03/01/2016

Da série - Cenas Natalinas e OutRAS bRISaS dAs “Passionais” [TEXTICULO 28]


Estava eu em uma destas tardes entediantes pós-natal esperando umas “zamigas” para tomar um café, isso mesmo que vocês leram... CAFÉ. Resolvi dar uma trégua para fígado e maltratar o estômago, tendo em vista que tomo café como se fosse cerveja. O papo iniciou como todos os papos devem começar nesta época do ano.

- Como passaram o natal?

- Eu? Numa depressão horrenda, não pude viajar então visitei algumas ceias vizinhas. Umas comi até pedir para morrer, em outra fui mal recebida, tem gente que realmente nem o natal salva.

- Eu odeio o natal, não pelos motivos clichês de festa capitalista blá, blá... Também não o odeio pelas reuniões de família e ter que presenciar a disputa entre os entes queridos, quem esta mais fudido e injustiçado pela vida. Em minha árvore genealógica a competição não é ostentar bens, mas as sete pragas do Egito, quem é mais Maria do Bairro, senhora das depressões eternas.

- Credo amiga... Eu também odeio o natal, mas pelo fato de que eu já comi minha casa inteira, pequei mais pela gula nestes dias do que por fornicação a vida inteira.

- Que jeito horrível de se condenar ao inferno amiga...

- E qual seria um jeito bom para se condenar?

- Você não precisa se preocupar com isso, Deus está te devendo, ou você esqueceu que passou metade de sua vida dando 10% do seu salário para sua ex-igreja?

- Verdade. Vergonhoso aquele tempo, eles podiam me ressarcir ou me dar algum adiantamento, fim de mês, fim de ano, fim de tudo menos da bad.

- Eu queria tanto pular o fim de ano e avançar para parte que tomo vergonha na cara e mudo minha vida. Sinto-me castrada dentro da minha própria casa, não pularei as sete ondas por que meu pai surta com a ideia de viajar sozinha.

- E eu não pularei as sete ondas por preguiça...

- Para vocês verem, sempre nos falta algo, uma coragem, outra vergonha na cara e eu dinheiro.

- Podíamos dominar o Acre e fazer nosso país. Ninguém ouve falar do Acre mesmo, quem vai reivindicar?

- Nossa, como seria nosso país? Qual tipo de governo seria? Seria um Taistocracia? Uma terra de arte e subsistência? Trocaríamos habilidades ao invés de dinheiro? Não, acho que seria mais como uma comunidade hippie, beatniks.

- Imagina um país dominado por mim. As pessoas de boas, tudo fracassada, mas de boas e tudo que exigisse muito trabalho aborta.

- Realmente essa época do ano mexe muito com vocês, já não estão falando nada com nada. Acho que é o café é melhor irmos para um bar.

- Pensei que a pauta hoje era atacar a Gastrite?

- Pensei melhor, melhor estragamos o resto do ano e o pouco de dignidade que temos. Augusta?!!!

- SIMMMMMM

- Mas você não nos disse o porquê odeia o natal?

- Sei lá... Acho que depois que a gente crescer e se depara com a realidade a magia acaba, as pessoas estragam tudo, hipocrisia humana. Ninguém realmente liga para o que significa o natal o que importa é muito luxo no presépio. Ao menos rendeu quatro dias de folga sem direito a ressaca.




Tais Medeiros



Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou

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