vida.
Tudo colabora para partida.
As Paredes...
As Portas...
As Estações...
[A Pessoa]
Que está mais próxima que os meus sentimentos.

Não sei o que se passa em seu silêncio.
Mas as expectativas me consomem.
Estranho!
Não as vejo ao meu favor.
Meus sonhos são presságios
E percebo mesmo sem querer...
                     não existe espaço.
Estou longe...
Estou em outra estação.

Toco seu corpo, porém não alcanço sua alma.
Sua essência...
Não é só com você que às horas ficam de mal.
Eu vivo presa em minutos bons.
Que não alimentam o futuro;
Não superam passado.

Não existe mais certeza.
Apenas lhe enxergo mais distante.
Em braços que não são meus.
As portas se fecham lentamente
E eu ainda tenho a imagem de suas mãos em meu corpo.
Sua boca em meios seios
Seu gosto, seus beijos.
E eu entregue.
Sem medo, sem culpa...
Juntando migalhas na cama.

Não lhe culpo;
Sou um ser livre;
E ser livre tem um grande preço.
Vou paga-lo.

Estou fechando a porta.
Do outro lado escondo-me
Nua e intensa.
Calando desejos.
Esperando...
Que ao menos...
Isso termine bem para você.

Tais Medeiros



06/04/2017

Sessão Poema - Parte LI [Fome Antropofágica]

Arte: Frida Castelli

Histórias se escrevem juntas.
Diretas ou indiretas. 
Ninguém passa por nós sem levar algo ou deixar algo. 
Seja um sorriso, seja uma lágrima.
Tudo se acompanha. 
É um ciclo, um infinito. 
Só acontece com quem está vivo. 
E seguimos assim... 
Escrevendo parágrafos. 
Cenas... Prosas... Versos. 
Liberto de normas, 
Pronomes de tratamento. 
Sem métrica, sem acordo ortográfico. 
É a pura (des)gramática. 
Carregada de eu lírico, épico. 
Daqueles que veem poesia em tudo. 
Meu choro é arte. 
Minha doença adquirida pelas histórias de viver. 
Um vício para nós não basta... 
E tudo nos vicia;
Por que sempre temos fome insaciável. 
Uma fome voraz, uma fome antropofágica. 
Devorando carnes que contem vivências.
Apossando-se dos diversos sabores. 
Escrevendo nas paredes tudo que bate e apanha...
Do lado de dentro.
É sempre mel e o fel. 
Doces e odiosos seres humano.
Eternos personagens dessa tragicomédia. 
Hoje não, meu bem. 
Contínuo com reticências... 
Resistência. 
Ultrapasso ás vírgulas. 
Eu adio o ponto final.

Tais Medeiros.

30/03/2017

Eu costumava andar correndo, querendo transformar o futuro e sem querer eu cagava no presente, mas agora é um pé de cada vez. Não é medo, não é trauma ou descrença é só vontade, desejo que a gente dure mais. [TEXTICULO 68]

arte: Frida Castelli


Meu bem...

Você gasta energia com fatos triviais, querendo criar inutilmente uma rotina para nós quando na verdade o que nos atrai é a quebra dela. Não nascemos para o tédio, está mais que provado que gostamos de movimento e dramas, dramas demasiados. Contudo o drama é uma característica minha, eu o dominei, eu sei quando parar - Já você vai além de Shakespeare transforma desencontros em tragédias e me culpa, me acusa de manipular tudo ao meu favor, eu apenas estou caminhando sem pressa. Então, pare de reclamar da falta de tempo, dos intervalos grandes entre nossos encontros. Eu estou em um processo de restauração, entenda por favor.

Não problematize o que temos, você se tornou meu refúgio a cama e os braços que corro quando nada faz sentido, você estranhamente dá sentido as coisas, por que tudo é simples com você, tudo é prático e tem solução. Você é meu esconderijo secreto. A gente se gasta lembra? Nos desperdiçamos um no outro sem culpa, sem leis e sem protocolos a seguir, não tem roteiro é a estrada em nossa frente e a gente a se aventurar sem saber onde vamos chegar, mas vamos.

