29/12/2016

Sessão poema - Parte XXXI

Arte: Thomas Saliot


E na hora do desespero...

Abro as conversas antigas para me enganar.

Fico imaginando...

Será que você faz o mesmo?

Tão boba eu...

Neste comportamento de adolesce.

A nossa foto aqui, não queimou.

Ela continua no mesmo porta retrato.

Tiro a poeira para não virá passado

Pensei que seria fácil esquecer...

Como esqueci os fatos fatídicos daquela noite.

Não existe bebida que apague.

Incompetência minha...

Querer apagar fogo com álcool.

Se eu pudesse voltar...

Faria quase tudo, menos te magoar.

Mas lamentos não vão sanar as feridas.

Não vão cicatrizar essas marcas.

Que não foram feitas com amor.


Tais Medeiros.





Trago boas novas! Fiz as pazes comigo, não me culpo mais. Sentei comigo e pedir perdão por me destroçar tanto assim, me maltratar tanto, fazendo meu coração, minha cabeça apanhar do mundo e de mim. Eu continuo jogando, mas agora observo melhor minhas peças e as que possam vim a ser. Não quero mais ter razão quero ter paz. [TEXTICULO 53]

2016 foi pesado... Levou-me do céu ao inferno mais do que posso contar. Provando que 365 dias é pouco para viver ou morrer. Um ano de perdas, tanto para o mundo como para meu mundinho intransigente. Perdi amigos que pensei seriam eternos, perdi emprego, perdi relacionamentos em andamento, perdi as estribeiras... Opa! Isso eu já perdi há muito tempo, mas ponho culpa em 2016 também. Espero muito que você acabe não importa se bem ou mal, não faz diferença agora, mas saiba que te perdoo.

Não vou festejar sua chegada também 2017. Tudo que demonstro interesse, apreço dá merda, então não vou estragar você venha como quiser, não tenho grandes planos para você. A meta é continuar respirando e bebendo, não me culpar mais e aceitar esse meu problema de existir.

Não adianta acabar um e começar outro e a gente continuar sendo um idiota, tendo as mesmas ações e cometendo os mesmos erros não é? Então ao invés de dizer “Que 2017 traga...” Eu trago. Sempre fomos eu e eu mesma de copo na mão e cigarro em punho indo sempre em frente, não me enfrente parei de lutar.

Trago boas novas!

Fiz as pazes comigo, não me culpo mais. Sentei comigo e pedir perdão por me destroçar tanto assim, me maltratar tanto, fazendo meu coração, minha cabeça apanhar do mundo e de mim. Eu continuo jogando, mas agora observo melhor minhas peças e as que possam vim a ser. Não quero mais ter razão quero ter paz.

Olhando-me no espelho vi as marcas de uma vida em combustão. E tanto, tanto que às vezes sufoco - sufoco de palavras, de pensamentos e desejos. É uma entrega tão grande para tudo que parece que não existe mais tempo, tudo ou tudo, nada não existe. Abracei-me e pedi calma, ainda existe tempo estou fora da ampulheta a areia não pode me soterrar. Ali chorei e afoguei aquele antigo ser, eu renascia.

Vênus me paria, Frida me batizava e Elis me curava senti a calmaria na alma, fazia tempo que não sentia nem alma. Não preciso mais levantar muros, atacar antes, nos feri. Não, não preciso mais ter as palavras certas, mendigar atenção e ter ideias boas, viver no tornado atormentado por que é preciso ser forte, não preciso ser sempre forte. Não preciso me importa muito com as pessoas, com os seus pensamentos sobre mim, sobre nós, se importar com as coisas, afinal são apenas coisas.

O meu tanto, tanto sempre não é reconhecido. Não veem o que você deixou de bom por mais hipócrita que você agora aparenta ser, eles sempre apontam a feriada que você causou.. Eu tirei esse esqueleto, guardei no armário e descobrir... Que eu já basto.


Tais Medeiros.




Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição





28/12/2016

Sessão poema - Parte XXX [Me devolva]







Arte: Nudegrafia
Hoje acordei com raiva;
Querendo reaver tudo lhe dei.
Devolva-me!
Não fique achando que são bens materiais, não ligo para essas tralhas. 
Use com outra, enfie no cú, ponha fogo se quiser.
O que eu quero tem mais valor, tem mais sabor.
Quero meus beijos de volta...
                                    meus gozos;
                                    meu corpo, teu sabor.

Não se faça de desentendido, tem muito de mim ai...
Na sua cama, na poltrona, no seu banheiro.
Em sua mesa onde nos servimos como um grande banquete...
                                                                                 um para outro. 

Estou pela casa toda.
Se olhar direito, ainda encontrará fios dos meus cabelos espalhados pelo quarto.
Noites insanas. 
E de manhã encontrará eles presos no ralo do banheiro...
                                                       anunciando que ainda estou por aqui.

E nos cinzeiros cheios, se olhar bem entre às bitucas existe meus lábios vermelhos.
Existe mais de mim em você do que você pode aguentar.
Então, por favor... Me devolva.

Tais Medeiros.

27/12/2016

- Era tudo isso que eu queria ter dito naquela noite, mas me calei covardemente, não por ser covarde, mas por tentar ser menos corajosa. Apenas garanto uma coisa, o sabor de jogar esse jogo de viver apostando todas as fichas e dobrando as apostas é mais satisfatório que esse gosto do fracasso amargando na boca, o fracasso de não ter tentado nem quebrar a cara. Trepamos como se fosse a primeira noite entreguei as armas e me tive como vencida. Chupei aquele pau pela ultima vez e abracei aquele corpo como se ele estivesse morrendo e estava mesmo, ao menos para mim... Depois disso nunca mais o vi. [TEXTICULO 52]


Jennifer acordou, esfregou os olhos estava cansada de novo, sempre cansada e a única coisa que Jennifer fazia na vida era pensar. Procurou na banqueta em meio aos livros e cinzeiro um cigarro ao menos podia fumar naquele lugar. Até que a clínica não era tão ruim. Era como um bar, muito gente insegura, maluca, fugitivas fingindo serem especiais, apenas faltava à dama da noite... O álcool. Acendeu o cigarro e caminhou até o banheiro, entre a mijada matinal e um trago Jennifer se lembrava dele...

- Faz tanto tempo, para pouco tempo.

O cara em questão era um homem que conhecerá em bar em um dia frio, nesses dias que parece que o inferno congelou e só a cachaça é capaz de aquecer o corpo, o coração e a vida. Já nas primeiras conversas ele fez Jennifer se sentir bem o achava seguro, pensou que tinha encontrado um porto para descansar. Sentia prematuramente que podia ser a maluca que fosse ele sempre tinha a palavra, o colo e o beijo certo para horas incertas.

- Mais uma história de decepção... Às pessoas nunca aprendem, ficam construindo castelos, arranha-céus sem ao menos serem engenheiros ou mestre de obra. Projetamos tantas coisas no outro, até eu calejada e desapegada me vi criando um sanatório seguro ao lado dele para enlouquecer juntos. Esse treco de amor vai acabar matando um. Somos um saco de fragilidade e nos achamos tão fortes, não conseguimos lidar com nossa própria existência e temos a petulância de querer lidar com a do outro. Aqueles dias foram mágicos, únicos mereciam mais tempo, mas foi... Passou, como tudo que é bom e dura pouco. Lembro como se fosse agora... Ele me olhava com aqueles olhos de adeus, eu sabia, só não sabia quando seria e  foi.

“Não quero te magoar. E não consigo me fazer feliz, quem dirá fazer você feliz. Minha vida é complicada e eu não sei o quero.”

- Que estupidez... Que jeito estranho de não querer magoar, magoando. Parece bonito, parece que se importa, mas na verdade só importava ele e a sua segurança de não se envolver mais. Eu podia ter implorado, eu podia ter chorado rolado no chão podia ter sequestrado e escondido ele no meu porão – se eu tivesse um porão - mantido ele em cativeiro até ele entender que merecíamos aquela chance. Eu podia ter feito tantas coisas, mas calei me controlei ruminei toda intensidade o desequilíbrio minha passionalidade e engoli. Que vida não! Durante muito tempo o que me fazia mal era não engolir nada calada, explodia, dava na cara e manda se foder certa ou errada e agora? Faz-me mal calar, calar demais, tão fraca que apelei para uma frase de música da Legião Urbana -“Vá, se você precisa ir” baixando a guarda de vez, mostrando o ser frágil e imbecil que sou.

Sabe o que eu queria mesmo? Eu queria era destroçar ele, bater na sua cara, depois beijar sua boca com tanto desespero e tesão encravaria minhas unhas em suas costas fazendo sangrar. Assim ele ia ver que ele também sangra também chora, depois eu o amaria doce em uma trepada tão real quanto a minha dor que de nós apenas sobraria os lençóis encharcados de sangue e suor. Queria dizer que eu seria capaz de perdoar todas as merdas que ele fizesse na vida, mas não poderia perdoar aquela, não por que ele estava me deixando, não era o primeiro, porem não podia perdoar aquela covardia por que era isso que era... A covardia de um homem com medo de tentar, eu sentia o cheiro do medo 
da mesma forma que sentia o cheiro do cio.

Eu aceito pessoas idiotas, pessoas medíocres, egoístas, humanitárias, narcisistas, vegetarianas, caretas, aceito a porra toda, até os corintianos, mas nunca, jamais aceitaria uma pessoa covarde. Foi naquela noite quente ao redor da mesa que já não cabia mais garrafas, cinzeiros, cigarros, cocaína e solidão que vi... Ele estava acovardado demais para tentar mudar ou piorar sua vida. Vi seus olhos lacrimejarem e de sua boca saíram às palavras que eu mais gostava de ouvir, ele gostava de mim, disse com a face rubra enchendo-me de calma para no fim fechar com a dúvida e o medo de tentar. 

