29/12/2016

Sessão poema - Parte XXXI

Arte: Thomas Saliot


E na hora do desespero...

Abro as conversas antigas para me enganar.

Fico imaginando...

Será que você faz o mesmo?

Tão boba eu...

Neste comportamento de adolesce.

A nossa foto aqui, não queimou.

Ela continua no mesmo porta retrato.

Tiro a poeira para não virá passado

Pensei que seria fácil esquecer...

Como esqueci os fatos fatídicos daquela noite.

Não existe bebida que apague.

Incompetência minha...

Querer apagar fogo com álcool.

Se eu pudesse voltar...

Faria quase tudo, menos te magoar.

Mas lamentos não vão sanar as feridas.

Não vão cicatrizar essas marcas.

Que não foram feitas com amor.


Tais Medeiros.





Trago boas novas! Fiz as pazes comigo, não me culpo mais. Sentei comigo e pedir perdão por me destroçar tanto assim, me maltratar tanto, fazendo meu coração, minha cabeça apanhar do mundo e de mim. Eu continuo jogando, mas agora observo melhor minhas peças e as que possam vim a ser. Não quero mais ter razão quero ter paz. [TEXTICULO 53]

2016 foi pesado... Levou-me do céu ao inferno mais do que posso contar. Provando que 365 dias é pouco para viver ou morrer. Um ano de perdas, tanto para o mundo como para meu mundinho intransigente. Perdi amigos que pensei seriam eternos, perdi emprego, perdi relacionamentos em andamento, perdi as estribeiras... Opa! Isso eu já perdi há muito tempo, mas ponho culpa em 2016 também. Espero muito que você acabe não importa se bem ou mal, não faz diferença agora, mas saiba que te perdoo.

Não vou festejar sua chegada também 2017. Tudo que demonstro interesse, apreço dá merda, então não vou estragar você venha como quiser, não tenho grandes planos para você. A meta é continuar respirando e bebendo, não me culpar mais e aceitar esse meu problema de existir.

Não adianta acabar um e começar outro e a gente continuar sendo um idiota, tendo as mesmas ações e cometendo os mesmos erros não é? Então ao invés de dizer “Que 2017 traga...” Eu trago. Sempre fomos eu e eu mesma de copo na mão e cigarro em punho indo sempre em frente, não me enfrente parei de lutar.

Trago boas novas!

Fiz as pazes comigo, não me culpo mais. Sentei comigo e pedir perdão por me destroçar tanto assim, me maltratar tanto, fazendo meu coração, minha cabeça apanhar do mundo e de mim. Eu continuo jogando, mas agora observo melhor minhas peças e as que possam vim a ser. Não quero mais ter razão quero ter paz.

Olhando-me no espelho vi as marcas de uma vida em combustão. E tanto, tanto que às vezes sufoco - sufoco de palavras, de pensamentos e desejos. É uma entrega tão grande para tudo que parece que não existe mais tempo, tudo ou tudo, nada não existe. Abracei-me e pedi calma, ainda existe tempo estou fora da ampulheta a areia não pode me soterrar. Ali chorei e afoguei aquele antigo ser, eu renascia.

Vênus me paria, Frida me batizava e Elis me curava senti a calmaria na alma, fazia tempo que não sentia nem alma. Não preciso mais levantar muros, atacar antes, nos feri. Não, não preciso mais ter as palavras certas, mendigar atenção e ter ideias boas, viver no tornado atormentado por que é preciso ser forte, não preciso ser sempre forte. Não preciso me importa muito com as pessoas, com os seus pensamentos sobre mim, sobre nós, se importar com as coisas, afinal são apenas coisas.

O meu tanto, tanto sempre não é reconhecido. Não veem o que você deixou de bom por mais hipócrita que você agora aparenta ser, eles sempre apontam a feriada que você causou.. Eu tirei esse esqueleto, guardei no armário e descobrir... Que eu já basto.


Tais Medeiros.




Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição





28/12/2016

Sessão poema - Parte XXX [Me devolva]







Arte: Nudegrafia
Hoje acordei com raiva;
Querendo reaver tudo lhe dei.
Devolva-me!
Não fique achando que são bens materiais, não ligo para essas tralhas. 
Use com outra, enfie no cú, ponha fogo se quiser.
O que eu quero tem mais valor, tem mais sabor.
Quero meus beijos de volta...
                                    meus gozos;
                                    meu corpo, teu sabor.

