19/10/2016

Beijei sua boca, um beijo longo daqueles que as línguas transam antes dos corpos. Olhei nos seus olhos embriagados por uma garrafa de tequila, quatro doses de pinga e uma caixa de cerveja, entre a fumaça dos nossos cigarros eu disse. - Eu treparia com você pela vida inteira. [TEXTICULO 45]

Entre garrafas e cinzeiros ele me pediu uma declaração. Não sei se era de amor, ele já tinha me dito umas palavras bonitas antes, as quais confesso nunca ter ouvido sair da boca de um homem sem interesse. É... Ele não tem interesse, pois tem tudo que quer de mim.

Jogo as armas na mesa e as mascaras no chão. Quando nos encontramos é uma coisa sem explicação, não consigo raciocinar sobre isso. Apenas não tenho vontade de guerrear. Não me sinto só quando somos nós dois e eu sempre sinto solidão a dois. 

O mundo não é um problema para nós, quando nos trancamos no quarto por três dias sem relógio, sem celular ou computador, apenas nós e nos basta.

 - Tranca a porta amor, feche a janela e avisa ao mundo que morremos. 

Confesso que ainda não sei lidar muito bem com isso. São anos dando socos nas paredes, não posso chamar isso de amor, não que não seja ou porque limita... Sei lá! Talvez deva ser o significado que dei a ele...

– O amor dói, maltrata e sempre se perde.

 Melhor não dar nome a isso, viver é o mais correto, afinal tudo é lindo no começo, não para mim. Sempre começo errado, conturbado só durou alguns por que sou teimosa, carne de pescoço, gosto de torturar ambos até o osso emergir. 

Ele é um boêmio romântico. Como ele mesmo diz, um utópico, diz que me sufoca. Ele não sabe que eu já sufoquei antes e o que ele faz não chega perto do sufoco, não chega perto do abuso ou desespero. Diz que eu o deixaria porque cuida demais. Porque me cobre à noite com zelo e me traz café da manhã na cama. Eu dou risada das suas confissões ébrias e penso: Está apenas bêbado. 

Foi em um desses dias de folga da carcaça e do mundo, que ele me fez essa cobrança. Não sei se esse é nome o certo, podia ser apenas um pedido também, ele nunca me pediu nada. Sempre me deixou livre para ir e vir quando quisesse. Embriaga-se de saudade até eu voltar e arranca a minha roupa em minha volta, sem qualquer pergunta. Então, por que não dizer a ele juras de amor? ... Já disse por tão menos. 

Beijei sua boca, um beijo longo daqueles que as línguas transam antes dos corpos. Olhei nos seus olhos embriagados por uma garrafa de tequila, quatro doses de pinga e uma caixa de cerveja, entre a fumaça dos nossos cigarros eu disse. 

- Eu treparia com você pela vida inteira. 

Ele me olhou com um olhar assustado, apreensivo. Pensei por um momento que não era aquilo que ele queria ouvir. Acho que exagerei na declaração, no tempo, a vida inteira é muita vida. Pensei em dar uma risada a la Paola Bracho e por culpa no álcool, por dizer aquilo. Ele foi mais rápido na ação. 

Subitamente enfiou a mãos entre minhas pernas, me acariciou lascivamente, beijou meus seios, subiu pelo meu pescoço e após lubrificar meu ouvido, gozou as seguintes palavras nele. 

- Então fode comigo a vida inteira. 

Ah! Que merda, é amor?

Tais Medeiros


Vamos ter um filho
Vamos escolher o nome dele
Deixa eu te alegrar quando você estiver triste
Deixa eu te ninar quando você estiver cansada
Vamos aceitar tudo o que é do outro
Vamos defender tudo o que é do outro
Vamos amar tudo o que é do outro
Vamos foder o dia inteiro...

2 comentários:

Alexandre Durden disse...

Mais um belo texto! melhor declaração de amor! haha

Choconhaque disse...

Hahahaha! Obrigada ^^