“Tudo que toco, eu estrago...”

- FODA-SE! Não tem mais o que estragar em Jennifer aceite, você é o problema. Medo todos nós sentimos não é um sentimento ruim foi ele que me manteve longe dos trilhos do metro até hoje. Porem deixar para trás o que se gostar, o que se quer por covardia de sentir os sabores e dissabores, isso meu caro é imperdoável.

Jennifer sentiu calor, lavou o rosto no lavatório e organizando seus pensamentos encarou-se no espelho e proferiu as palavras como um condenado que confessa um crime que não cometeu, mas queria ter cometido.

- Era tudo isso que eu queria ter dito naquela noite, mas me calei covardemente, não por ser covarde, mas por tentar ser menos corajosa. Apenas garanto uma coisa, o sabor de jogar esse jogo de viver apostando todas as fichas e dobrando as apostas é mais satisfatório que esse gosto do fracasso amargando na boca, o fracasso de não ter tentado nem quebrar a cara. Trepamos como se fosse a primeira noite entreguei as armas e me tive como vencida. Chupei aquele pau pela ultima vez e abracei aquele corpo como se ele estivesse morrendo e estava mesmo, ao menos para mim... Depois disso nunca mais o vi. 

Tais Medeiros.




O teu jeito não me abala
Não me sinto bem no teu jogo
Vou voar mais alto que as nuvens
Entender de vez esse meu vazio
Te encontrar prá não ser sozinho...

Tudo é sempre a mesma coisa
O mesmo jeito, toda vez
Tudo é muito relativo
E a distância, já nos fez
Somos serra e litoral
Nosso final, é simples
Tchau!...

19/12/2016

Sessão poema - Parte XXIX ["Vai, se você precisa ir."]

Arte: Thomas Saliot
Ali estávamos...
Sonhando um sonho.
Apenas um, pois um apenas sonhava.
Realmente, ali estávamos...
Só estávamos...
Só querendo...
Sem sentir.
Não vale a pena ir sem sentir.
Sentir é o que nos faz.
Não se instale no vazio.
Ele não é companheiro.
Não protege, não ouve, não ama
Vai...
Se encha de si para um dia transbordar em mim.
Eu estou aqui.
Novamente de nova mente.
Não aprendi a desistir.
Aprendi a esperar...
                 com paciência na minha impaciência.
Não faz mal...
Faz até bem.
Olhar de fora você.
Enxergar que os castelos construídos antecipadamente...
                                                            não foram perca de tempo.
Pouco tempo...
tempos quentes em dias de garoa fina.
Espero que se sinta...
Que se reconheça...
Se perdoe, se ame e que volte.
Antes tarde do que nunca.
Mas volte para começarmos...
Recomeços são para coisas que falharam.
Não falhamos.
Sou você em outras épocas.
Épocas de guerra, batalhas internas.
Quando me vi, lhe enxerguei.
Então vamos retornar aquele bar.
Andar na mesma calçada, onde nenhum obstáculos nos separa.
Já lhe disse: "Vai, se você precisa ir."
Mas não esqueça do amor quente...
                                 as minhas marcas ainda estão em seu corpo.
Ainda estamos aqui.

Tais Medeiros

12/12/2016

Sou mais que esses copos, essas garrafas e cinzeiros. Sou mais que esse sexo embriagado, desesperado e esquecido. Sou mais que essa brasa do seu cigarro que queima e morre. Eu queimo e renasço todo dia, toda hora, neste momento, amor, eu queimo. [TEXTICULO 51]

Você não me conhece...
Não sabe quem sou isso não é um problema. Problema é que, você não tem o mínimo interesse em saber.
Pensa que tudo que vem de mim se remete a carne, que tudo que sinto se remete a sexo, a loucura dos poetas boêmios ou pessimistas.
Sou um romântico de carteira assinada e coração remendado. Dom Quixote que vê nos moinhos da vida, gigantes e não se acovarda diante deles. Luta contra eles motivado por amor mesmo diante de tanta indiferença.

Mas meu caro...
Quero lhe confessar... Enlouqueço com espíritos livres, apaixonados, que não temem a entrega de conhecer o desconhecido. Deslumbra-me almas que se completam para transbordarem juntas. Sabe? Eu me apaixono todo dia, por sorrisos sinceros, abraços quentes por reciprocidade.
Aprecio companhias, conversas longas que começam em um simples observar o tempo e termina em histórias que ensinam, sempre temos algo para ensinar e aprender.

Gosto do gostar de graça e desejos únicos, planejar futuro ou não planejar nada, apenas viver. Amo o silêncio dos olhares que falam. Infelizmente o seu não me diz mais nada. Triste! Então pouco tempo já sinto o vazio do descaso, o vazio de almas. De nada me vale uma cama quente e dias gélidos, sendo que uma mensagem antes, já os acalentava. Não é necessário jurar amor, fidelidade, mas é necessário estar, querer ser inteiro não metade. Lealdade vale mais que juras de amor barato, vontade vale mais. 

Vontade de estar ao meu lado, dormi abraçados cuidando um do outro, mesmo quando a gente acorda sentindo que não é uma boa companhia para ninguém. Não quero estar presente apenas no verão, no carnaval, estar presente somente quando os dias forem farras e belos. Quero seus invernos também, quando há escuridão teima em ficar. Quero está com os ouvidos atentos e os braços abertos.

Não, você não me conhece...
Sou mais que esses copos, essas garrafas e cinzeiros. Sou mais que esse sexo embriagado, desesperado e esquecido. Sou mais que essa brasa do seu cigarro que queima e morre. Eu queimo e renasço todo dia, toda hora, neste momento, amor, eu queimo. Queimo para não deixar às coisas se repetirem e renasço para ser melhor que ontem.
Você não me conhece e talvez não deva mesmo.

Tais Medeiros

Vai, se você precisa ir
Não quero mais brigar esta noite
Nossas acusações infantis
E palavras mordazes que machucam tanto
Não vão levar a nada, como sempre
Vai, clareia um pouco a cabeça
Já que você não quer conversar.
Já brigamos tanto
Mas não vale a pena
Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV
Sei que existe alguma coisa incomodando você
Meu amor, cuidado na estrada
E quando você voltar
Tranque o portão
Feche as janelas
Apague a luz
e saiba que te amo...

10/12/2016

Ainda lembro [TEXTICULO 50]

Eu ainda lembro o que me atraiu em você. Sua conversa boa, seu jeito tímido, seu medo de gaguejar na fala, seu carinho. Sua poesia sem querer nas conversas do inbox e seus olhos.

A primeira vez que eles pousaram em mim, tiraram todo peso das minhas costas. Um olhar transparente que não conseguia esconder à ansiedade do encontro. Atraiu-me até sua bagunça, quando cruzei a porta da sua casa, a porta da sua vida. A vida é um bagunça? Não sei, mas não me preocupo agora e muito menos depois.

Gosto dos seus picos de loucuras, de quando você até ébrio fica com vergonha de dizer que talvez esteja gostando de mim. Gosto como você sonha, planeja, me fez planejar também os meus próximos anos. Não é poesia o que faço, eu não vejo beleza em tudo e sei que não somos a perfeição, porem quem precisar ser? Gosto e gosto de graça.

Gosto de como me toca, gosto do simples pegar nas mãos e de como me olha... Como se eu fosse mesmo importante. Gosto até das piadas que você insiste em estragar, da sua coleção de vinil, da caixinha das coisas de bolso, gosto até das dores que carrega.

Não precisa ser boa companhia sempre, mas precisa ser sempre você. Se um dia tiver vontade de mudar, mude, apenas vai agregar mais valor, mais coisas para eu gostar em você. Eu costumava acordar garoando por dentro e me parece que essa garoa estiou.

Não se preocupe amor. Não é obrigação sua cuidar de mim ou me fazer feliz. Essa luta  nós que temos que lutar. Eu só queria que você soubesse, que ainda me lembro...

Tais Medeiros.

Ainda lembro o que passou
eu você em qualquer lugar
dizendo "onde você for eu vou"
e quando eu perguntei
ouvi você dizer
que eu era tudo o que você sempre quis
mesmo triste eu estava feliz
e acabei acreditando em ilusões
eu nem pensava em ter
que esquecer você

08/12/2016

Sessão poema - Parte XXVIII [Das culpas que cansam]

Arte: Thomas Saliot


Não venha cagar regras para mim.

Melhor, não cague regras, para ninguém.

Aprendi que muitas coisas são ditas.

(Mal)ditas ...

E quando algo dá errado...

A culpa é da boca que fala.

Nunca do ouvido que ouve...

Deturpado.

Mas a gente colhe o que planta, não é?

Colheremos!

Descobri cedo...

Conselhos foram feitos para não serem seguidos.

Esqueça os meus...

Não me peça opinião, ponto de vista.

Até mesmo por que, sou estrábica.

Vejo tudo com olhos semi tortos.

Sento em meu silêncio.

Ciente que nada sei.

E que nada vou saber.

Todo dia mudo...

Não me leve a mal.

Me leve ao bar.



Tais Medeiros

07/12/2016

- Meu útero é um berço e não um cemitério. - Seu útero é um órgão. Não é um berço, não é um cemitério. Única coisa real nesta frase ai é que ele é seu... Não é do homem, não é meu não é do estado, não é do embrião. Às escolhas são suas. [TEXTICULO 49]



- A “vagabunda” abre as pernas para todo mundo e depois quer que legalize o aborto.

- Como?...

- Essas “piranhas” que defendem assassinato de inocente. Eu sou a favor da vida...

- É a favor da vida? Mesmo com o percentual alto de mulheres mortas por aborto ilegal?

- Deus castigou... Teve o que mereciam.

- Só “vagabunda” aborta?

- Sim. Mulheres sem coração.

- E quais são as estatísticas?

