18/04/2016

Sessão poema - Parte XIII [ODE PARA JULIETA]


Não escrevo cartas para julieta.
Apenas deixo acontecer o amor.
Não temo no que ele possa se tornar.
Interessa-me somente o momento.
De nada valer ficar a deslumbrar "Romeus".
Este sentimento requer alma, requer corpo, suor e choro
Já dizia o poeta:
"O amor é um desgraçado. E amores desgraçados sempre rendem boas histórias."
Nada dura para sempre.
O que é perfeito aos olhos dos apaixonados deve padecer.
Por que o perfeito não existe.
A perfeição é algo do mundo das ideias, mundo dos sonhos.
Preces em exagero para protetora dos corações aflitos.
Julieta de Verona.
Olhai por este coração.
Que não bate, dança...
Doando paixão a cada noite quente.
Aquecendo a cada crepúsculo gélido.
Esperando a ressaca do amanhecer.

Tais Medeiros

16/04/2016

O foda é que enquanto o lado esquerdo formiga, o braço direito dói e completando a tríade o peito e a nuca, a vista embaça e o ar falta e você ainda tem que se preocupar em aprender a vomitar sem se cagar. [TEXTICULO 35]

Depois de jogar todo o resto de dignidade que eu tinha no vazo sanitário, triturada com a minha consciência comecei a pensar: E se eu morresse agora? Não que seria um problema para mim, a morte é fácil para o morto, ele entra no estado de repouso, libertação da matéria e do todo, o ruim e o caminho percorrido para chegar até ela, se ao menos eu estivesse dormindo ou estivesse doente, essas doenças do corpo não dá alma, a alma virou lama há muito tempo. Até esse momento de mal súbito, minha saúde estava um primor. Que diabos seria o causador da minha morte? O álcool? Tabaco? O vício em remédios? Seria um "pirepaque" alérgico já que tudo que eu gosto de comer ou usar me ofende, tenta me matar. Nesta lista incluo alguns homens que tropiquei pelo caminho.

O foda é que enquanto o lado esquerdo formiga,o braço direito dói e completando a tríade o peito e a nuca, a vista embaça e o ar falta e você ainda tem que se preocupar em aprender a vomitar sem se cagar. Por mais que sua barriga fique em movimento de translação e rotação tornando instantes em um dia, você tem que se precaver, porque caso morra não quer ser encontrado afogado na privada em meio ao vômito e a merda.
 
Já vivi na merda a vida inteira, morrer nela é muita maldade divina. Para vocês verem, a vida não é nada, penso que a vida é um acidente no meio da morte. Sabe? Você está morto há muito tempo e de repente cria vida, como se fosse um Big Bang então nasce às buscas, os sonhos... Somos movidos por essas coisas, até quem alega não querer nada desse mundo é movido por esses desejos do ser de ter, e tudo requer trabalho até ser nada exige trabalho. Sempre existe o desejo de algo, eu sempre tenho desejo em demasia deve ser por isso que me encontro aqui, por querer viver tudo antes de voltar para o estado natural, à morte. 

É desse ângulo que filosofo do chão, quase inerte olhando a porta, nunca parei para pensar nisso antes agora me parece uma teoria muito coerente. Somos um grande nada mesmo, agora pouco eu estava lá, no salão senhora de si, em meus desejos de rainha da noite e, agora? Não consigo ficar firme nas próprias pernas e ao invés de está sentada com os meus falando de esquerda e direita, coxinha e mortadela, buscando parecer inteligente vivendo o intervalo da morte, estou aqui tentando não cagar enquanto vomito. 

Os sintomas da morte apavoram e torturam. Você sabe que é a única certeza que temos, mas não aceita quando ela bate na porta do banheiro. De repente um sopro de vida consola em meio ao caos, você dá uma "melhoradinha" e quando pensa que é só lavar o rosto e voltar para mesa, eis que me encontro abraçada com a privada novamente. Será a famosa melhora da morte? Entre um vomito e outro me lembro de uma amiga, acho que sempre nos lembramos de algo ou alguém quando estamos de frente da insegurança de viver, o “filmezinho” que dizem passar na mente enquanto Hades dar instruções ao barqueiro, ela me disse uma vez... 

