20/01/2016

Sessão poema - Parte VII [ O canto de Medeia]

Tem alguém ai?
Além dessa distância que separa os mundos?
Além dessa ausência que um dia pensou ser presença?
A felicidade fere a decência, a moral, sua e de outros.
O que somos capazes de fazer para ter um instante de felicidade?
O que? O que?
Gritos desesperadores, grito inutilmente.
TEM ALGUÉM AI?
...
Abandonada...
Usada...
Abusada...
Humilhada...
Ferida...
Substituída.
...
Epílogo da vida.
O saber que a felicidade não ensina nada para ninguém.
É a dor que traz em suas malas a cartilha para saber viver.
Alquimias que buscam as curas para todos os males.
A batalha teve outro fim, mas a guerra não terminou.
E o silêncio de frente ao abismo não acalma.
Não pediu nada?
Todos pedem, os olhos pedem.
Dizem tudo que não soube dizer, revelam tudo que tentou esconder.
Não me venha com migalhas de culpa.
Feliz agora?
Levou todo o ar que os pulmões tinham.
Levou a alma, terra, ar, água.
Levou até minha limitada sanidade.
...
Os personagens se desfizeram.
E não há corpos, mentes e olhos que sacie.
Esse maldito cobiçar de olhos.
Olhos porta da alma...
Que alma?
Penando entre escombros de guerra.
Realmente não existe nada de novo no front.
Não há espera na plataforma.
O ultimo trem partiu deixando apenas névoa.
O passado não tem como esquecer.
É meu templo sempre revisitado.
Não fiz morada, fiz aprendizado.
A final, não é agora que eu sou um bom soldado?
Aquele que deixou o capitão sair ileso, vencedor no campo de batalha.
E eu alvejada pelos bombardeiros tive que estancar feridas amargas.
Forte, seja forte... Guerreia como uma mulher... Mostre essa face sempre altiva.
Não quero ser exemplo para ninguém.
Não me vista, não sou artigo da moda, não sou peça íntima.
O íntimo custa caro...
...
No auge do meu pessimismo estou ciente que tudo pode piorar.
Nada almejo dessa tragédia, nada me interessa levar.
O que entrar é lucro o que sair é gozo.
Em meu jeito mesquinho de Colombina...
Em meus delírios de Ofélia...
Em minha luta sufragista.
Sigo em frente, enfrente.
Firme em minha marcha.
O levante das trincheiras.
Uma dose forte de whisky, um gargarejo com gengibre.
Garganta limpa de coração em punho, único juramento.
Nunca mais calar meu canto de Medeia.


Tais Medeiros



Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor

2 comentários:

Thali disse...

vc é foda

Choconhaque disse...

Você que é...