- Oxe! Às minhas...

- Hummm!!! E você sabia que as mulheres casadas também abortam?

- Elas devem ter os seus motivos...

- Verdade... Acredito que todas tenham... A gente que coloca nosso “achismo” na frente de tudo. Disseram que o aborto é para “vagabundas” e que mulheres nasceram para ser do lar, têm pessoas que acreditam piamente nisso. No tempo das sufragistas as “vagabundas” eram elas, que lutavam por melhores condições de trabalho e salário. Lutavam pelo direito de ir e vim, pelo direito a educação e o direito de escolha. Lutaram até para ter de volta o direito materno que já era da mulher desde os primórdios e foi usurpado pelo patriarcado.

- Você já abortou néh?! Você defende tanto, posta tanta coisa sobre...

- Eu si quer engravidei um dia. Olha ai o “achismo” de novo.

- Não é “achismo” é assassinato.

- Essa possível lei têm critérios. Não é “PODE DÁ GERAL QUE NA QUITANDA MAIS PRÓXIMA DE SUA CASA TEM UM POSTO DE ABORTO DELIVERY”. Não é assim. Médicos foram consultados, biólogos foram consultados, levantamentos foram feitos é um caso de saúde.
Até os três meses são considerados embriões, existem profissionais que consideram que a vida nasce partir  das atividades neurológicas, ou seja, cerebrais, quando o sistema nervoso começa a reagir. E existem biólogos que defendem que a vida só está formada depois que os pulmões desenvolvem, pois pode possibilitar que o individuo viva fora do útero.

- Pra mim é assassinato sim.

- Tudo bem. Mas leis não são criadas em cima de “PRA MIM”. Foi criada uma lei com embasamento biológico, embasamento no direito da mulher sobre o próprio corpo. Uma mulher pode querer interromper uma gravidez por diversos motivos não por ser apenas uma “vagabunda”. É necessário lhe assegurar o direto de escolha. A mulher tem o direito de decidir se quer opera ou não depois que têm o terceiro filho, por que não pode decidir se quer ter o filho até os três meses?

- Meu útero é um berço e não um cemitério.

- Seu útero é um órgão. Não é um berço, não é um cemitério. Única coisa real nesta frase ai é que ele é seu... Não é do homem, não é meu não é do estado, não é do embrião. Às escolhas são suas.

- Ahhh!!!! Hoje engravida quem quer...

- Levando em consideração que os anticoncepcionais têm 5% de falha isso inclui a pílula do dia seguinte, alguém ai pode engravidar se cuidando. E não vou entrar na questão de como a indústria é cruel com a gente. Põem a culpa da gravidez nas mulheres que não usam contraceptivos, mas esquecem de que a maioria deles tem contra indicações fortes. Estamos em uma sociedade que o homem é a prioridade tanto que não liberam um anticoncepcional para eles por causa de contra indicações fortes, mas a gente pode tomar até desenvolver uma trombose.

- Você é muito radical, chega até ser desumana a favor desse assassinato.

- Sou a favor ao direito da mulher, direito de escolha em todos os campos da vida. Sou a favor de um estado laico, de direitos iguais, direito a saúde e respeito pelo todo. Legalizando o aborto, pratica quem quer, não será obrigado. Às pessoas vão muito por mitos e pouco pelos fatos. Sempre que falam em aborto vem com essa de “vagabunda” “assassinato” “abriu as pernas por que quis” “Deus castiga”. Ninguém impõe uma castração as mulheres que têm muitos filhos. Se querem consideram os embriões como seres humanos, as pesquisas de células-tronco para curar outras doenças deviam ser proibidas. Pensando dessa forma. Será que devemos considerar também os espermas que escorrem pelo ralo do banheiro em punheta matinal como uma possível vida? Eles também tinham chances de ser uma ou duas, não é?

- Mas Deus condena... Se ocorrer uma gravidez é por que a criança pediu para nascer. E diante da religião a partir da fecundação já existe um ser humano, uma vida.

- A questão é que existe um debate muito grande sobre onde começa a vida de um ser. Cada um tem sua teoria, cabe à pessoa se informar e decidir se interromper ou não a gravidez, mas ela deve ter esse direito de escolha.

- Não adianta... “Mulher que quer abortar é vagabunda, tem que fechar ás pernas”...

- É! Tem razão... Penso que seria a salvação da civilização se o estado transforma-se todo mundo em Eunucos.


- Eu... O que?

- Eunuco e quando o homem é cadastrado, mas no caso castraríamos todo mundo. Todos sem direito ao prazer. Acredito que é o prazer o mal do ser humano. Por prazer a gente transa, deseja ter dinheiro para alimentar o prazer, t
em gente que escraviza, humilha, agride por prazer. Se não existir mais prazer para ninguém estarão todos no mesmo barco. Arrisco em dizer que chegaremos à união a elevação espiritual... Quem sabe a paz mundial.

- Eu hém! Radical demais... E o direito ao prazer? Você não é aquela que defende direitos e blá blá blá.

- Direitos são criados para regrar uma sociedade fazendo nos acreditar que somos iguais. Então, já nasceríamos iguais, ficaríamos iguais. Seriamos castrados desde pequenos, apenas trabalhar para ter o necessário, pois não teríamos prazer pelas coisas, seriamos consideramos como os Eunucos eram considerados na antiguidade “inúteis” uma nação de inútil se é que já não somos. 

Tais Medeiros

Três crianças sem dinheiro e sem moral

Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou


25/11/2016

Sessão poema - Parte XXVII [Obscena senhora]

Arte: Apollonia Saintclair


Eu gosto assim...
Quando você me beija entre minhas pernas.
Aquele beijo úmido.
Onde o tesão e a saliva se encontram.
Combinação perfeita.
E não importa o quando eu implore.
Você não me penetra...
Me chupa até eu derreter em sua boca.
Beba-me devagar.
Que a cada beijo de língua...
                                           salivo, deságuo...

Gemendo por mais.
Às pernas já não me pertencem.
Trabalham ao seu favor.
Prendendo sua cabeça em Vênus.
O quadril se rebela...
Salta em sua cara na tentativa de te engolir.
Entra...
De pau duro, língua mole.
No lugar onde o amor nasce.
Onde a sanidade morre.
E a decência não existe.
Aqui é sempre quente e úmido.
Desejo profano.
Obscena senhora.
De quatro, você vem para dentro de mim.
Enfiando fundo todo seu desejo.
Me perco entre suas mãos...
Não sei dizer o que sou.
Nesta cama deliciosamente imunda...
                   peitos, barriga, virilha, pernas, bunda.
Virei você...
Você em mim.
E esse tesão que treme.
Esse gozar que devora.
Por horas...
Por dias...
Vem...
Temos muito que profanar aqui.
Reproduzindo os mesmos sons.
Canonizar a luxuria
Em cânticos de quem gosta de pecar.

Tais Medeiros.

20/11/2016

Cenas curtas: MONOLOUCO (Monólogo das receitas azuis)



Pesquisei no Google: Como invocar o demônio da encruzilhada. Naquele desespero barato de quem fraqueja desejando fazer um pacto, mas com a certeza que vai ser cumprido. Sinto falta disso... Cumprimento. Hoje ás pessoas não cumprem nada que prometem a si quem dirá ao outro. Ao menos com o demônio da encruzilhada sei que esta falta uma hora será suprida.

O que eu pediria? Dinheiro, sucesso, mais anos de vida? A paz mundial? Fico pensando, será que se fizermos pedidos bons que envolvem o coletivo o demônio da encruzilhada teria compaixão? Podia acontecer como no filme Constantine. Deus se compadece do sacrifício de minha alma pela humanidade e me poupa a entrega ao demônio.

Confesso que o pacto não foi minha primeira opção, pensei em uma macumba, nunca frequentei e assumo que sou completamente ignorante nesses papos de religião, não manjo nada de nenhuma. São tantas e cada uma com seu deus e suas peculiaridades, mas gosto dos tambores, tambores em geral. Tambor tem uma força, parece que a cada toque sua alma pulsa, vira, mexe, corre e dança dentro do seu corpo retalhado pela vida.

Porém dizem que na macumba tudo que você faz volta três vezes para você, então, se eu fizer macumba para as pessoas pedindo coisas boas elas voltaram para mim? Foi esse o pensamento que tive em minha terceira fase de desespero.

O desespero egoísta desejando que alguma coisa nessa vida, nesses trinta anos desse certo, seria capaz de fazer chover macumba. Para fulano saúde em abundancia, para sicrano um grande amor e muita paz, para beltrano sucesso e dinheiro para todo mundo discernimento, coragem e respeito para com as coisas, com as pessoas, com a natureza para com a vida. Ai Shazammmmmm!!! Tudo voltava para mim.

Não sei por que o espanto. Já deixei explicado que é meu desespero egoísta, não pense que sou um ser iluminado querendo vender a alma para salvar o mundo, fazer o bem, já passei dessa fase não há mais tempo. O foco é testar as possibilidades. Fazer o bem para receber o bem.

Sei que em algum canto dessas religiões tem essa frase: “Fazer o bem sem olhar a quem”. Mas hoje quero olhar a QUEM. EU QUERO SER O QUEM. Juro tentei o modo que dizem ser o certo só que ás vezes, nosso bem não chega em tempo hábil. Na grande maioria das vezes saímos desse mundo sem prova-lo. Apenas uma vez... Queria uma vez, uma vezinha saborear o doce sabor da vitoria do bem.

Tive um sonho... E nesse sonho eu morria um dia depois do meu aniversário. Meu corpo em uma maca e um cara me dissecando querendo saber a causa da morte. Enquanto meu corpo estava em um quarto eu estava na sala de espera com a minha família... Esperando...