Estamos recomeçando, juntando nossos pedaços, leva tempo e eu não tenho mais pressa, quero levitar nessa calma de sensações, sentimentos. Me permitir ao nada, sem planos, sem querer fazer tudo dar certo, quero deixar a vida seguir seu fluxo natural deixar esse tal destino trabalhar em paz. Estou cansada de desespero meus e dos outros, tudo me engole e me cospe e este cuspi no chão demora secar. Não me interessa vencer, apenas tenho interesse em viver e ver onde tudo vai dar, talvez nessa caminhada a gente vire plural ou  apenas singular novamente vagando na estrada.

Por favor, meu bem. Não encha meus ouvidos de reclamações e cobranças já tem muito barulho nessa cabeça, preciso de silêncio, preciso de surpresas tudo diferente do que tive ou vivi. Quero ouvir de você em uma dessas tardes corridas e cinzas que está com saudades, receber uma mensagem inesperada que diz que fiz falta todos esses dias e que ao pensar em mim ficou de pau duro na fila do banco. Quero ouvir você dizer: “Quando você chegar não vou te soltar e está terminantemente proibido roupas em nosso abrigo, eu vou lhe beijar a boca como se fosse a primeira vez e te foder desesperadamente, loucamente, apaixonadamente. ”

Eu costumava andar correndo, querendo transformar o futuro e sem querer eu cagava no presente, mas agora é um pé de cada vez. Não é medo, não é trauma ou descrença é só vontade, desejo que a gente dure mais.

Tais Medeiros.

Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar 

25/03/2017

Sessão poema - Parte L [Não é assim?! “Bombeia sangue coração, bombeia...”]






Um garoto...

Apenas um garoto.

De coração límpido, mas a mente em torpor.

Com vontades passageiros.

Desejos intensos.

Mas depois da conquista, se desfaz.

Como o vento se desfaz das cinzas de um corpo cremado.

Apoia-se na incerteza.

Suas muletas, sua fuga.

Vive para se punir.

Eu não sei o que é verdade em você.

Engana mesmo sem querer enganar.

Engana a si mesmo...

Se ver um crápula diante do espelho.

Diz ser ruim, manipulador...

E eu?

Eu vejo apenas um garoto.

Perdido em seus devaneios.

Afogando-se no seu orgulho.

Você não vê?

Acredite...

Mesmo tortos eu te enxergo.

Meus olhos só me enganaram uma vez...
                                     e eu que permitir.

Às vezes canso de prever os fracassos.

Então jogo os dados..
                   apesar de saber que você prefere o carteado.

Estou entregando o jogo.

Não vejo verdade aqui...

Não vejo carinho, não vejo esperança.

Não sigo migalhas.

Persistir demais.

No desespero de calar a solidão que inspira.

Não tem como...

Nasci para isso.

Escrever memórias, tristezas, alegrias e ilusões.

Deixando a mente gritar e o coração bombear.

Não é assim?!

“Bombeia sangue coração, bombeia...”

Estamos mais para lá do que para cá.

Correndo na corda bamba...

Que insistimos em chamar de vida.

Tais Medeiros.









19/03/2017

Sessão [CONTÍCULOS 01] In Memoriam e outras tentativas de consolo.


[...] Navego em calmaria em meus recomeços, sempre em frente, enfrente a frente, mas a tempestade do outro me toca, me preocupa. Hoje "amores meus" sofrem e suas dores são minhas, suas lágrimas são minhas. Eu queria poder resolver tudo, tirar toda dor que sei que passou nessa vida, histórias são escritas nos choros e risos das pessoas, não em vã existência. Queria dizer que tudo vai ficar bem, contudo sou apenas um ser equilibrando-se no seu próprio desequilíbrio, às vezes perturbada e perturbadora. Minha paz não é vitalícia, isso me torna mais um ser falho que não tem muito a oferecer. Estou em uma tranquilidade momentânea ou penso que estou, porém os barulhos dentro dos outros me aterrorizam, me sinto incapaz por ter apenas três dos cincos sentidos para oferecer - eu te vejo, eu te toco, eu te escute, ofereço meu peito como escudo e meus braços como abrigo nossa vida um pacto fortalecido e selado pelos momentos bons e ruins. Este vazio que lhe preenche chega até a mim e faz um eco, saiba você, nunca estará sozinho(a). Quando a dor bater olhe para céu, mesmo nublado há de existir estrelas a brilharem iluminando o seu caminho, elas estão a guiar, vigiar nossa vereda e eu estou em terra até quando o universo permitir, percorrendo com você por estes caminhos incertos que é viver. Existe dor que doí sempre, ameniza, porem não cicatriza são ferimentos na alma, eu não sei explicar e não sei consolar, mas sei amar muito, odiar pouco e julgamentos não me cabem. Eu estou sempre aqui, para o que der e não der. Pode vim, me abraça forte, não precisa dizer nada se não quiser, apenas venha. "Meu corpo te aceita como um irmão."

