11/09/2016

Liberdade dói, sábia amiga? Eu descobri isso. Estava muito tempo infeliz no meu casamento, era muito jovem, dependente de tudo e de todos. Eu amei, mas não amo mais, então o outro apareceu. Parecia um anjo que veio me salvar, devolveu a cor daqueles tempos em que eu era só uma menina. Eu tinha que tentar, eu precisava. Só que não saiu como eu esperava. Ele não era um mar de rosas. - Pessoas não são mares de rosas. Nem o mar é, amiga. [TEXTICULO 42]

- Eu sei que fiz merda. Largar tudo por uma paixão desordeira... Era isso que era... Uma paixão desordeira. Ele demonstrava tudo aquilo que eu deslumbrava há muito tempo.

- Liberdade?

- Liberdade dói, sábia amiga? Eu descobri isso. Estava muito tempo infeliz no meu casamento, era muito jovem, dependente de tudo e de todos. Eu amei, mas não amo mais, então o outro apareceu. Parecia um anjo que veio me salvar, devolveu a cor daqueles tempos em que eu era só uma menina. Eu tinha que tentar, eu precisava. Só que não saiu como eu esperava. Ele não era um mar de rosas.

- Pessoas não são mares de rosas. Nem o mar é, amiga.

- Eu sei, eu sei! O que eu não sei é o que se passa comigo. Não estou feliz com meu casamento, mesmo tendo voltado, ter passado por essa experiência horrível com esse outro homem, ter vivenciado essa relação abusiva. E eu também não entendo o meu marido, ele também parece não estar feliz, mas não importa o que eu faça, ele sempre me recebe de volta.

- Seria amor?

- Eu não sei, eu não sinto amor... Parece que é mais costume. Acho que ele parou no tempo e nas aparências. Somos o único casal entre nossos amigos que se conheceram na adolescia e estão “juntos” até hoje.

- Não sente amor? E sempre volta para ele...

- É complicado... Você não ia entender. Tem as crianças, a família, um estilo de vida... Como eu disse, um costume.

- Acredito que você no fundo deve gostar dele. Ele deve ter te magoado em algum momento dessa relação extensa, afinal “Pessoas não são mares de rosas. Nem o mar é, amiga.” Então você acha que o perdoou, mas castiga-o com suas atitudes de merdas.

- É... Tivemos problemas como qualquer outro casal.

- Mas fazendo essas merdas você se torna mais infeliz. Porque isso de certa forma não o abala, pois ele sempre te perdoa e te recebe, alimentando assim, talvez não o amor porque não sei se ele ainda sente, talvez seja capricho, orgulho dessa imagem de família feliz e equilibrada que vocês passam. Orgulho do domínio que tem sobre você.

- Sempre digo que não quero mais... Separamos-nos, mas eu sempre resolvo dar uma chance, porque ele sempre diz que mudou. Então quando penso que estou bem, me sinto carente e frágil, eis que surge outro. Parece um feitiço... Vou, porém sempre volto.

- E quando você vai entender que você não o ataca, não ataca a família, você apenas ataca você, se maltrata. Talvez seja costume da parte dele... Ele nunca reclama de você e por mais que você tenha ido embora para tentar uma vida com outro, quando ligamos para saber como ele está, ele sempre responder com ar de pura certeza: Estou esperando ela voltar.

- Não sei o que fazer...

- Se não o ama mais e tem certeza disso, precisa quebrar esse ciclo de dependência. E não venha com discurso barato que pretende tentar de novo pela família e blá blá blá. Já provou que consegue fazer grandes mudanças na vida quando tem vontade e, não é saindo de um casamento de longa data e entrando em outro que você vai encontrar esse tal mar de rosa. A liberdade, amiga, não dói. Ela liberta, o que dói são as consequências de atos que fazemos sem pensar, por mero desespero. Não é crime, mas você tem que aprender algo se não vicia em sofrer. Você não precisa agora de uma nova pica, de um novo corpo em sua cama, precisa é se reconhecer, achar essa porra de mar de rosa em você. Se permita, amiga. Deixe esse passado para trás, você não é mais uma menina que dependia de todos os outros, agora dependem de você, seus filhos. Quer sair desse casamento? Então saia, mas saia para se encontrar, não para arrumar mais problema. Se permita sair, rir, conversar, namorar, conhecer pessoas, lugares. Você foi mãe cedo, esposa cedo, as responsabilidades vieram à tona e você deu conta. Agora amiga, não dá mais tempo de ficar perdendo tempo com os outros.


Tais Medeiros



Você me chama 
Eu quero ir pro cinema 
Você reclama 
Meu coração não contenta 
Você me ama 
Mas de repente a madrugada mudou 
E certamente Aquele trem já passou 
E se passou passou daqui pra melhor, foi! 
Só quero saber do que pode dar certo 
Não tenho tempo a perder

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