19/12/2016

Sessão poema - Parte XXIX ["Vai, se você precisa ir."]

Arte: Thomas Saliot
Ali estávamos...
Sonhando um sonho.
Apenas um, pois um apenas sonhava.
Realmente, ali estávamos...
Só estávamos...
Só querendo...
Sem sentir.
Não vale a pena ir sem sentir.
Sentir é o que nos faz.
Não se instale no vazio.
Ele não é companheiro.
Não protege, não ouve, não ama
Vai...
Se encha de si para um dia transbordar em mim.
Eu estou aqui.
Novamente de nova mente.
Não aprendi a desistir.
Aprendi a esperar...
                 com paciência na minha impaciência.
Não faz mal...
Faz até bem.
Olhar de fora você.
Enxergar que os castelos construídos antecipadamente...
                                                            não foram perca de tempo.
Pouco tempo...
tempos quentes em dias de garoa fina.
Espero que se sinta...
Que se reconheça...
Se perdoe, se ame e que volte.
Antes tarde do que nunca.
Mas volte para começarmos...
Recomeços são para coisas que falharam.
Não falhamos.
Sou você em outras épocas.
Épocas de guerra, batalhas internas.
Quando me vi, lhe enxerguei.
Então vamos retornar aquele bar.
Andar na mesma calçada, onde nenhum obstáculos nos separa.
Já lhe disse: "Vai, se você precisa ir."
Mas não esqueça do amor quente...
                                 as minhas marcas ainda estão em seu corpo.
Ainda estamos aqui.

Tais Medeiros

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