Tais Medeiros.

16/03/2017

Os movimentos ficaram mais intensos, as carícias no rosto se tornaram tapas na cara, tapas na bunda e quando vi eu já estava de quatro de mãos presas para trás pedindo por mais. Não sei como adormecemos, apenas sei que acordei com ele a me acariciar lascivamente, pedindo para que eu ficasse uns dias mais. E eu só sabia pensar... Te chupo antes ou depois do café. Mais um dia que burlei a mala. [TEXTICULO 67]



Marcamos no metrô ás 21h00 horas, ele se atrasará pelo fato de está saindo do trabalho e em São Paulo caia uma garoa que parava o trânsito, novidade em SP é sempre o caos, faça chuva ou faça sol. Ele me ligou querendo saber se eu ia me atrasar também eu disse a ele que sim e que ainda estava indo para a estação de trem - eu não podia dizer a ele que já estava no local combinado há quase uma hora. Eu e essa ansiedade de querer saber o que o destino me reserva, essa atitude me faz fazer coisas e chegar a lugares muito antes da hora. Ele desligou o telefone e eu vi que não tinha outro remédio além de esperar, mesmo odiando esperar.

Sai do metrô a sorte que eu tinha comprado umas long neck quando desci no centro para pegar a linha vermelha. Tomei duas cervejas, fumei três cigarros e olhei os mendigos passar. Neste intervalo de barulho de chuva e cheiro de sarjeta comecei a pensar sobre o que eu estava fazendo. Mas um encontro às escuras e olha que eu não possuo redes sociais para encontros como o Tinder ou sei lá o que, não tenho paciência pra isso. Este rapaz apareceu no meu whatsapp com um papo de desentendido que se tornou interessante, ele estava em meus contatos a um tempo não sei como foi parar lá e para falar a verdade nem ele sabe, contudo lembro que nos falamos várias vezes até que um dia eu pensava que estava em relacionamento sério e dei uma resposta atravessada para ele – ao menos foi o que ele disse refrescando a minha memória.

- Nossa! Eu te dei um corte? Desculpe, eu deveria está bêbada e com raiva...

- É não foi um corte, corte... Você apenas disse que estava na casa do boy e para bom entendedor meio boy basta, mas não achei ruim, você estava com alguém e estava respeitando isso, difícil atitudes assim hoje em dia.


Rimos da situação, porem eu pensava - Por que depois de tanto tempo ele arriscou contato novamente? Eu em seu lugar o whatsapp dele nunca mais veria o meu online. E as noites e dias seguiram até o dia de hoje. Eu que estava ansiosa e imaginando como seria esse encontro que prometia muito, comecei a me pegar com o velho dilema.

- Hoje eu paro na vala, não pera, na mala...

Ele chegou do jeito que era nas fotos, garoto novo de uns 27 anos, alto e a voz de hippie louco como nos áudios e tinha um bigode ala Salvador Dalí, eu gostei. Caminhamos na chuva até seu apartamento que fica poucos minutos do metrô, paramos para servi um mendigo de cigarro, não dá pra deixar um ser humano na chuva sem cigarros, isso é desumano. Ao chegar ao seu apartamento estava visível que acabará de se mudar, então senti um alivio, me parece que até agora tudo que me disse é verdade.

- Cerveja?

- Claro...