O estranho é que eu estava viva lá, conversando com eles, eles me viam me tocavam e eu não entendia o que estávamos fazendo naquele hospital ate a hora que o médico entrou e disse que eu tinha ido a óbito. A causa da morte? Overdose de ansiedade, desespero, pensamentos, desamor, bipolaridade, lealdade, tristeza, companheirismo, sonho, insegurança, paranoia, solidão, álcool, cocaína a porra toda...

Todos me olharam com o olhar de condenação. Eu não sabia que estava proibido morrer na minha família, para falar a verdade eu não queria morrer, eu não acreditava nisso. A cada coisa que o médico apontava que tinha me matado minha mãe virava pra mim, fazia aquela expressão que as mães fazem quando vêm os filhos aprontando. Não querem meter a mão na cara da criança na frente de estranhos. Eu via nos seus olhos o famoso “Quando chegar em casa a gente conversa” vulgo surra na certa. Mas não me assustei... Merda! Eu estava morta o que podia doer mais que isso?

Porra, logo agora que eu sentia que as coisas iam ficar bem... A vida seria gostosa. Eu tinha encontrado um amor, encontrado paz de espírito, equilíbrio, pureza e prosperidade na vida. Eu vivia o bem que tanto busquei passar ao próximo e do nada POW! Morri. É ai que você entende o significado da frase “A melhora da morte”,

Foi a partir desse sonho que comecei a pensar. Não tenho tempo de esperar o tempo para colher às coisas boas que plantei preciso antecipar. Então me vi pesquisando macumba, pacto qualquer coisa que me trouxesse o bem rápido. Não posso mais esperar, não podemos. A morte está sempre ali na frente, eu sinto o cheiro e têm vezes doutor que eu a vejo...

Pare de me julgar. Já disse acordei no auge do desespero e estou na fase egoísta de querer pra mim por mim é crime isso? Você acredita piamente nessa de que as pessoas fazem coisas sem esperar nada em troca? Todo mundo espera, não seja hipócrita, mas existem pessoas como eu acostumadas a esperar e cientes que não receberam nada. O foda é que tem dia que a gente acorda com a cabeça um trevo cansado de tanto blá blá blá, tanto discurso, tanta desatenção, mentiras, tantos remédios e a vadia da falta de afeto. Esses dias são perigosos doutor.

O dia que a gente acorda com vontade de processar Deus, espancar o diabo, matar a vida. O dia que você pensando... Eu mereço mais que essa estranha realidade. Eu não mereço sua falta de amor, seu desrespeito, seu egoísmo, sua agressão, seus demônios, suas guerras, sua insensibilidade, sua ganância, sua hipocrisia essa odiosa natureza humana de apenas ganhar. Eu não mereço mais essas provações. Eu não choro mais a dor do mundo.

Tais Medeiros




18/11/2016

Sessão poema - Parte XXVI [Coma-me... hoje, amanhã e depois de amanhã. Até me virar do avesso. Até curar esse desejo... se tiver curar.]

Arte: Thomas Saliot


Meu estado é sempre líquido.

Úmido de desejo.

Escorre pela vagina, imagine...

                                              e deságua no seu pau.

Um riacho que se torna lago.

Água doce...

É o sabor que sinto em lamber o suor que te escapa.

Nossos gemidos são música para meus ouvidos.

E os espasmos do gozo se tornam minha dança.

Entre roçar do clitóris em seus pelos.

Fiz-me mulher em sua cama.

Proclamei-me puta em sua boca.

Sua puta, sua santa.

Eternizando nossas histórias no corpo.

Só quem ama decifra às marcas.

Mordidas quentes, cortes intensos.

Minhas unhas encravadas em sua pele.

Seus dentes em mim.

Cada marca é amor...

                              amor obsceno.

Alimenta a carne e tranquiliza o ser.

Coma-me...

               hoje, amanhã e depois de amanhã.

Até me virar do avesso.

Até curar esse desejo...

                                  se tiver curar.

Particularmente, meu bem, eu morria disso.

De meter, sem temer eternamente.

Tais Medeiros.


16/11/2016

Eu poderia jurar que tudo mudou, mas me disseram um dia: - Quem jura mente. Então pensei em prometer, então disseram: - Quem promete não cumpre. Nesta guerra de ditos populares prefiro apenas viver e tentar não perder... [TEXTICULO 48]

- Você tem medo do que?

Medo de perder...

A cabeça, o amor, o respeito, o ar e as pessoas maravilhosas que conquistei pelo caminho. Perdi algumas, umas com razão outras talvez sem. Para falar a verdade acredito que tudo que perdi teve alguma ajuda minha. Não existe pessoa totalmente inocente, totalmente certa, totalmente errada, existem pessoas...

Cada uma em seu momento, cada uma passando por algo, com medo ou apenas desejando, desejando ser feliz. Felicidade é isso que nos torna seres comum, iguais. Estamos todos em busca disso, traçando caminhos tortos. Não justifica ter ações baixas para isso, porem, ás vezes as pessoas não sabem muito bem como percorrer esse caminho, todo dia somos um novo alguém.

Tenho medo de perder a vontade também... Vontade de conquistar novas pessoas, vontade de amar, vontade de dar a mim e a outro uma segunda chance de ser uma pessoa melhor. Medo de perder a vontade da vida, medo de julgar e de ser julgada. A segunda parte não depende de mim, posso ao menos lutar contra primeira.

Somos mais medos que coragem, pode listar rolos e rolos de papel falando sobre eles. Nada adiantaria, eles ainda estarão aqui. O que mais me amedronta é perder valiosas conversas, bobas ou de cunho intelectual, perder risos, abraços, companheirismo e lealdade perde um amor, perde um amigo, um amor amigo.

Já perdi muito... Consigo contar nos dedos as vitórias, mas elas não me consolam, lembro mais do que passou, de momentos em que coloquei tudo a perder. A única certeza é que nada foi feito por mau, apenas tive a ilusão de ser o certo.

Eu poderia jurar que tudo mudou, mas me disseram um dia:

- Quem jura mente.

Então pensei em prometer, então disseram:

- Quem promete não cumpre.

Nesta guerra de ditos populares prefiro apenas viver e tentar não perder. Por que é apenas isso que temos, TENTATIVAS e a esperança que tudo vai acabar bem.


Tais Medeiros. 


Toda vez que eu olho no espelho a minha cara
Eis que sou normal e isso é coisa rara

15/11/2016

Sessão poema - Parte XXV [Eu te sinto]

Arte: Thomas saliot



Eu te sinto...

Quando te toco;

Quando não toco;

Me entorpeço só de olhar.

Mesmo com meus olhos falhos...

Vejo sua beleza.

Até quando dorme...

Relaxada de pernas para ar.

Mas a beleza não está só nos olhos de quem vê.

Está nos olhos de quem sente.

Eu te sinto.

Dentro e fora.

Nos dias de ausência, ainda lhe vejo aqui.

Almejando os toques...
                               ás vozes...
Que matam essa saudade.


Tais Medeiros

08/11/2016

Quero sentir vontade de te queimar vivo, sufocar enquanto dorme, envenenar e enterrar no quintal. Quero sentir raiva de você e ficar na dúvida se ainda me quer. Sofre por coisas que crio na minha mente fértil ou por sofrimentos reais que a gente pode causar um para outro. Mas essa raiva passa quando você me abraça e diz: Já disse que você é linda? [TEXTICULO 47]

Arte: Tomas Saliot


Eu quero que saiba... Que desejo acordar do seu lado todos os dias. Ver sua cara amassada, beijar sua boca de ressaca com o primeiro hálito da manhã. Quero ouvir sua risada mais alta, seu choro mais baixo e seu ronco mais forte e te ouvir dizer: Amor, e melhor não entrar no banheiro agora... E nossos risos rasgam o silêncio do quarto.

Quero sua escova de dente junto a minha, sua cueca estendida no varal. Quero brigar pelo banheiro sujo, pela toalha molhada em cima da cama à bagunça do guarda roupa do quarto, brigar pela sua demora em chegar.

Implicar com os coraçõezinhos nas suas fotos do facebook. Criar caso por você ter tomado a ultima cerveja, fumado o ultimo cigarro, por não se lembrar do nosso dia, por me sentir feia e velha e por você às vezes ser infantil e egoísta. Depois de todo esse desgaste eu ponho a culpa dessa loucura na TPM e você fingi acreditar que eu não sou louca.

Quero sentir vontade de te queimar vivo, sufocar enquanto dorme, envenenar e enterrar no quintal. Quero sentir raiva de você e ficar na dúvida se ainda me quer. Sofre por coisas que crio na minha mente fértil ou por sofrimentos reais que a gente pode causar um para outro. Mas essa raiva passa quando você me abraça e diz: Já disse que você é linda?

Quero o seu ciúme, sua bagunça, seu ataque de raiva, suas brisas mais loucas, seus sonhos, suas inseguranças, suas certezas. Quero seu passado, presente e futuro, fazer planos com você. Quero até mesmo sua preguiça. Quero sentir ciúmes, tremer de gozo e beijar sua boca até sentir que nossas almas trocaram de corpos até transbordar toda essa efervescia que não cabe em mim.

Quero lavar sua roupa, tirar sua roupa e trepar todos os dia se possível, caso não seja, me aperta forte e dorme comigo em um contrato vitalício. Quero tudo...

Dividir a pipoca, as contas o tédio do domingo, reunião de família, os enterros, as datas capitalistas as perdas, as conquistas, as crises, guerra e paz. Serei seu melhor soldado nessa guerra.

Serei tudo que precisar. A santa, a puta, a mulher, a namorada, a amiga, a inimiga, a amante, a forte, a sensível, a sã, a louca. Quero olhar para você e sentir você. Ver você dormir e pousar meu descanso em você.