- Não gosto de vomitar, mas quando o faço me dá uma sensação de alivio. Sinto a mesma sensação quando rompo com alguns silêncios impostos a mim. Quando você engole tanta coisa dos outros e em um breve momento solta tudo, tudo que te oprime e entristece todos os pensamentos mais sensatos ou os mais loucos, depois você se sente leve. Coloca para fora tudo aquilo que lhe fazia mal. Sabia que você pode conquistar alguns inimigos em um desses vômitos de pensamentos? É um risco a correr, mas a sensação é impagável. 

Então entro no sono dos mortos quase em transe com essa frase a gritar em minha cabeça... 

- Vômitos de pensamentos.

A morte tem estágios, acredito que entrei no estágio do arrependimento e olha que vivemos dizendo que não nos arrependemos de nada, passamos a vida fazendo discursos falhos, pensando que tudo muda menos a gente. Estou arrependida neste momento de não ter tido vômitos de pensamentos. Falar para um monte de gente um monte de coisas que me engasgam agora. Queria ter dito à racional humanidade que ela é desumana, hipócrita, suicida e cheia de falsas verdades. Muita gente se achando deus, juiz, salvador, certos de tudo, mas nenhum filho da puta aparece neste banheiro para me salvar... 

Queria também ter dito para alguns malditos que eu os amava. Agora me pego na dualidade da passagem. Morre não morre, raiva e saudade se misturam como limão e cachaça. Eu já não sei mais o que pensar... Os olhos descansam, porém o coração continua batendo no compasso do infarto. Uma leve paralisia. Morri? Não. 

Não existia luz no fim do túnel. Será que eu devia me preocupar com isso? Acho que não... Ainda estou aqui, se não vi a luz deve ser porque condenada já estou, condenada ficarei a ruminar o vômito de pensamento.
Triste quando nem a morte lhe quer ou lhe dar segurança. Mas ela compacta toda uma vida em instante e, você que é o animal no alto da cadeia alimentar fica à mercê de uma porta a ser aberta...

Tais Medeiros. 


Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

12/04/2016

Mas você não quer viver em paz, não é? Quer fogo e veneno, quer ver a alma manchar. Viver no céu não satisfaz você quer mesmo viver na terra, quer que eu te sufoque com minhas pernas, meus braços, meus dramas... Os meus defeitos. É isso que você quer... [TEXTICULO 34]

Você vive criticando meu jeito. Diz que eu não sei lidar com as coisas, que sou o desequilíbrio, uma grande desestabilidade emocional. Irrita-se com meus "Erres" (R), sotaque de lugar nenhum, acha estranho meu olho livre, estrábica desde que era um esperma.

Diz não aguentar o meu falar alto, quando na verdade só estou projetando a voz. Não suporta quando te corto a fala ou quando caio nos clichês dramáticos da garota interrompida. Você nunca cai na minha, isso eu acho graça. 

Aponta-me defeitos, uns até que eu não sabia ter. Bate a porta e diz não poder mais “é muito castigo para um cristão”, mas você volta, sempre voltou... Quando a calma te toma, a tranquilidade te visita você se sente Buda em equilíbrio em cima dos montes, viver em paz.

 Mas você não quer viver em paz, não é? Quer fogo e veneno, quer ver a alma manchar. Viver no céu não satisfaz você quer mesmo viver na terra, quer que eu te sufoque com minhas pernas, meus braços, meus dramas... Os meus defeitos. 

É isso que você quer, o tédio te desestabiliza, precisa de alguém para fingir censurar, cuidar, amar. Essa paixão salva mais a você que a mim... Porque eu já me entreguei, já matei os meus demônios e aceito a sarjeta.

 Divido minha alma com os miseráveis. Você me faz bem, conserta quase tudo que anda quebrado aqui dentro. Poderia amar você, eu realmente poderia mudar, porém, eu sei que você não quer. 

Então vem, acabe com essa sensatez que não cabe a nós, enlouquece em mim. Porque overdose do meu corpo não mata, apenas condena ao inferno. Mas esse já é aqui. Então o que temer? 

Ama-me pelos meus defeitos e encontrarás minhas doces qualidades. Encontre em minha irracionalidade algo que te faça ficar. Minhas fantasias mais loucas, em nossas doses mais densas. Sou as volúpias de Vênus tentando chegar até a lua desnuda. E você astronauta de ferro a me explorar.


Tais Medeiros

Dentro dos seus grandes olhos lagos
Dentro dos seus grandes lábios logo
Dentro do seu grande peito fogo
Dentro de sua grande alma anjo
Dentro de seu corpo gente
Dentro de mim...