Não se faça de desentendido, tem muito de mim ai...
Na sua cama, na poltrona, no seu banheiro.
Em sua mesa onde nos servimos como um grande banquete...
                                                                                 um para outro. 

Estou pela casa toda.
Se olhar direito, ainda encontrará fios dos meus cabelos espalhados pelo quarto.
Noites insanas. 
E de manhã encontrará eles presos no ralo do banheiro...
                                                       anunciando que ainda estou por aqui.

E nos cinzeiros cheios, se olhar bem entre às bitucas existe meus lábios vermelhos.
Existe mais de mim em você do que você pode aguentar.
Então, por favor... Me devolva.

Tais Medeiros.

27/12/2016

- Era tudo isso que eu queria ter dito naquela noite, mas me calei covardemente, não por ser covarde, mas por tentar ser menos corajosa. Apenas garanto uma coisa, o sabor de jogar esse jogo de viver apostando todas as fichas e dobrando as apostas é mais satisfatório que esse gosto do fracasso amargando na boca, o fracasso de não ter tentado nem quebrar a cara. Trepamos como se fosse a primeira noite entreguei as armas e me tive como vencida. Chupei aquele pau pela ultima vez e abracei aquele corpo como se ele estivesse morrendo e estava mesmo, ao menos para mim... Depois disso nunca mais o vi. [TEXTICULO 52]


Jennifer acordou, esfregou os olhos estava cansada de novo, sempre cansada e a única coisa que Jennifer fazia na vida era pensar. Procurou na banqueta em meio aos livros e cinzeiro um cigarro ao menos podia fumar naquele lugar. Até que a clínica não era tão ruim. Era como um bar, muito gente insegura, maluca, fugitivas fingindo serem especiais, apenas faltava à dama da noite... O álcool. Acendeu o cigarro e caminhou até o banheiro, entre a mijada matinal e um trago Jennifer se lembrava dele...

- Faz tanto tempo, para pouco tempo.

O cara em questão era um homem que conhecerá em bar em um dia frio, nesses dias que parece que o inferno congelou e só a cachaça é capaz de aquecer o corpo, o coração e a vida. Já nas primeiras conversas ele fez Jennifer se sentir bem o achava seguro, pensou que tinha encontrado um porto para descansar. Sentia prematuramente que podia ser a maluca que fosse ele sempre tinha a palavra, o colo e o beijo certo para horas incertas.

- Mais uma história de decepção... Às pessoas nunca aprendem, ficam construindo castelos, arranha-céus sem ao menos serem engenheiros ou mestre de obra. Projetamos tantas coisas no outro, até eu calejada e desapegada me vi criando um sanatório seguro ao lado dele para enlouquecer juntos. Esse treco de amor vai acabar matando um. Somos um saco de fragilidade e nos achamos tão fortes, não conseguimos lidar com nossa própria existência e temos a petulância de querer lidar com a do outro. Aqueles dias foram mágicos, únicos mereciam mais tempo, mas foi... Passou, como tudo que é bom e dura pouco. Lembro como se fosse agora... Ele me olhava com aqueles olhos de adeus, eu sabia, só não sabia quando seria e  foi.

“Não quero te magoar. E não consigo me fazer feliz, quem dirá fazer você feliz. Minha vida é complicada e eu não sei o quero.”

- Que estupidez... Que jeito estranho de não querer magoar, magoando. Parece bonito, parece que se importa, mas na verdade só importava ele e a sua segurança de não se envolver mais. Eu podia ter implorado, eu podia ter chorado rolado no chão podia ter sequestrado e escondido ele no meu porão – se eu tivesse um porão - mantido ele em cativeiro até ele entender que merecíamos aquela chance. Eu podia ter feito tantas coisas, mas calei me controlei ruminei toda intensidade o desequilíbrio minha passionalidade e engoli. Que vida não! Durante muito tempo o que me fazia mal era não engolir nada calada, explodia, dava na cara e manda se foder certa ou errada e agora? Faz-me mal calar, calar demais, tão fraca que apelei para uma frase de música da Legião Urbana -“Vá, se você precisa ir” baixando a guarda de vez, mostrando o ser frágil e imbecil que sou.

