27/07/2016

Sessão poema - Parte XVI [Seus olhos entre minhas pernas. E sua boca perversa a me devorar. Toma-me GOTA POR GOTA...

arte: Apollonia Saintclair


Seus olhos entre minhas pernas.
E sua boca perversa a me devorar.
Toma-me
Gota por gota...

Morde minhas coxas.
Chupa-me até eu me reconhecer em sua boca.
Com orgulho sacana...
Transforma à Lobo em cachorra.
De quadro me faz suplicar.
Vem para dentro de mim!
Proclama meu corpo teu território.
Úmido e quente...
Enfia seu pau nessa terra fértil.
Fértil de ti.
No ritmo do blues os quadris dançam.
E eu?
Já não mando mais em mim.
Abafa meus gemidos com as mãos...
A fim de manter o silêncio.
Rompo com ele, em gritos de tesão.
Jorrando amor.
Volto a ser rainha.
Sento no meu trono de membro duro.

Domino a ti.
Agora eu o vejo suplicar.
Devorar-me...
E nossas carnes se misturam.
E nossas almas se lambuzam.
Minha língua te envolve.
Minha presa, meu plebeu.
Preso por minhas pernas, pelos meus seios.
Ventre com ventre.
Descansar sobre mim...
E depois...
Me fode!

Porque amor doce assim...
Somente eu posso lhe dá.
Tais Medeiros.

14/07/2016

Cenas Curtas: Coro de Antígona

Somos “Antígona” filha da casa real de Tebas, família desestruturada, antiga nas maldições. Filhas de Édipo, agora apenas mais um homem cego, a cegueira vaidosa, não querendo ver o resultado de suas ações.
- Antígona, aquela que se coloca adiante de sua família, almejamos respeito, igualdade e amor entre todos os seres humanos...
Represento o respeito à vida. Creonte, meu tio, o matriarcado é universalista, deixe de orgulho e princípios de autoridade, leis injustas e obediência. Não pode está acima do direito natural da humanidade e dos laços familiares. E quando falo em família meu tio, falo de todos os tipos, das tradicionais as modernas. Família não é apenas sangue, não é constituída apenas por homem, mulher e filhos biológicos, família são os que escolhemos que cuidamos somos leais e amamos.

Sou mulher, sou leal e amorosa, enterrarei meu irmão, mesmo contra a sua vontade. Aqui enterro a submissão, a falta de empatia, a deslealdade, a violência, o desrespeito e séculos de cala boca. Sente medo Creonte? De que mais “Antígona” se levante e enfraqueça seu reinado, seu SENADO, sua CÂMARA, suas LEIS, seu ESTADO DE PODER? 
Condena-me a morte para que haja supremacia da ordem e tenta como todos tentam a milhares de anos sepultar os valores femininos, nossos direitos. Gritam deveres e recursam nossa voz. Por isso que enterro meu irmão descumprindo toda essa opressão e sem temer sua represaria.
O patriarcal cria fronteiras, levantam muros e causa separações. Não precisamos mais de um mundo assim. Mata teu filho, a fim de reafirmar uma ordem fracassada, carne de sua carne. Está crueldade gratuita protegida por suas leis, criadas e votadas por outros iguais a você tem apenas o dever de manter os valores de ambição pessoal não permitem serem questionados e tem pavor dos que pensam em igualdade. 
Reconhece teu erro Creonte e torna-se um homem sábio adquire prudência pela experiência. Deixa-me caminhar não acima, não abaixo, mas ao seu lado. Nós "Antígonas, Bacantes, Semeles, Heras e Medeias" queremos redimir o passado com nosso poder de amar vencer a herança de servir a muito tempo herdado. Vamos nos unir, meu tio, e construir um novo futuro para nossos descendentes.

Tais Medeiros.

04/07/2016

Sessão poema - Parte XV [Praticantes Assíduos. "Amai-vos uns aos outros"]

Jean Francois Painchaud 


Um território úmido.
Pronto para ser convertido.
Descoloniza essa selvagem.
Liberte esse corpo do pecado da roupa.
Exorciza a pouca vergonha que rege.
De me algo para adorar.
Entre minhas mãos, meus peitos e pernas...
                                                    [abertas]
Receber a sua gloria.
De joelho santifico-lhe em meus lábios.
Preces ao ouvido, sussurros e gemidos.
Mostre-me a redenção, mostre-me como...
                                                      [E COMO]

Devoro tudo que vem de ti.
Afunda neste templo pagão sua doutrina.
Marca no corpo os cânticos sagrados...
                                             [de evoé]

Nossa bíblia não oprime.
Nosso Deus não castiga.
Nossa religião é o amor.
Praticantes Assíduos.
"Amai-vos uns aos outros"
Esse e o mandamento, meu bem.


Tais Medeiros