Respondi quase como uma viciada em Crack quando está de frente de uma pedra. Ele bolou um cigarro de maconha, mas eu declinei não me sentia segura para fumar e demonstrar como sou idiota depois que fumo, eu não queria também perder os meus reflexos se caso eu tivesse que me defender... Que maluca eu, em uma misturar de querer ficar e querer correr. Sei muito bem que o álcool também pode causar a perca dos reflexos e é por isso que bebo, mas hoje eu sabia que não ia beber muito, não por não querer, mas por ter percebido que havia pouca cerveja na geladeira.

Papo vai papo vem muito agradável, mas às vezes eu me perdia em lembranças de outro alguém. Ele percebia quando eu desligava do assunto e sempre educado me trazia de volta para ele. Viagem, trabalho, teatro, música e por incrível que pareça em nenhum momento meu blog foi citado como em outros encontros, realmente não foi lá que ele me achou, então ele não espera muito de mim. Ufa! Ele não tem uma fantasia criada, afinal, durante esse tempo nada expus a ele, pouco falei de mim. Então ao som de Balck Alien ele e me beijou - tudo começa ou termina no beijo me com o dele fomos além.

Ele me levantou e me colocou em seu colo, sua boca não deixava meus lábios, mas suas mãos já passeavam por dentro de minha roupa tocando todo meu corpo. Ele me olhava com olhar de cio, um touro selvagem que tinha despertado. Eu não tive nem tempo de toca-lo, me jogou na cama e beijando-me começou a arrancar minha roupa, quando vi já estava nua em suas mãos, ele me chupava e tocava meu clitóris deliciosamente, dizia que meus seios eram lindos e os abocanhou eu gemia, pedia para vim, para entrar em mim, mas o filha da puta não vinha. Brincava comigo, dizia me querer submissa, quem mandava era ele, então mudei a estratégia.

- Se você não vem, eu vou...

Subi em cima dele com todo tesão que sentia e sentava naquele pau como se fosse a ultima coisa que eu faria nessa vida, ele subitamente levou a mão ao meu pescoço e começou a apertar – achei que literalmente ia ser a ultima coisa que eu faria mesmo, acho que a mala não ia rolar mais a vala sim. Ele apertava meu pescoço mais eu não saia de cima dele, era uma mistura de medo e tesão, pensei: Se é para morre vou morrer gozando.

Senti-me cansada, sem ar e cair por cima dele, ele rapidamente veio por cima de mim e me beijou docemente, acariciou meu rosto e me penetrou devagar como se estivesse me dando vida e me deu. Os movimentos ficaram mais intensos, as carícias no rosto se tornaram tapas na cara, tapas na bunda e quando vi eu já estava de quatro de mãos presas para trás pedindo por mais. Não sei como adormecemos, apenas sei que acordei com ele a me acariciar lascivamente, pedindo para que eu ficasse uns dias mais. E eu só sabia pensar... Te chupo antes ou depois do café. Mais um dia que burlei a mala.

Tais Medeiros.



Me senti uma azeitona
Triturada na sua boca
E no final foi porra pra todo lado
Urros e gritos desafinados
Mas que putaria baby
Só que eu quero tudo outra vez


13/03/2017

Sessão Poema - Parte XLIX [Muros, arames farpados e as duvidas de ser]

Pink Floyd – The Wall.
Existem tantas palavras em mim...
Tantos pensamentos e sentimentos.
Contudo não consigo liberta-los como deveria...
                                                    como poderia.
Há sempre a presença sólida da insegurança.
Barreiras que não conseguimos transpor.

Existem muros cercados com arames farpados nas relações.
E a gente tenta ultrapassar...
Corta o arame mesmo que nos rasgue;
Pulamos o muro mesmo que quebre as pernas.
A gente tenta...
Ou pensa que tenta?
Difícil mesmo é derrubar nosso muro de Berlim.
Interno, inconsciente, pesado e cinza.
Saber lidar com o “Seja você mesmo.”

Como ser você mesmo?
Quem é você mesmo?
... é muito mesmo
Talvez esse seja o problema.
Não somos os mesmos;
Não somos naturais.
Apenas nossos traços físicos, genéticos...
                                              apenas a biologia é.