Sabe o que eu queria mesmo? Eu queria era destroçar ele, bater na sua cara, depois beijar sua boca com tanto desespero e tesão encravaria minhas unhas em suas costas fazendo sangrar. Assim ele ia ver que ele também sangra também chora, depois eu o amaria doce em uma trepada tão real quanto a minha dor que de nós apenas sobraria os lençóis encharcados de sangue e suor. Queria dizer que eu seria capaz de perdoar todas as merdas que ele fizesse na vida, mas não poderia perdoar aquela, não por que ele estava me deixando, não era o primeiro, porem não podia perdoar aquela covardia por que era isso que era... A covardia de um homem com medo de tentar, eu sentia o cheiro do medo 
da mesma forma que sentia o cheiro do cio.

Eu aceito pessoas idiotas, pessoas medíocres, egoístas, humanitárias, narcisistas, vegetarianas, caretas, aceito a porra toda, até os corintianos, mas nunca, jamais aceitaria uma pessoa covarde. Foi naquela noite quente ao redor da mesa que já não cabia mais garrafas, cinzeiros, cigarros, cocaína e solidão que vi... Ele estava acovardado demais para tentar mudar ou piorar sua vida. Vi seus olhos lacrimejarem e de sua boca saíram às palavras que eu mais gostava de ouvir, ele gostava de mim, disse com a face rubra enchendo-me de calma para no fim fechar com a dúvida e o medo de tentar. 

“Tudo que toco, eu estrago...”

- FODA-SE! Não tem mais o que estragar em Jennifer aceite, você é o problema. Medo todos nós sentimos não é um sentimento ruim foi ele que me manteve longe dos trilhos do metro até hoje. Porem deixar para trás o que se gostar, o que se quer por covardia de sentir os sabores e dissabores, isso meu caro é imperdoável.

Jennifer sentiu calor, lavou o rosto no lavatório e organizando seus pensamentos encarou-se no espelho e proferiu as palavras como um condenado que confessa um crime que não cometeu, mas queria ter cometido.

- Era tudo isso que eu queria ter dito naquela noite, mas me calei covardemente, não por ser covarde, mas por tentar ser menos corajosa. Apenas garanto uma coisa, o sabor de jogar esse jogo de viver apostando todas as fichas e dobrando as apostas é mais satisfatório que esse gosto do fracasso amargando na boca, o fracasso de não ter tentado nem quebrar a cara. Trepamos como se fosse a primeira noite entreguei as armas e me tive como vencida. Chupei aquele pau pela ultima vez e abracei aquele corpo como se ele estivesse morrendo e estava mesmo, ao menos para mim... Depois disso nunca mais o vi. 

Tais Medeiros.




O teu jeito não me abala
Não me sinto bem no teu jogo
Vou voar mais alto que as nuvens
Entender de vez esse meu vazio
Te encontrar prá não ser sozinho...

Tudo é sempre a mesma coisa
O mesmo jeito, toda vez
Tudo é muito relativo
E a distância, já nos fez
Somos serra e litoral
Nosso final, é simples
Tchau!...

19/12/2016

Sessão poema - Parte XXIX ["Vai, se você precisa ir."]

Arte: Thomas Saliot
Ali estávamos...
Sonhando um sonho.
Apenas um, pois um apenas sonhava.
Realmente, ali estávamos...
Só estávamos...
Só querendo...
Sem sentir.
Não vale a pena ir sem sentir.
Sentir é o que nos faz.
Não se instale no vazio.
Ele não é companheiro.
Não protege, não ouve, não ama
Vai...
Se encha de si para um dia transbordar em mim.
Eu estou aqui.
Novamente de nova mente.
Não aprendi a desistir.
Aprendi a esperar...
                 com paciência na minha impaciência.
Não faz mal...
Faz até bem.
Olhar de fora você.
Enxergar que os castelos construídos antecipadamente...
                                                            não foram perca de tempo.
Pouco tempo...
tempos quentes em dias de garoa fina.
Espero que se sinta...
Que se reconheça...
Se perdoe, se ame e que volte.
Antes tarde do que nunca.
Mas volte para começarmos...
Recomeços são para coisas que falharam.
Não falhamos.
Sou você em outras épocas.
Épocas de guerra, batalhas internas.
Quando me vi, lhe enxerguei.
Então vamos retornar aquele bar.
Andar na mesma calçada, onde nenhum obstáculos nos separa.
Já lhe disse: "Vai, se você precisa ir."
Mas não esqueça do amor quente...
                                 as minhas marcas ainda estão em seu corpo.
Ainda estamos aqui.

