02/05/2016

Monografia: SOBRE O BANHO, THE DOORS, FRIDA, ALMODÓVAR E EU... [TEXTICULO 36]



Nessas águas límpidas despejo toda a minha insanidade. Nesta banheira encardida, esfrego-me na ilusão de limpar a mente.

Aprisiono toda essa loucura na tentativa de salvar um pouco de sanidade. Esta água agora suja, cobre meu corpo, inunda-me e não vejo ralos para me escorrer... Escorrer-me para longe... Pondo um fim nessa agonia de ser nada, de não querer ser esta pele que hábito.

Jogo o corpo para fora desse mundo estreito, mas a água ganha forma de onda, ondas celebrais, arrastando-me para o tsunami que é minha mente.

Ergo as mãos em um instinto primitivo de socorro. Deve ter algo são aqui!

De repente meu corpo ganha tônus e me pego a passear nos beirais da banheira, como se andasse em uma corda bamba equilibrando-me entre o consciente e inconsciente. Cura-se ou enlouquece-se de vez?!

Vislumbro a metrópole, penso ser um quadro de Frida Kahlo. Traz tanta dor, tanta cor e tanta força.

E lá estou eu no parapeito de um prédio declamando poesias para o lagarto rei, buscando em meio das luzes da cidade que grita as cores de Frida, o xamã da cura.

Do alto da minha confusão sinto-me lúcida. Percebo que não têm como fugir do que se é. Realmente sou a loucura que habito.

Tais Medeiros.

Dama pálida
Desista de seus votos, desista de seus votos
Salve nossa cidade, salve nossa cidade
Agora mesmo
Bem, eu acordei essa manhã e tomei uma cerveja
O futuro é incerto e o fim está sempre perto
Deixe rolar, baby, rolar...

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