E ainda tem quem tenta mudar isso.
Esquisito não?!
A única coisa que podemos dizer ser “a gente mesmo.”
Tentamos modificar;
E ás vezes inutilmente.

Mas tudo muda.
Tudo sofre influencia do meio.
TV
Internet
Cultura
Política
Discursos e...
Pessoas.

Será que o que eu penso é mesmo meu?
Será que essa realidade é mesmo minha?
Será que o que sinto é mesmo meu?
Será que eu sou eu mesma? 
Ou sou apenas mais um enganado em MATRIX?
Pensando ter controle.
Quando na verdade;
Acontece um massacre em outro plano
Uma guerra dentro de mim.

Tais Medeiros

03/03/2017

Pensei em me retirar não por desistência, mas pelo fato de sentir que explodiria. Explodiria igual aos kamikazes em terras inimigas - tudo ou nada e nesse ato de desespero eu esperava dar a paz que tanto gritávamos querer um para outro. Com tudo este ato lhe faria vitorioso na guerra e meu corpo destroçado seria o símbolo da minha rendição, minha bandeira branca fincada em seus restos, nossos restos. Eu me nego! [TEXTICULO 66]


Eu estava realmente cansada. O corpo mostrava as marcas que eu tanto tentava esconder. Marcas de ansiedade, desespero e de medo. Eu estava em batalha há muito tempo lutando para não desmoronar no campo. Campo que me devorada lentamente a cada golpe que me davam. Da forma mais cruel me desestruturavam, desfiguravam minha alma, atacavam me psicologicamente.

Agressão física com o tempo cicatriza e essas eu sei como me defender, revidar, mas quando lhe pegam de guarda baixa na hora do abate não é um tiro, não é um soco que vem e você realmente se perde na estratégia, cambaleia entre o passado e o presente, palavras e momentos e não sabe mais se equilibrar ou agir. Pensa em recuar, pensa em fugir para qualquer lugar que desconheçam sua existência, pensa em tudo menos como contra atacar.

Para ele não bastava meus olhos cheios de lágrimas, meu corpo tremulo, meu coração na mão. Não bastava o recuo engolir todos aqueles sentimentos que plantou em mim um dia... Não bastava. Ele queria ouvir o “DESISTO” sair da minha boca, queria me ver de joelhos a suplicar e praguejar sua existência, queria que eu o coroasse senhor das minhas desgraças. Não sabia ele que ando desgraçada a muito tempo.

- Ele ganhou essa batalha!

Pensei em me retirar não por desistência, mas pelo fato de sentir que explodiria. Explodiria igual aos kamikazes em terras inimigas - tudo ou nada e nesse ato de desespero eu esperava dar a paz que tanto gritávamos querer um para outro. Contudo este ato lhe faria vitorioso na guerra e meu corpo destroçado seria o símbolo da minha rendição, minha bandeira branca fincada em seus restos, nossos restos. Eu me nego!

Não sou inimigo fácil de declinar, não sou demônio de água benta meu exorcismo é digno do Vaticano de papas vivos ou mortos. De joelhos ele só me verá em nome do gozo em nome da luxúria, da perversão, do prazer, do desfrute e do amor.  Desistir? Palavra que desconheço seu significado e não me remete nada muito menos lembranças. Saiba que eu nunca desistir de nada. Mendigar?  Já mendiguei por muitas coisas, mas por que acho poético tenho fascínio por sarjetas, mendigo por querer - até a minha dor eu que escolho. Escolho quando, onde e por quem devo sofrer e quando eu devo parar não desistir por ter sido vencida  em um mero combate.

Eu cuspi o que sobrava de meus sonhos e lavei minha cara no pouco de esperança que me sobrava. Olhei nos olhos dele, ele tinha um olhar altivo, porem era um olhar triste como se dissesse: “Desculpe. Eu avisei.” Mas sua expressão foi se modificando ficando perplexo com a minha ascensão. "De onde ela tira essa força?" Dizia ele em pensamento.