Tais Medeiros

12/12/2016

Sou mais que esses copos, essas garrafas e cinzeiros. Sou mais que esse sexo embriagado, desesperado e esquecido. Sou mais que essa brasa do seu cigarro que queima e morre. Eu queimo e renasço todo dia, toda hora, neste momento, amor, eu queimo. [TEXTICULO 51]

Você não me conhece...
Não sabe quem sou isso não é um problema. Problema é que, você não tem o mínimo interesse em saber.
Pensa que tudo que vem de mim se remete a carne, que tudo que sinto se remete a sexo, a loucura dos poetas boêmios ou pessimistas.
Sou um romântico de carteira assinada e coração remendado. Dom Quixote que vê nos moinhos da vida, gigantes e não se acovarda diante deles. Luta contra eles motivado por amor mesmo diante de tanta indiferença.

Mas meu caro...
Quero lhe confessar... Enlouqueço com espíritos livres, apaixonados, que não temem a entrega de conhecer o desconhecido. Deslumbra-me almas que se completam para transbordarem juntas. Sabe? Eu me apaixono todo dia, por sorrisos sinceros, abraços quentes por reciprocidade.
Aprecio companhias, conversas longas que começam em um simples observar o tempo e termina em histórias que ensinam, sempre temos algo para ensinar e aprender.

Gosto do gostar de graça e desejos únicos, planejar futuro ou não planejar nada, apenas viver. Amo o silêncio dos olhares que falam. Infelizmente o seu não me diz mais nada. Triste! Então pouco tempo já sinto o vazio do descaso, o vazio de almas. De nada me vale uma cama quente e dias gélidos, sendo que uma mensagem antes, já os acalentava. Não é necessário jurar amor, fidelidade, mas é necessário estar, querer ser inteiro não metade. Lealdade vale mais que juras de amor barato, vontade vale mais. 

Vontade de estar ao meu lado, dormi abraçados cuidando um do outro, mesmo quando a gente acorda sentindo que não é uma boa companhia para ninguém. Não quero estar presente apenas no verão, no carnaval, estar presente somente quando os dias forem farras e belos. Quero seus invernos também, quando há escuridão teima em ficar. Quero está com os ouvidos atentos e os braços abertos.

Não, você não me conhece...
Sou mais que esses copos, essas garrafas e cinzeiros. Sou mais que esse sexo embriagado, desesperado e esquecido. Sou mais que essa brasa do seu cigarro que queima e morre. Eu queimo e renasço todo dia, toda hora, neste momento, amor, eu queimo. Queimo para não deixar às coisas se repetirem e renasço para ser melhor que ontem.
Você não me conhece e talvez não deva mesmo.

Tais Medeiros

Vai, se você precisa ir
Não quero mais brigar esta noite
Nossas acusações infantis
E palavras mordazes que machucam tanto
Não vão levar a nada, como sempre
Vai, clareia um pouco a cabeça
Já que você não quer conversar.
Já brigamos tanto
Mas não vale a pena
Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV
Sei que existe alguma coisa incomodando você
Meu amor, cuidado na estrada
E quando você voltar
Tranque o portão
Feche as janelas
Apague a luz
e saiba que te amo...

10/12/2016

Ainda lembro [TEXTICULO 50]

Eu ainda lembro o que me atraiu em você. Sua conversa boa, seu jeito tímido, seu medo de gaguejar na fala, seu carinho. Sua poesia sem querer nas conversas do inbox e seus olhos.

A primeira vez que eles pousaram em mim, tiraram todo peso das minhas costas. Um olhar transparente que não conseguia esconder à ansiedade do encontro. Atraiu-me até sua bagunça, quando cruzei a porta da sua casa, a porta da sua vida. A vida é um bagunça? Não sei, mas não me preocupo agora e muito menos depois.