Quero seu mau humor e a sua piada mais sem graça. Quero sentir vontade de lhe compra discos de vinil e de arranha-los só para descontar a raiva que sei que você me fará passar um dia. Quero cantar parabéns para você todos os anos de sua existência, cuidar da sua tosse, afagar seus cabelos até branquear.

Quero te dar à mão, o ombro, as pernas, os peitos, meu intimo, meu ventre dar tudo, tudo que você consiga suportar. Quero seu tempero. Ver você cozinhar enquanto lavo louça e falamos sobre as mudas de manjericão no jardim o dia de trabalho e o preço da cerveja. Quero me embebedar sempre ao seu lado, dançando pelados pela casa como dois inconsequentes.

Quero brigas no bar, quero risos no bar e nossa música tocando em todos os momentos. Por que a vida também tem trilha sonora. Precisamos escolher a nossa.

Eu estou nessa masturbação poética para dizer que... QUERO VOCÊ!

E não será perfeito, mas será intenso, verdadeiro. Vamos pular a “burrocracia” nada de namoro, noivado vamos logo para... Até que o homicídio nos separe, amém.


Tais Medeiros

gosto do cheiro de gasolina
gosto também de naftalina
gosto do gosto da sua boca
do seu cigarro
a qualquer hora esse seu beijo ao meio dia
o sol rachando a qualquer hora
esse seu beijo ao meio dia
o sol rachando
o dia inteiro
de corpo inteiro
todo dia
o dia inteiro
de corpo inteiro
todo dia
esse seu cheiro de cigarro
esse seu gosto de bebida

02/11/2016

Sessão poema - Parte XXIV [Hoje, por quem você chora?💀DIA DOS FINADOS]

Eu não brindo aos mortos;
Brindo aos vivos.
Mas também não choro pelos mortos;
Choro pelos vivos.

Existe uma confusão de sensações sobre isso.
Há mortos que sinto tão vivos nas lembranças;
E vivos que morreram há tempos e não foram sepultados.
E nesse jogo de abrir e fechar a caixa de Pandora.
Prefiro deixar escorrer o dia.

Dia dos finados...
Um dia para chorar a morte.
Nos restando 364 para chorar a vida.
A falta consome a todos.

As perdas rasgam a alma.
Às vezes até quem partiu chora.
Seja vivo...
Seja morto...

                 [ mortos vivos.]

Hoje, por quem você chora?

Tais Medeiros.

26/10/2016

Eu sou uma criatura estranha, exagerada, paranoica, dramática e levemente agressiva, acredite, já foi pior. Isso tudo desde criança. A palavra tudo era tudo mesmo, não aceitava nada dosado, até os remédios tomava a mais que a prescrição do médico. E com esse exagero, essa pressa de viver, quase sempre espanto pessoas, amigos, amores, família. Não faço por maldade ou tipo, como eu disse a coisa vem e quando vem nunca é pouca. [TEXTICULO 46]

Quando eu ando bagunçada por dentro, me proponho arrumar a casa. Para ver se consigo por alguma coisa em ordem nesta vida. Porém acabo bagunçando mais. Começo com a louça, não a termino e quando percebo já estou arrumando o guarda roupa, em uma vontade fracassada de pôr as coisas nos seus devidos lugares. Talvez as coisas não tenham devidos lugares, talvez nem eu.

Começo uma maratona de arrumação, mas nada organizo, nada termino. Exausta de andar em círculos me refugio no banheiro, sempre faço isso, o banheiro é o local que mais gosto nas casas. Entre três cigarros e a privada contemplo a paz e, volto a pensar, como se um dia eu tivesse conseguido parar. Pensar! Queria tanto conseguir parar, penso até quando penso que não estou pensando, entorpecida, ébria, mas não, é ai que o pensamento vem e nunca é pouco.

Eu também voltei a sentir umas coisas. Coisas boas e outras não tão boas assim, sentimentos que há tempos fiz questão de não sentir. É... Voltou a existir alguém, por isso essa inquietação, não sei lidar com começos porque nunca sei como começar. Me perturbo quando não conheço bem alguma coisa e com isso, acabo fazendo merda.

Ele possui as loucuras de outros que já conheci, mas sei que ele é diferente. Diferente nas atitudes, no coração, na fala... Com ele tudo tem gosto de primeira vez. Fico pensando: Puta que o pariu... Por que ele não apareceu antes? Por que não apareceu quando eu tinha 16 anos? Mesmo que as coisas fossem mais loucas do que foram naquela época, sinto que seriam muito melhores com ele. Demorou 14 anos para ele aparecer e encontrar restos de mim.

Eu sou uma criatura estranha, exagerada, paranoica, dramática e levemente agressiva, acredite, já foi pior. Isso tudo desde criança. A palavra tudo era tudo mesmo, não aceitava nada dosado, até os remédios tomava a mais que a prescrição do médico. E com esse exagero, essa pressa de viver, quase sempre espanto pessoas, amigos, amores, família. Não faço por maldade ou tipo, como eu disse a coisa vem e quando vem nunca é pouca.

Sinto que de novo estou pulando alto, mas foda-se não temo a queda, já sei como juntar os meus pedaços e seguir, apenas não sei juntar os pedaços dos outros e, é isso que me rasga. Magoar os outros com minhas ações, pensamentos, falas, teorias baratas, pode não parecer, mas a intenção nunca é essa, prefiro despencar a ferir alguém.

Sou um bicho idiota, não selvagem, sou esses bichos de apartamento acostumado a reinar por metros quadrados e quando sai para selva sente medo e ataca, mas no meu caso não é coragem, é desespero, apenas desespero mesmo.

Tais Medeiros.

Ela adora me fazer de otário
Para entre amigas ter o que falar
É a onda da paixão paranóica
Praticando sexo como jogo de azar
Uma noite ela me disse "quero me apaixonar"
Como quem pede desculpas a si mesmo
A paixão não tudo tem nada a ver com a vontade
Quando bate é o alarme de um louco desejo
Não dá para controlar, não dá
Não dá pra planejar
Eu ligo o rádio
E blá, blá, blá, blá, blá, blá
Eu te amo

24/10/2016

Sessão poema - Parte XXIII [Abdução]

Arte: Jean François Painchaud


Eu fui abduzida!
E o Extraterrestre...
Tinha corpo quente e boca satânica.
Digo que foi abdução...
Só pelo gosto que ficou.
                                        [de pertencer, de querer.]

E ao voltar, sentir saudades.
Se fosse uma possessão demoníaca, esse gosto não existiria.
Nada existiria.

Muito menos o desejo de reencontrar.
Foi transcendental.
Tenho vontade de mudar meu nome para Vênus;
Para ver se Marte me invade.
Naquela selvagem luta por poder.
Quem enlouquece mais.
Hoje não consigo me indignar com nada.
Não tenho orbita, não tenho ideias, não possuo nada...

Sem política burguesa, golpes, proletários, seres humanos...
Nada!
Sem bandeira, sem passado.
Apenas um pensamento...
Como construir um disco voador?
E sair transando pelas estrelas, a fim de te encontrar.


Tais Medeiros

22/10/2016

Cenas Curtas: O amor! E outras cicatrizes.



A primavera encontra descanso para perpetuar sua esperança...

Julieta - Princesa eu sou, em minha torre há contemplar os dias. Absorta nos pensamento que me levam a você. Um olhar me cora e um toque me estremece o estômago com borboletas a voar. Apenas um oi e eu já não caibo mais em mim. Sou Julieta amando a ti Romeu, só de ouvir sua voz sei que é amor... Amor inocente, todo amor tem algo de inocente, daquela coisa de criança que se surpreende com tudo e acreditam nos “felizes para sempre.”

Pierrot – Sou Pierrot tristonho, o amor não foi leal comigo. Duas faces da mesma moeda. Ela almeja Arlequim e eu a ela. Então nessa dor escabrosa que é o amor nos fazemos sofredores, vitima do coração.

Julieta – Romeu me corresponde, mesmo com os percalços no caminho, me completa e diz que morrerá comigo, por que o amor é isso, uni é único límpido.

Pierrot – O amor de Arlequim é carne, talvez Romeu não seja diferente, tudo deve ser consumido da carne ao osso. Já dizia minha Colombina...

Voz em OFF – “Um beijo de Arlequim e um sonho de Pierrot”

Julieta – Nossas histórias não são as mesmas. Cada um vive sua história, cada um tem seu destino.

Pierrot – Sim, mas no amor tudo é efêmero, acaba. O meu não começou e já morreu... E, o seu irá morrer, pois se viver irá se acabar.

Romeu – Amor.

Arlequim/Colombina – Atração, apetite, desejo, libido.

Julieta/Pierrot – Afeição, compaixão, misericórdia, conquista, satisfação.

Arlequim/Colombina – Fogo que nos preenche torna nossas almas pecadoras. Se for pecado amar até carne, prefiro arder no fogo do inferno que é dentro de ti. O amor se valida nas entranhas, nas orgias de pensamentos.

Pierrot – No inicio tudo é poesia, flores, magia, escravizam as pessoas. Depois vêm os dias, a convivência, monotonia, divergência, omissão. As qualidades de outrora desaparecem e com isso seu complexo de Cinderela. Princesas são felizes para sempre, por que nunca contam o que vem depois dos felizes para sempre.

Romeu – Ciúmes, insegurança, medo, acusação...

Julieta – Você disse que morria comigo, você disse...

Romeu – Mudei de ideia. As pessoas mudam de ideia.

Julieta – Mas nós, não! Nós temos que morrer, só assim ficaremos juntos.

Romeu – Não há mais amor, os planos mudaram aceite! Pessoas não possuem pessoas.

Colombina – Não se pode dar aos outros a responsabilidade de te amar.

Romeu/Arlquim/Pierrot – Ama-te Julieta, Ama-te...