Me ergui em posição de ataque por que até minha defesa é atacar e ele não vai me dizer quando tenho que desistir. Fortalecida nas coisas que acredito voltei ao nosso campo de batalha que mesmo negando chamamos de amor. 

Tais Medeiros. 

Eu quero descansar no teu peito
O cansaço dessa vida
E o peso de ter que ser alguém
Eu já não sei o que faço meu bem
Nem o que farei...
Mas se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Eu posso ser um qualquer inimigo
Mas só quero que saiba meu bem...
Esteja sempre comigo...




01/03/2017

Apresentação - Sessão [CONTÍCULOS 00] e outros pensamentos vãos.

Arte: Jan Saudek
[...] Eu sou apenas o pó das estrelas, algo efêmero. Uma passagem, uma fase... Tudo que um dia passa. Como os dias, como às horas, como os amores, a vida. Sou o amor mais doce e a dor mais crua, sou a dualidade a bipolaridade o destruir para recomeçar. Apenas um ser, vagando nas ruas estreladas do universo, um copo vazio na mesa de um bar, um corpo... Apenas um corpo no desfrute o cigarro esquecido no cinzeiro em meio de tantas outras bitucas. Eu sou o anonimato. Escritas de desesperos e o teatro de mil personagens. "Arte não ama os covardes" e acredito que muito menos a vida... Então estou salva, que de todos os males que carrego, covardia não me cabe, pulo no poço, no precipício nos braços da morte e do caos pelo que acredito. Retribuo amor mesmo quando ele não existe mais, mas isso não importa em tempos líquidos a poesia só é lida se tiver gozo. E o que resta para uma pobre diaba, marginal de alma? É esperar o nada, ser um nada e tudo sentir em silêncio de torpor. Não me procure mais, eu não sou daqui. E nada parece ser o bastante. 

Tais Medeiros.

26/02/2017

Sessão Poema - Parte XLVIII [No estreito de minhas pernas.]

Imagem de internet

Ando a fim de estreitar esse espaço entre nós.
Por um fim nesse distanciamento.
Cortar caminhos para lhe encontrar.
Transformar ruas em vielas
                            bem comprimidas.
Para nossos corpos roçarem ao passar.

Mas não passa...
Nessa travessia perturbadora do querer...
                                               do desejar.
Sua carne na minha unha.
Em suas costas rabiscar.
Minhas marcas, minha assinatura.
Escrita com cio.
Comprovando o gozo.
Lambuzando os pelos e a pele.
Desfazendo esse espaço que nos separa...
                                                      no suor.

A distancia não me contém.
Pratico amor em pensamento.
A cada ponto de ônibus, a cada estação de trem.
E é nessa hora que vejo...
O tempo colabora.
Por mais que haja demora.
A vontade nunca passa...
O tesão não ameniza.
É preciso provar mesmo que tarde...
                                        do que nunca não existe.

Todos os dias meu corpo se prepara para lhe receber.
Em uma festa fugaz.
De molhar lençóis, cantando gemidos.
É perdição, amor.
Que você vai encontrar no fim da distancia entre nós.
No estreito de minhas pernas.

Tais Medeiros.



21/02/2017

Sessão Poema - Parte XLVII [Era uma vez.]

Arte: Jan Saudek


Sobrevivo de amores passageiros.
Amores de fundo de garrafas.
Bebo as pessoas em doses fortes.
E me afogo em minhas doces ilusões.

Um dia me perguntaram...
“Você já amou alguém?”
E no vazio que nego existir...
                   achei meu dilema.
Foi amor ou apenas bebedeiras extremas?

Tudo acaba com a chegada da ressaca.
E percebo que nunca tive amor sã.
Tudo é tão intenso.
Como minhas noites no purgatório.

Sei que é efêmero.
Pois não nasci para amar.
Nasci para divertir noites.
Rir risos de torpor.
E cair sozinha nas sarjetas.
Dando doses de vida a singelos bonecos.
Que esperam inconsciente a fada azul.

E aqui estou eu, outra vez.
Vestida em minha miséria.
Tentando enlouquecer novamente.
E tudo é sempre um eterno...
“Era uma vez.”

Tais Medeiros.