Gosto dos seus picos de loucuras, de quando você até ébrio fica com vergonha de dizer que talvez esteja gostando de mim. Gosto como você sonha, planeja, me fez planejar também os meus próximos anos. Não é poesia o que faço, eu não vejo beleza em tudo e sei que não somos a perfeição, porem quem precisar ser? Gosto e gosto de graça.

Gosto de como me toca, gosto do simples pegar nas mãos e de como me olha... Como se eu fosse mesmo importante. Gosto até das piadas que você insiste em estragar, da sua coleção de vinil, da caixinha das coisas de bolso, gosto até das dores que carrega.

Não precisa ser boa companhia sempre, mas precisa ser sempre você. Se um dia tiver vontade de mudar, mude, apenas vai agregar mais valor, mais coisas para eu gostar em você. Eu costumava acordar garoando por dentro e me parece que essa garoa estiou.

Não se preocupe amor. Não é obrigação sua cuidar de mim ou me fazer feliz. Essa luta  nós que temos que lutar. Eu só queria que você soubesse, que ainda me lembro...

Tais Medeiros.

Ainda lembro o que passou
eu você em qualquer lugar
dizendo "onde você for eu vou"
e quando eu perguntei
ouvi você dizer
que eu era tudo o que você sempre quis
mesmo triste eu estava feliz
e acabei acreditando em ilusões
eu nem pensava em ter
que esquecer você

08/12/2016

Sessão poema - Parte XXVIII [Das culpas que cansam]

Arte: Thomas Saliot


Não venha cagar regras para mim.

Melhor, não cague regras, para ninguém.

Aprendi que muitas coisas são ditas.

(Mal)ditas ...

E quando algo dá errado...

A culpa é da boca que fala.

Nunca do ouvido que ouve...

Deturpado.

Mas a gente colhe o que planta, não é?

Colheremos!

Descobri cedo...

Conselhos foram feitos para não serem seguidos.

Esqueça os meus...

Não me peça opinião, ponto de vista.

Até mesmo por que, sou estrábica.

Vejo tudo com olhos semi tortos.

Sento em meu silêncio.

Ciente que nada sei.

E que nada vou saber.

Todo dia mudo...

Não me leve a mal.

Me leve ao bar.



Tais Medeiros

07/12/2016

- Meu útero é um berço e não um cemitério. - Seu útero é um órgão. Não é um berço, não é um cemitério. Única coisa real nesta frase ai é que ele é seu... Não é do homem, não é meu não é do estado, não é do embrião. Às escolhas são suas. [TEXTICULO 49]



- A “vagabunda” abre as pernas para todo mundo e depois quer que legalize o aborto.

- Como?...

- Essas “piranhas” que defendem assassinato de inocente. Eu sou a favor da vida...

- É a favor da vida? Mesmo com o percentual alto de mulheres mortas por aborto ilegal?

- Deus castigou... Teve o que mereciam.

- Só “vagabunda” aborta?

- Sim. Mulheres sem coração.

- E quais são as estatísticas?

- Oxe! Às minhas...

- Hummm!!! E você sabia que as mulheres casadas também abortam?

- Elas devem ter os seus motivos...

- Verdade... Acredito que todas tenham... A gente que coloca nosso “achismo” na frente de tudo. Disseram que o aborto é para “vagabundas” e que mulheres nasceram para ser do lar, têm pessoas que acreditam piamente nisso. No tempo das sufragistas as “vagabundas” eram elas, que lutavam por melhores condições de trabalho e salário. Lutavam pelo direito de ir e vim, pelo direito a educação e o direito de escolha. Lutaram até para ter de volta o direito materno que já era da mulher desde os primórdios e foi usurpado pelo patriarcado.

- Você já abortou néh?! Você defende tanto, posta tanta coisa sobre...

- Eu si quer engravidei um dia. Olha ai o “achismo” de novo.

- Não é “achismo” é assassinato.

- Essa possível lei têm critérios. Não é “PODE DÁ GERAL QUE NA QUITANDA MAIS PRÓXIMA DE SUA CASA TEM UM POSTO DE ABORTO DELIVERY”. Não é assim. Médicos foram consultados, biólogos foram consultados, levantamentos foram feitos é um caso de saúde.
Até os três meses são considerados embriões, existem profissionais que consideram que a vida nasce partir  das atividades neurológicas, ou seja, cerebrais, quando o sistema nervoso começa a reagir. E existem biólogos que defendem que a vida só está formada depois que os pulmões desenvolvem, pois pode possibilitar que o individuo viva fora do útero.