(Monólogo - Recortes do original)


“Eu te odeio! É isso o que sinto! Ódio! Como pôde me abandonar assim? Tu és o mais egoísta dos homens. Ah, como fui tola em ter me apaixonado por ti! Mas como iria saber? Como poderia prever o fim? Talvez eu não quisesse me matar. Talvez eu quisesse outra felicidade que não fosse o hálito do teu veneno, Romeu. Talvez eu quisesse nunca ter te conhecido. Mas ainda posso! Posso mudar minha vida e percorrer outros lugares e sentir novos amores! Posso! Posso estudar, posso planejar futuros, posso mapear outras vias, posso me extraviar em festas, posso me embebedar! E eu irei em paz. Não, Romeu! Afasta-te de mim! Quero me libertar! Nosso amor não foi nada mais que um tempo, efêmeros e tolos acreditamos ter sido eterno, tolos acreditamos que seria para sempre. O que restará de nós será apenas nome, e ainda, separados como se nunca estivéssemos juntos.”

Tais Medeiros.

19/10/2016

Beijei sua boca, um beijo longo daqueles que as línguas transam antes dos corpos. Olhei nos seus olhos embriagados por uma garrafa de tequila, quatro doses de pinga e uma caixa de cerveja, entre a fumaça dos nossos cigarros eu disse. - Eu treparia com você pela vida inteira. [TEXTICULO 45]

Entre garrafas e cinzeiros ele me pediu uma declaração. Não sei se era de amor, ele já tinha me dito umas palavras bonitas antes, as quais confesso nunca ter ouvido sair da boca de um homem sem interesse. É... Ele não tem interesse, pois tem tudo que quer de mim.

Jogo as armas na mesa e as mascaras no chão. Quando nos encontramos é uma coisa sem explicação, não consigo raciocinar sobre isso. Apenas não tenho vontade de guerrear. Não me sinto só quando somos nós dois e eu sempre sinto solidão a dois. 

O mundo não é um problema para nós, quando nos trancamos no quarto por três dias sem relógio, sem celular ou computador, apenas nós e nos basta.

 - Tranca a porta amor, feche a janela e avisa ao mundo que morremos. 

Confesso que ainda não sei lidar muito bem com isso. São anos dando socos nas paredes, não posso chamar isso de amor, não que não seja ou porque limita... Sei lá! Talvez deva ser o significado que dei a ele...

– O amor dói, maltrata e sempre se perde.

 Melhor não dar nome a isso, viver é o mais correto, afinal tudo é lindo no começo, não para mim. Sempre começo errado, conturbado só durou alguns por que sou teimosa, carne de pescoço, gosto de torturar ambos até o osso emergir. 

Ele é um boêmio romântico. Como ele mesmo diz, um utópico, diz que me sufoca. Ele não sabe que eu já sufoquei antes e o que ele faz não chega perto do sufoco, não chega perto do abuso ou desespero. Diz que eu o deixaria porque cuida demais. Porque me cobre à noite com zelo e me traz café da manhã na cama. Eu dou risada das suas confissões ébrias e penso: Está apenas bêbado. 

Foi em um desses dias de folga da carcaça e do mundo, que ele me fez essa cobrança. Não sei se esse é nome o certo, podia ser apenas um pedido também, ele nunca me pediu nada. Sempre me deixou livre para ir e vir quando quisesse. Embriaga-se de saudade até eu voltar e arranca a minha roupa em minha volta, sem qualquer pergunta. Então, por que não dizer a ele juras de amor? ... Já disse por tão menos. 

Beijei sua boca, um beijo longo daqueles que as línguas transam antes dos corpos. Olhei nos seus olhos embriagados por uma garrafa de tequila, quatro doses de pinga e uma caixa de cerveja, entre a fumaça dos nossos cigarros eu disse. 

- Eu treparia com você pela vida inteira. 

Ele me olhou com um olhar assustado, apreensivo. Pensei por um momento que não era aquilo que ele queria ouvir. Acho que exagerei na declaração, no tempo, a vida inteira é muita vida. Pensei em dar uma risada a la Paola Bracho e por culpa no álcool, por dizer aquilo. Ele foi mais rápido na ação. 

Subitamente enfiou a mãos entre minhas pernas, me acariciou lascivamente, beijou meus seios, subiu pelo meu pescoço e após lubrificar meu ouvido, gozou as seguintes palavras nele. 

- Então fode comigo a vida inteira. 

Ah! Que merda, é amor?

Tais Medeiros


Vamos ter um filho
Vamos escolher o nome dele
Deixa eu te alegrar quando você estiver triste
Deixa eu te ninar quando você estiver cansada
Vamos aceitar tudo o que é do outro
Vamos defender tudo o que é do outro
Vamos amar tudo o que é do outro
Vamos foder o dia inteiro...

10/10/2016

Sessão poema - Parte XXII [Não sou um pacto, sou apenas um contrato.]

Arte: Apollonia Saintclair 


Hoje lhe faço rei.
Amanhã plebeu.
Por que tudo muda tudo flui.
Hoje é amor, amanhã é descaso.
Por que tudo tem dois lados.
Não te nego amor, mas não é para sempre.
Não sou um pacto, sou apenas um contrato.

Um batom vermelho na cara amassada pela ressaca.
Óculos escuros para esconder a alma.
Meu corpo carrega tuas marcas, porem não você.
Entenda que...
O tempo muda, as estações mudam, eu mudei...
Mudei de você.

Tais Medeiros

05/10/2016

Eu não senti mais a calcinha molhar, não estava gostando daquele sexo às escuras. Não nego porra, mas quero receber também mesmo em uma orgia telefônica. Isso é coisa séria pra mim. Tem que haver confiança, mesmo se tratando de um “desconhecido”, não se brinca com coisa de comer. [TEXTICULO 44]

Eram 07h00min horas da manhã quando o celular tocou, o que foi um milagre já que ninguém me liga. Atendi e a ligação era cobrar. Eu já pensei que era um amigo que tinha se fodido na noite passada e me ligava de um número desconhecido pedindo socorro. Só podia ser isso, porque quem em sã consciência me ligaria a cobrar em uma quarta feira às 07h00min da madruga?

-Espero que alguém tenha morrido.

Atendi e a voz que vinha do outro lado não me parecia estranha. Era a voz de um homem, sussurrada com um tesão na fala que eu quase que caio na siririca. Perguntei quem era e o mesmo rasgou a falar.
 
- Delicia... Como você é gostosa, sua buceta gostosa, quero fode com você, fode de quatro, fode de frente, de lado, na cama, na cozinha, no quintal, no teto. Quero chupar seus seios até os bicos eretos afinarem. Quero gozar na sua cara, na sua boca, barriga e ouvir você gemer pra mim. Pedindo pra eu te fode com força, senti sua buceta latejando no pau e depois engolir seu gozo. Sua buceta na minha cara como fosse a única coisa que existisse pra eu comer na vida.

Fiquei um tempinho inerte, imaginando toda aquela cena, resolvi ariscar um nome mas ele não se identificava, apenas despejava pornografias e das bem gostosas por sinal. Quase que me deixo levar, se não tivesse lembrando que a ligação era cobrar. Perguntei o nome do meliante novamente e nada, as únicas palavras que vinha do outro lado eram...

- Vou bater uma pra você... Só de ouvir sua voz meu pau fica duro.

Confesso que estremeci, gosto da palavra pau, cabe bem na boca, mas estremeci de medo. Perguntei mais uma vez o nome do dono da voz que inicialmente molhava minha calcinha e agora me assustava, dando-me a sensação de estar sendo perseguida.

- Será que é um trote aleatório? Será que esse cão me conhece? 

Esses pensamentos começaram a dançar na minha cabeça, então me lembrei de um fato. Há um tempo um cara adicionou uma amiga nessas redes sociais, ela entrou na página do boy para avaliar se valia a pena ter mais um ser ostentando felicidade ou mazelas em sua página.
A surpresa que ela teve ao entrar na página era que ele ostentava mazelas e um grande problema mental. Toda a página tinha fotos minhas fotos em casa, fotos no bar, fotos no teatro. Todas compartilhadas da minha página com dizeres obscenos, detalhe, eu não tinha ele em minha página.
Ela me enviou uma mensagem desesperada, falando do fato, não acreditei até entrar no link. 

E lá estava eu, sendo cultuada em um altar de promiscuidade. Seria legal se não fosse assustador, denunciei a página e segui a vida. E agora entre os gemidos e sussurros de tesão desse homem me pego pensando, quem é? Será o mesmo? Hoje em dia tudo pode ser descoberto, um número de telefone, um endereço. As pessoas andam tão conectadas, porém mais solitárias, isso é um prato cheio para se tornarem demônios, psicopatas, maníacos.

 Eu não senti mais a calcinha molhar, não estava gostando daquele sexo às escuras. Não nego porra, mas quero receber também mesmo em uma orgia telefônica. Isso é coisa séria pra mim. Tem que haver confiança, mesmo se tratando de um “desconhecido”, não se brinca com coisa de comer. 

- Olha aqui boy, não estou entendendo a brincadeira, mas se você se identificar fica mais fácil brincar junto. Quem está falando?

- Ahhh! Gostosa eu vou gozar...

- Puta que o pariu... Então goze... E tenha um bom dia.

Desliguei o telefone tremula. Aquela ligação me fez pensar em tanta coisa, mas resolvi não entrar em uma paranoia, me conheço se entro me isolo e tudo vira medo. Odeio sentir medo, principalmente medo do invisível, não dá para dar na cara do invisível. Tomei um café e fumei três cigarros, acendendo um no outro. Lembrei-me das coisas ditas ao telefone por aquele espírito de porco imundo. Porém meus caros sou um ser positivo ou apenas uso esse papo de “Ver o lado bom da coisa” para justificar os meus erros. Porque foi um erro permanecer com esse cara no celular tantos minutos. Uma pessoa normal teria desligado na hora, mas eu tenho que pagar pra ver e, nessa que me fodo. E foi o que aconteceu. 

