18/11/2016

Sessão poema - Parte XXVI [Coma-me... hoje, amanhã e depois de amanhã. Até me virar do avesso. Até curar esse desejo... se tiver curar.]

Arte: Thomas Saliot


Meu estado é sempre líquido.

Úmido de desejo.

Escorre pela vagina, imagine...

                                              e deságua no seu pau.

Um riacho que se torna lago.

Água doce...

É o sabor que sinto em lamber o suor que te escapa.

Nossos gemidos são música para meus ouvidos.

E os espasmos do gozo se tornam minha dança.

Entre roçar do clitóris em seus pelos.

Fiz-me mulher em sua cama.

Proclamei-me puta em sua boca.

Sua puta, sua santa.

Eternizando nossas histórias no corpo.

Só quem ama decifra às marcas.

Mordidas quentes, cortes intensos.

Minhas unhas encravadas em sua pele.

Seus dentes em mim.

Cada marca é amor...

                              amor obsceno.

Alimenta a carne e tranquiliza o ser.

Coma-me...

               hoje, amanhã e depois de amanhã.

Até me virar do avesso.

Até curar esse desejo...

                                  se tiver curar.

Particularmente, meu bem, eu morria disso.

De meter, sem temer eternamente.

Tais Medeiros.


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