30/09/2016

Me apaixonei. Não me julgue! Eu me apaixono por palavras... Fazer o que? Demoro, mas atiro no escuro mesmo, atrás de versos, almas e corpos. Não sei nadar, mas se tiver que tentar eu pulo no fundo, os rasos não me apetecem. [TEXTICULO 43]

- Sou apaixonado pela sua mente... 

Pela primeira vez nessa indústria vital me acontecia isso, alguém apaixonado pelos meus defeitos. Porque se está apaixonado pela minha mente, está na cara que o boy é chegado a um problema. 
Mas claro que não disse isso a ele, não estava a fim de pôr ele para correr, como fiz com alguns que aparecem somente querendo descolar uma transa, nada contra, mas não estava afim. 

Este era diferente, não que seja a perfeição, até porque somos seres humanos. Mas ele não me cobria de xavecos baratos com segundas intenções, apenas me via por dentro. As conversas duravam horas, conversas simples sem compromisso de causar boa impressão, falávamos sobre a vida, textos, bebedeiras e eu sempre queria mais, tinha sede de saber quem era este ser. Eu fazia perguntas demasiadamente, ele respondia a todas sem nenhuma objeção. Não era de fazer perguntas sobre mim, o que eu até agradeço. Para que diabos eu vou querer falar de coisas que não me interessam. 

Interessa-me saber dele, saber se ele era real ou produto da minha imaginação, criado em um ataque de Narcisismo. Só podia ter sido eu, para criar alguém apaixonado pela minha mente, quando até eu corro dela ás vezes. Precisava achar alguém que justificasse a existência dela, minhas perturbações. 

Ele também escrevia. Apesar de não se considerar um bom escritor, a gente nunca se considera mesmo, mas ele era. Um escritor tímido que escrevia somente embriagado para exorcizar seus demônios, típico de um personagem da minha cabeça. Os poucos textos que me deixou ler falavam da cegueira humana, conto erótico e desilusão amorosa. Me apaixonei. 

Não me julgue! Eu me apaixono por palavras... Fazer o que? Demoro, mas atiro no escuro mesmo, atrás de versos, almas e corpos. Não sei nadar, mas se tiver que tentar eu pulo no fundo, os rasos não me apetecem. Quando o assunto era amor sentia a amargura de ambos. Aparentemente somos desgraçados na área, só que não desistentes. 

Em muitas vezes, ele me deixou sem palavras. Então foi aí que comecei a ver que era real. Se fosse esquizofrenia minha eu saberia sempre o que responder, é o que acontece com meus diálogos sozinhos. Crio diálogos com quase o mundo todo, só para dizer o que penso, depois um gole e um trago e vou dormi.

- Já tentei muito com uma mulher, mas acabou. Excesso de cuidados dizia ela. Meu amor sufoca. 

- A gente só sufoca no amor quando rola uma insegurança do sentimento do outro. Então a gente tenta amar por dois. Eu sei! Já cometi esse crime, sabe? Não podemos mais aceitar esse clichê que no amor um sempre ama mais que o outro. ME RECUSO! As pessoas podem amar de jeitos diferentes, mas nunca mais ou menos. São duas pessoas, tem que haver um equilíbrio. 

- Nunca havia pensado por esse lado. Mas cuidado que eu posso te sufocar com meu amor. Não amo pouco e não sei controlar. E se caso eu soubesse, eu não controlaria. Particularmente, eu morreria disso. 

Senti um arrepio pelo corpo, não era um arrepio de medo, medo de estar me envolvendo com um maluco passional. Foi um arrepio poético. Quando a palavra do outro soa como um poema marginal e enche sua alma, molha sua calcinha e põem em transe sua mente. Era como se estivesse lendo Leminski pra mim. Eu e o vício de ver poesia em tudo. Um dia desses acabo em uma mala. Espero que não, mas particularmente, eu também morreria disso.


Tais Medeiros.


Mas eu falei sem pensar
Coração na mão
Como um refrão de um bolero
Eu fui sincero como não se pode ser
E um erro assim, tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E quando acaba a bebedeira
Ele consegue nos achar
Num bar
Com um vinho barato
Um cigarro no cinzeiro
E uma cara embriagada
No espelho do banheiro

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