O maníaco do telefone não me arrancou um gozo, mas nutriu minha imaginação, eu não podia perder meus créditos telefônicos assim, precisava ser ressarcida. Liguei para o meu boy, pau conhecido e muito apreciado. Ahhh! Nada melhor que gozar ao som de uma voz conhecida.


Tais Medeiros.

Você começa uma conversa que nem pode terminar
Você está falando bastante mas você não está dizendo nada
Quando não tenho nada para dizer meus lábios ficam selados
Dizer uma coisa uma vez, por que dizê-la novamente?
Assassino psicótico
Qual é que é
Muito, muito, muito melhor
Fu, fu, fu, fu, fu, fu fugir

04/10/2016

Sessão poema - Parte XXI [Uma falsa Vampira entre outros desafetos do REI DO NADA.]

arte: Apollonia Saintclair
Doei meu sangue a você.
Quando você mal podia andar a luz do dia.
Não passava de uma falsa vampira.
Sugou tudo que eu tinha e não tinha.
Não perdoou nem a minha insanidade.
Rasgou meu corpo.
Bebeu tudo que lhe ofereci.
Não contava com sua ausência.
Já que era pra ser eterna.
E o que sobra pra mim?
Depois de se alimentar do sangue, desejos e sonhos.
Apenas álcool para o Lord do nada.
Único alimento que sacia essa fome.
Entrego-me as noites de boemias.
Volto para dentro das garrafas.
O lugar do qual nunca poderia ter saído.
Converto-me a ser miserável.
Enterrado entre bucetas, suores e sarjetas.
Sinto-me rei neste vazio.
Mesmo coroado com nada.
O GRANDE REI DO NADA...
No meio do caos, me sinto em casa.

Tais Medeiros.

30/09/2016

Me apaixonei. Não me julgue! Eu me apaixono por palavras... Fazer o que? Demoro, mas atiro no escuro mesmo, atrás de versos, almas e corpos. Não sei nadar, mas se tiver que tentar eu pulo no fundo, os rasos não me apetecem. [TEXTICULO 43]

- Sou apaixonado pela sua mente... 

Pela primeira vez nessa indústria vital me acontecia isso, alguém apaixonado pelos meus defeitos. Porque se está apaixonado pela minha mente, está na cara que o boy é chegado a um problema. 
Mas claro que não disse isso a ele, não estava a fim de pôr ele para correr, como fiz com alguns que aparecem somente querendo descolar uma transa, nada contra, mas não estava afim. 

Este era diferente, não que seja a perfeição, até porque somos seres humanos. Mas ele não me cobria de xavecos baratos com segundas intenções, apenas me via por dentro. As conversas duravam horas, conversas simples sem compromisso de causar boa impressão, falávamos sobre a vida, textos, bebedeiras e eu sempre queria mais, tinha sede de saber quem era este ser. Eu fazia perguntas demasiadamente, ele respondia a todas sem nenhuma objeção. Não era de fazer perguntas sobre mim, o que eu até agradeço. Para que diabos eu vou querer falar de coisas que não me interessam. 

Interessa-me saber dele, saber se ele era real ou produto da minha imaginação, criado em um ataque de Narcisismo. Só podia ter sido eu, para criar alguém apaixonado pela minha mente, quando até eu corro dela ás vezes. Precisava achar alguém que justificasse a existência dela, minhas perturbações. 

Ele também escrevia. Apesar de não se considerar um bom escritor, a gente nunca se considera mesmo, mas ele era. Um escritor tímido que escrevia somente embriagado para exorcizar seus demônios, típico de um personagem da minha cabeça. Os poucos textos que me deixou ler falavam da cegueira humana, conto erótico e desilusão amorosa. Me apaixonei. 

Não me julgue! Eu me apaixono por palavras... Fazer o que? Demoro, mas atiro no escuro mesmo, atrás de versos, almas e corpos. Não sei nadar, mas se tiver que tentar eu pulo no fundo, os rasos não me apetecem. Quando o assunto era amor sentia a amargura de ambos. Aparentemente somos desgraçados na área, só que não desistentes. 

Em muitas vezes, ele me deixou sem palavras. Então foi aí que comecei a ver que era real. Se fosse esquizofrenia minha eu saberia sempre o que responder, é o que acontece com meus diálogos sozinhos. Crio diálogos com quase o mundo todo, só para dizer o que penso, depois um gole e um trago e vou dormi.

- Já tentei muito com uma mulher, mas acabou. Excesso de cuidados dizia ela. Meu amor sufoca. 

- A gente só sufoca no amor quando rola uma insegurança do sentimento do outro. Então a gente tenta amar por dois. Eu sei! Já cometi esse crime, sabe? Não podemos mais aceitar esse clichê que no amor um sempre ama mais que o outro. ME RECUSO! As pessoas podem amar de jeitos diferentes, mas nunca mais ou menos. São duas pessoas, tem que haver um equilíbrio. 

- Nunca havia pensado por esse lado. Mas cuidado que eu posso te sufocar com meu amor. Não amo pouco e não sei controlar. E se caso eu soubesse, eu não controlaria. Particularmente, eu morreria disso. 

Senti um arrepio pelo corpo, não era um arrepio de medo, medo de estar me envolvendo com um maluco passional. Foi um arrepio poético. Quando a palavra do outro soa como um poema marginal e enche sua alma, molha sua calcinha e põem em transe sua mente. Era como se estivesse lendo Leminski pra mim. Eu e o vício de ver poesia em tudo. Um dia desses acabo em uma mala. Espero que não, mas particularmente, eu também morreria disso.


Tais Medeiros.


Mas eu falei sem pensar
Coração na mão
Como um refrão de um bolero
Eu fui sincero como não se pode ser
E um erro assim, tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E quando acaba a bebedeira
Ele consegue nos achar
Num bar
Com um vinho barato
Um cigarro no cinzeiro
E uma cara embriagada
No espelho do banheiro

22/09/2016

Sessão poema - Parte XX [Ai De ti!]

arte: Thomas Saliot


Eu não canso de olhar.
Sua foto nesta tela fria.
A cada olhar.
Algo preenche em mim.
Da nuca ao cóccix.
Este corpo vibra...
Como de uma menina.
Menina que há muito tempo se perdeu.
Tudo tem gosto de primeira vez.
E eu, ridícula, fico imaginando sua voz.
Seus olhos azuis a emergir entre minhas pernas.
Suas mãos tateando-me;
Sua boca me selando;
E seus dedos a me dedilhar.
Sorriso bobo e uma mente que peca.
Sucumbir às minhas mãos.
Me prenderiam por atentado ao pudor.
Se caso meus delírios voassem.
Ai De ti! Se eles te alcançassem.
É isto que sua foto provoca.
Imagens do puro gozo a cada posição almejada.
Você em mim.
E a gente assim.
Bêbados e nus.
Brindando o melhor de nós.

Tais Medeiros.

19/09/2016

Cenas Curtas: EU TE AMO


- Moro na cidade que nunca dorme, onde os olhares não se cruzam. Sempre inverno, mesmo que o sol brilhe fulminante, tudo é gélido, tudo se mostra sem amor. E os gritos ressoam em ruas vazias. A gente não se toca a gente não se molha. Tudo está tão distante e ao mesmo tempo tão perto. Será que é sempre inverno em SP?
- Eu te amo.
- O que?
- Eu te amo.
- Mas, você nem me conhece.
- Mas, eu te amo.
- Moço, o senhor não pode sentar ao lado de uma pessoa, em um ponto de ônibus e dizer que ama, sem ao menos conhecê-la.
- E por que, não?
- Elas não acreditam se assustam.
- Assustam com o amor?
- O senhor é desse planeta?
- Sim. E você?
- Lógico!
- E por que as pessoas se assustam com o amor?
- Eu não sei... Deve está em falta.
- A gente sempre se assusta com o que não conhece.
- Ou com que nunca teve.
- Mas a gente também se deslumbra com o que nunca teve, quando recebemos.
- Ás vezes.
- Você se deslumbrou?
- Com o que?
- Com meu amor?
- Por favor, você não me conhece, como pode me amar?
- Já amei pessoas que pensei conhecer, porem não conhecia. E amei mesmo assim. E você?
- Eu? Eu também...
- Então por que me nega amor?
- Não estou negando, apenas não estou sabendo lidar com ele.
- É muito amor?
- Sim, então pouco tempo.
- Eu te amo.
- Moço, eu não posso.
-Você já ama alguém?
- Não!! Deus me livre. As únicas dores que desejo em meu peito é de infarto e nada mais.
- Triste!! Querer morrer por nada.
- Melhor que por alguém.
- Ao menos morreu por sentir algo, me parece justo.
- O mundo não é justo moço.
- E não precisa ser e nem merece nossa tristeza.
- Entendi, mas está ficando chato.
- Juro que é de graça, não quero nada em troca, apenas queria que soubesse... Eu te amo.
- Eu.. Que maluquice, não acredito que vou dizer...
- Se não acredita, não precisa dizer.
- Eu te amo.
- Sinto que nosso inverno degelou.
- Ah! Agora preciso ir. Meu ônibus...
-Tudo bem. Só não se esqueça. Quando alguém te negar amor, lembre-se que tem o meu.

