22/10/2016

Cenas Curtas: O amor! E outras cicatrizes.



A primavera encontra descanso para perpetuar sua esperança...

Julieta - Princesa eu sou, em minha torre há contemplar os dias. Absorta nos pensamento que me levam a você. Um olhar me cora e um toque me estremece o estômago com borboletas a voar. Apenas um oi e eu já não caibo mais em mim. Sou Julieta amando a ti Romeu, só de ouvir sua voz sei que é amor... Amor inocente, todo amor tem algo de inocente, daquela coisa de criança que se surpreende com tudo e acreditam nos “felizes para sempre.”

Pierrot – Sou Pierrot tristonho, o amor não foi leal comigo. Duas faces da mesma moeda. Ela almeja Arlequim e eu a ela. Então nessa dor escabrosa que é o amor nos fazemos sofredores, vitima do coração.

Julieta – Romeu me corresponde, mesmo com os percalços no caminho, me completa e diz que morrerá comigo, por que o amor é isso, uni é único límpido.

Pierrot – O amor de Arlequim é carne, talvez Romeu não seja diferente, tudo deve ser consumido da carne ao osso. Já dizia minha Colombina...

Voz em OFF – “Um beijo de Arlequim e um sonho de Pierrot”

Julieta – Nossas histórias não são as mesmas. Cada um vive sua história, cada um tem seu destino.

Pierrot – Sim, mas no amor tudo é efêmero, acaba. O meu não começou e já morreu... E, o seu irá morrer, pois se viver irá se acabar.

Romeu – Amor.

Arlequim/Colombina – Atração, apetite, desejo, libido.

Julieta/Pierrot – Afeição, compaixão, misericórdia, conquista, satisfação.

Arlequim/Colombina – Fogo que nos preenche torna nossas almas pecadoras. Se for pecado amar até carne, prefiro arder no fogo do inferno que é dentro de ti. O amor se valida nas entranhas, nas orgias de pensamentos.

Pierrot – No inicio tudo é poesia, flores, magia, escravizam as pessoas. Depois vêm os dias, a convivência, monotonia, divergência, omissão. As qualidades de outrora desaparecem e com isso seu complexo de Cinderela. Princesas são felizes para sempre, por que nunca contam o que vem depois dos felizes para sempre.

Romeu – Ciúmes, insegurança, medo, acusação...

Julieta – Você disse que morria comigo, você disse...

Romeu – Mudei de ideia. As pessoas mudam de ideia.

Julieta – Mas nós, não! Nós temos que morrer, só assim ficaremos juntos.

Romeu – Não há mais amor, os planos mudaram aceite! Pessoas não possuem pessoas.

Colombina – Não se pode dar aos outros a responsabilidade de te amar.

Romeu/Arlquim/Pierrot – Ama-te Julieta, Ama-te...

(Monólogo - Recortes do original)


“Eu te odeio! É isso o que sinto! Ódio! Como pôde me abandonar assim? Tu és o mais egoísta dos homens. Ah, como fui tola em ter me apaixonado por ti! Mas como iria saber? Como poderia prever o fim? Talvez eu não quisesse me matar. Talvez eu quisesse outra felicidade que não fosse o hálito do teu veneno, Romeu. Talvez eu quisesse nunca ter te conhecido. Mas ainda posso! Posso mudar minha vida e percorrer outros lugares e sentir novos amores! Posso! Posso estudar, posso planejar futuros, posso mapear outras vias, posso me extraviar em festas, posso me embebedar! E eu irei em paz. Não, Romeu! Afasta-te de mim! Quero me libertar! Nosso amor não foi nada mais que um tempo, efêmeros e tolos acreditamos ter sido eterno, tolos acreditamos que seria para sempre. O que restará de nós será apenas nome, e ainda, separados como se nunca estivéssemos juntos.”

Tais Medeiros.

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