07/04/2016

Sessão poema - Parte XIII [Drama burguês - TERRA EM TRANSE]

Queria eu, escrever um drama burguês.
Então me lembro...
Sou apenas drama, não burguês.
Aos olhos dos senhores, extremista.
Até mesmo aos olhos dos meus.

Coitado...
Em cima do muro...
Flagelado.

Cada um diz saber de sua luta.
Cada dia eu creio que não sabemos nada.
Será que nossas opiniões são nossas?
Somos bandeiras rasgadas.
O sistema que manda e o povo, pensa que é resistente.
Temos que resistir?
Temos que (re)existir.
Terra em transe.
Mudar o começo...
Não nos trocaremos mais.
Nem por cargos, favores ou espelhos.
Despindo um povo.
Para descobrir um mundo.
Redescobrir o Brasil.




Tais Medeiros

03/04/2016

Os crimes passionais ganham camarotes nos jornais. Não há um dia se quer que não haja sangue derramado porque acabou o amor, porém acredito que por amor ou por falta dele não se mata e não se morre. Li uma vez em um desses posts de internet que "O amor não acaba, ele morre." Como tudo que tem vida deve morrer, de preferência completando o ciclo, inicio, meio e fim. O amor tem vida, tem nome, CPF, sonho e vontade, mas nunca tem hora marcada para chegar ou partir. [TEXTICULO 33]

Os crimes passionais ganham camarotes nos jornais. Não há um dia se quer que não haja sangue derramado porque acabou o amor, porém acredito que por amor ou por falta dele não se mata e não se morre.

Li uma vez em um desses posts de internet que "O amor não acaba, ele morre." Como tudo que tem vida deve morrer, de preferência completando o ciclo, inicio, meio e fim. O amor tem vida, tem nome, CPF, sonho e vontade, mas nunca tem hora marcada para chegar ou partir.

Ao contrário das dúvidas de vida após a morte, existe vida após o amor e, o amor renasce depois de morto, existe uma constante ressurreição. Não pense que será no terceiro dia, ele também não tem data para renascer.

Ele é enigmático, um adolescente sem juízo, um rebento que vem ao mundo sem a contagem das semanas, sem pré-natal, ele é um marginal, transgressor, um poeta do bem e do mal, clandestino, turista que vem e pode fazer morada ou somente passar igual a um cometa, o amor é um carnaval. Não! Melhor... O amor é como o mar. No seu vai e vem a seduzir, na sua beleza única, no seu infinito particular, ele tem defeitos e virtudes como tudo, mas ele não mata, apenas morre.

Nunca saberemos descrever o amor, muito menos torna-lo eterno, domesticá-lo. Tudo que amamos necessita de liberdade para ir ou ficar, para ser o que se é, mas lembre-se “O AMOR NÃO MATA ELE APENAS MORRE E RENASCE”, o melhor a fazer é sentir. Apenas sentir, isso que devemos fazer diante do amor, não ficar se vestindo de teorias de amar, de medos, desculpas para sofrer e, de sonhos vãos. Vão sentir, apenas vão cientes que há diversos gostos para serem provados, dos amargos aos doces, paremos com essa passionalidade, apenas serve para os livros não para essa já dura realidade.

Pensemos menos, não dá para teorizar tudo, justificar tudo por amor, sabemos que ele vai morrer, mas graças aos inexplicáveis acontecimentos da vida, ele renasce. Esta guerra meus caros, está perdida, não adianta pôr o outro em cárcere privado. Coração não tem grades, olhos não tem fechaduras e língua não tem osso. Somos feitos de sensações, sentimentos e mudanças, filhos do pecado original... Ai está mais uma vã teoria sobre esse ser “O amor é pecado” um pecado gostoso de cometer, não condena nossa liberdade ou a do outro, então pequemos, sejamos amor.


Tais Medeiros.





Que a vida é tão curta
Pra levar tanto peso e o que faz tão mal
Esquece essa gente, pega a estrada
Segue em frente e agarra o amor
E não maltrates teu coração
Não te apagues distante
Não, o desperdício faz mal
A nossa alma irmã
Somos tão parecidos
Juntos somos céu
Paixão e estrelas
Pare pra respirar
Que somos tão vivos, tão novos
Tão cheios do que é bom
E nessa estrada efêmera
Não podemos perder mais nada