- Pra mim é assassinato sim.

- Tudo bem. Mas leis não são criadas em cima de “PRA MIM”. Foi criada uma lei com embasamento biológico, embasamento no direito da mulher sobre o próprio corpo. Uma mulher pode querer interromper uma gravidez por diversos motivos não por ser apenas uma “vagabunda”. É necessário lhe assegurar o direto de escolha. A mulher tem o direito de decidir se quer opera ou não depois que têm o terceiro filho, por que não pode decidir se quer ter o filho até os três meses?

- Meu útero é um berço e não um cemitério.

- Seu útero é um órgão. Não é um berço, não é um cemitério. Única coisa real nesta frase ai é que ele é seu... Não é do homem, não é meu não é do estado, não é do embrião. Às escolhas são suas.

- Ahhh!!!! Hoje engravida quem quer...

- Levando em consideração que os anticoncepcionais têm 5% de falha isso inclui a pílula do dia seguinte, alguém ai pode engravidar se cuidando. E não vou entrar na questão de como a indústria é cruel com a gente. Põem a culpa da gravidez nas mulheres que não usam contraceptivos, mas esquecem de que a maioria deles tem contra indicações fortes. Estamos em uma sociedade que o homem é a prioridade tanto que não liberam um anticoncepcional para eles por causa de contra indicações fortes, mas a gente pode tomar até desenvolver uma trombose.

- Você é muito radical, chega até ser desumana a favor desse assassinato.

- Sou a favor ao direito da mulher, direito de escolha em todos os campos da vida. Sou a favor de um estado laico, de direitos iguais, direito a saúde e respeito pelo todo. Legalizando o aborto, pratica quem quer, não será obrigado. Às pessoas vão muito por mitos e pouco pelos fatos. Sempre que falam em aborto vem com essa de “vagabunda” “assassinato” “abriu as pernas por que quis” “Deus castiga”. Ninguém impõe uma castração as mulheres que têm muitos filhos. Se querem consideram os embriões como seres humanos, as pesquisas de células-tronco para curar outras doenças deviam ser proibidas. Pensando dessa forma. Será que devemos considerar também os espermas que escorrem pelo ralo do banheiro em punheta matinal como uma possível vida? Eles também tinham chances de ser uma ou duas, não é?

- Mas Deus condena... Se ocorrer uma gravidez é por que a criança pediu para nascer. E diante da religião a partir da fecundação já existe um ser humano, uma vida.

- A questão é que existe um debate muito grande sobre onde começa a vida de um ser. Cada um tem sua teoria, cabe à pessoa se informar e decidir se interromper ou não a gravidez, mas ela deve ter esse direito de escolha.

- Não adianta... “Mulher que quer abortar é vagabunda, tem que fechar ás pernas”...

- É! Tem razão... Penso que seria a salvação da civilização se o estado transforma-se todo mundo em Eunucos.


- Eu... O que?

- Eunuco e quando o homem é cadastrado, mas no caso castraríamos todo mundo. Todos sem direito ao prazer. Acredito que é o prazer o mal do ser humano. Por prazer a gente transa, deseja ter dinheiro para alimentar o prazer, t
em gente que escraviza, humilha, agride por prazer. Se não existir mais prazer para ninguém estarão todos no mesmo barco. Arrisco em dizer que chegaremos à união a elevação espiritual... Quem sabe a paz mundial.

- Eu hém! Radical demais... E o direito ao prazer? Você não é aquela que defende direitos e blá blá blá.

- Direitos são criados para regrar uma sociedade fazendo nos acreditar que somos iguais. Então, já nasceríamos iguais, ficaríamos iguais. Seriamos castrados desde pequenos, apenas trabalhar para ter o necessário, pois não teríamos prazer pelas coisas, seriamos consideramos como os Eunucos eram considerados na antiguidade “inúteis” uma nação de inútil se é que já não somos. 

Tais Medeiros

Três crianças sem dinheiro e sem moral

Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou