14/09/2016

Cenas Curtas: Prometeu Proletário



Coro – Quem é você jovem rapaz suplicante acorrentado nessa vida, a protestar, protestar contra o Olímpio de pedra.

“Acorda! Levanta! Está atrasado! Está demitido!” 
Eu sou Prometeu Proletário, fui injustiçado no berço do sistema. Para ser feliz você tem que trabalhar, e trabalhar a vida inteira, isso é o que eles dizem. Não vejo mais honra em apenas servir os patrões que sempre querem a fatia maior das oportunidades, querem tirar tudo e não nos dão nada. Não quero mais ver salários de fome, subsistência, injustiças, corrupção. Negam-nos tudo, querem nos calar alegando ser opcional, mas já não comemos nem feijão. Compadeci com os camaradas, ensinei o poder de pensar, bem como lhes transmiti os mais variados ofícios e aptidões. Julgam-me culpado, por querer que o homem proletário seja mais que uma máquina de lucro. Quero que sejam lutas, vidas, amores e arte... Sejam seres humanos com dignidade. E foi essa insatisfação que me levou ao martírio.

Coro – Oh! E o sistema quer a fatia maior do boi, não adianta tentar enganá-lo se não ele se enfurece e tira o pouco que tens. De nada adiantou tentar roubar o fogo, o sistema lhe pune agora. Acorrentando e vagando pela rua, onde os seres humanos como abutres sedentos por sua derrota lhe devoram com olhares de desprezo todos os dias. Até onde vai a sua ética? Onde esconde a sua verdade? 
Podem me devorar o quanto quiserem, sou imortal das idéias e sempre houve e haverá um Prometeu Proletário para manifestar, e, dessa forma um dia haverá um Hércules para nos libertar...

Coro – Pobre rapaz nessa utopia de mudar.

Tais Medeiros.

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