24/10/2016

Sessão poema - Parte XXIII [Abdução]

Arte: Jean François Painchaud


Eu fui abduzida!
E o Extraterrestre...
Tinha corpo quente e boca satânica.
Digo que foi abdução...
Só pelo gosto que ficou.
                                        [de pertencer, de querer.]

E ao voltar, sentir saudades.
Se fosse uma possessão demoníaca, esse gosto não existiria.
Nada existiria.

Muito menos o desejo de reencontrar.
Foi transcendental.
Tenho vontade de mudar meu nome para Vênus;
Para ver se Marte me invade.
Naquela selvagem luta por poder.
Quem enlouquece mais.
Hoje não consigo me indignar com nada.
Não tenho orbita, não tenho ideias, não possuo nada...

Sem política burguesa, golpes, proletários, seres humanos...
Nada!
Sem bandeira, sem passado.
Apenas um pensamento...
Como construir um disco voador?
E sair transando pelas estrelas, a fim de te encontrar.


Tais Medeiros

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