Tais Medeiros

16/09/2016

Sessão poema - Parte XIX [Um poema para Nathalia]

Ei! Mulher...
Não enxugue essas lágrimas.
Há tempos ao seu lado, e nunca a vi chorar.
Deve está cheio ai dentro.
Deixa vazar...
A enchente na cidade é um caos, em nós, é apenas alívio.
Deixa correr, deixa limpar.
Faz muito tempo que é forte.
Forte para outros...
E para você? Sobrou alguma coisa?
Viu?!
Não doeu nada lavar à alma.
Isso não é fraqueza, é renovação.
Agora está pronta, pronta para tudo, pronta para você.
Os outros já sabem andar sozinhos.
Sorria... Levanta...
Existe um mundo inteiro para conhecer.
Dentro e fora de você.
Vai mulher!!!
Vai ser menina, aquela que você não teve tempo de ser.
Menina nas descobertas que todos os dias têm para nos oferecer.
Ame sempre como se fosse a primeira vez.
A gente nasce todo dia.
E se precisar...
Chore de novo, mas nunca esqueça de rir.
Até depois do fim.

Tais Medeiros

14/09/2016

Cenas Curtas: Prometeu Proletário



Coro – Quem é você jovem rapaz suplicante acorrentado nessa vida, a protestar, protestar contra o Olímpio de pedra.

“Acorda! Levanta! Está atrasado! Está demitido!” 
Eu sou Prometeu Proletário, fui injustiçado no berço do sistema. Para ser feliz você tem que trabalhar, e trabalhar a vida inteira, isso é o que eles dizem. Não vejo mais honra em apenas servir os patrões que sempre querem a fatia maior das oportunidades, querem tirar tudo e não nos dão nada. Não quero mais ver salários de fome, subsistência, injustiças, corrupção. Negam-nos tudo, querem nos calar alegando ser opcional, mas já não comemos nem feijão. Compadeci com os camaradas, ensinei o poder de pensar, bem como lhes transmiti os mais variados ofícios e aptidões. Julgam-me culpado, por querer que o homem proletário seja mais que uma máquina de lucro. Quero que sejam lutas, vidas, amores e arte... Sejam seres humanos com dignidade. E foi essa insatisfação que me levou ao martírio.

Coro – Oh! E o sistema quer a fatia maior do boi, não adianta tentar enganá-lo se não ele se enfurece e tira o pouco que tens. De nada adiantou tentar roubar o fogo, o sistema lhe pune agora. Acorrentando e vagando pela rua, onde os seres humanos como abutres sedentos por sua derrota lhe devoram com olhares de desprezo todos os dias. Até onde vai a sua ética? Onde esconde a sua verdade? 
Podem me devorar o quanto quiserem, sou imortal das idéias e sempre houve e haverá um Prometeu Proletário para manifestar, e, dessa forma um dia haverá um Hércules para nos libertar...

Coro – Pobre rapaz nessa utopia de mudar.

Tais Medeiros.

11/09/2016

Liberdade dói, sábia amiga? Eu descobri isso. Estava muito tempo infeliz no meu casamento, era muito jovem, dependente de tudo e de todos. Eu amei, mas não amo mais, então o outro apareceu. Parecia um anjo que veio me salvar, devolveu a cor daqueles tempos em que eu era só uma menina. Eu tinha que tentar, eu precisava. Só que não saiu como eu esperava. Ele não era um mar de rosas. - Pessoas não são mares de rosas. Nem o mar é, amiga. [TEXTICULO 42]

- Eu sei que fiz merda. Largar tudo por uma paixão desordeira... Era isso que era... Uma paixão desordeira. Ele demonstrava tudo aquilo que eu deslumbrava há muito tempo.

- Liberdade?

- Liberdade dói, sábia amiga? Eu descobri isso. Estava muito tempo infeliz no meu casamento, era muito jovem, dependente de tudo e de todos. Eu amei, mas não amo mais, então o outro apareceu. Parecia um anjo que veio me salvar, devolveu a cor daqueles tempos em que eu era só uma menina. Eu tinha que tentar, eu precisava. Só que não saiu como eu esperava. Ele não era um mar de rosas.

- Pessoas não são mares de rosas. Nem o mar é, amiga.

- Eu sei, eu sei! O que eu não sei é o que se passa comigo. Não estou feliz com meu casamento, mesmo tendo voltado, ter passado por essa experiência horrível com esse outro homem, ter vivenciado essa relação abusiva. E eu também não entendo o meu marido, ele também parece não estar feliz, mas não importa o que eu faça, ele sempre me recebe de volta.

- Seria amor?

- Eu não sei, eu não sinto amor... Parece que é mais costume. Acho que ele parou no tempo e nas aparências. Somos o único casal entre nossos amigos que se conheceram na adolescia e estão “juntos” até hoje.

- Não sente amor? E sempre volta para ele...

- É complicado... Você não ia entender. Tem as crianças, a família, um estilo de vida... Como eu disse, um costume.

- Acredito que você no fundo deve gostar dele. Ele deve ter te magoado em algum momento dessa relação extensa, afinal “Pessoas não são mares de rosas. Nem o mar é, amiga.” Então você acha que o perdoou, mas castiga-o com suas atitudes de merdas.

- É... Tivemos problemas como qualquer outro casal.

- Mas fazendo essas merdas você se torna mais infeliz. Porque isso de certa forma não o abala, pois ele sempre te perdoa e te recebe, alimentando assim, talvez não o amor porque não sei se ele ainda sente, talvez seja capricho, orgulho dessa imagem de família feliz e equilibrada que vocês passam. Orgulho do domínio que tem sobre você.

- Sempre digo que não quero mais... Separamos-nos, mas eu sempre resolvo dar uma chance, porque ele sempre diz que mudou. Então quando penso que estou bem, me sinto carente e frágil, eis que surge outro. Parece um feitiço... Vou, porém sempre volto.

- E quando você vai entender que você não o ataca, não ataca a família, você apenas ataca você, se maltrata. Talvez seja costume da parte dele... Ele nunca reclama de você e por mais que você tenha ido embora para tentar uma vida com outro, quando ligamos para saber como ele está, ele sempre responder com ar de pura certeza: Estou esperando ela voltar.

- Não sei o que fazer...

- Se não o ama mais e tem certeza disso, precisa quebrar esse ciclo de dependência. E não venha com discurso barato que pretende tentar de novo pela família e blá blá blá. Já provou que consegue fazer grandes mudanças na vida quando tem vontade e, não é saindo de um casamento de longa data e entrando em outro que você vai encontrar esse tal mar de rosa. A liberdade, amiga, não dói. Ela liberta, o que dói são as consequências de atos que fazemos sem pensar, por mero desespero. Não é crime, mas você tem que aprender algo se não vicia em sofrer. Você não precisa agora de uma nova pica, de um novo corpo em sua cama, precisa é se reconhecer, achar essa porra de mar de rosa em você. Se permita, amiga. Deixe esse passado para trás, você não é mais uma menina que dependia de todos os outros, agora dependem de você, seus filhos. Quer sair desse casamento? Então saia, mas saia para se encontrar, não para arrumar mais problema. Se permita sair, rir, conversar, namorar, conhecer pessoas, lugares. Você foi mãe cedo, esposa cedo, as responsabilidades vieram à tona e você deu conta. Agora amiga, não dá mais tempo de ficar perdendo tempo com os outros.


Tais Medeiros



Você me chama 
Eu quero ir pro cinema 
Você reclama 
Meu coração não contenta 
Você me ama 
Mas de repente a madrugada mudou 
E certamente Aquele trem já passou 
E se passou passou daqui pra melhor, foi! 
Só quero saber do que pode dar certo 
Não tenho tempo a perder

31/08/2016

Sessão poema - Parte XVIII [AMÉRICA LATIA...]



Hoje nasce mais um órfão...
Açoitado pelo velho esquema.

Sem raiz...
                  [indígena, negra ou europeia]
Apenas farelos de um povo acostumado as correntes.
                                                               [sempre as margens]

AMÉRICA LATIA...

Em frente da miragem do que sonhou ser um dia.
Armas foram entregues e mentes violadas.
Não existe estado de direito.

A ilusão de ressarcir as raças, gêneros desde sempre rebaixados.
Não existem partidos ou homens que representem.
Este estado "democrático" é um grande puteiro.
Mais uma zona violenta da favela chamada Brasil.



Tais Medeiros.

26/08/2016

A família partiu. E Jennifer ainda com aquele gosto de viver na boca, foi para sua casa, fumou um cigarro, deu uma olhada por cima nas redes sociais, cantarolou um trecho da música de Berlchior “Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo - Tenho pressa de viver. Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar - Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar.” [TEXTICULO 41]

Jennifer acordou pela manhã e olhou no celular, era 08h30min tentou ter uma reação mas nada veio. Nenhuma, nem boa ou ruim. Acordou cansada como todos os outros dias, apesar de nada fazer o dia todo. Sentia uma fadiga psicológica, mas acordou estranhamente agitada. Ouviu o barulho que vinha da casa ao lado e foi se juntar aos parentes. Estavam reunidos na casa da matriarca tomando café e se aprontando para irem trabalhar, ter um dia normal de rotina, que no mundo de Jennifer não cabia mais. 
Entre conversas e risos Jennifer se mostrava tranquila, diferente do que era em dias, semanas, meses, anos atrás. Desde sempre Jennifer já se mostrava uma pessoa de temperamento intenso, uma pessoa boa, mas coberta de crises tinha certo dom para merda e caos e, dentro disso tudo, quem ela mais atacava era a si mesma. Psicólogos, psiquiatras, religiões, grupos de apoio já tinha passado por todos, frequentou bem, com elogios dos envolvidos, porém nunca alcançava a porra da cura. Decidiu que não ia mais buscar esses tipos de ajuda, ela podia lidar com todo esse turbilhão existencial sozinha. E aqui está Jennifer, já no terceiro estágio de sua vida e mais perturbada que tudo. Mas agora Jennifer sabe fingir, habilidade que os seres humanos vão aperfeiçoando com o decorrer da vida. 
- Se o tempo serve para alguma coisa, é para aprimorar a arte do fingimento.
Passou os últimos meses isolada, entrou na paranóia de que ela era o grande problema do mundo. O famoso ataque de ego, como se o mundo não tivesse pragas maiores. Gastava suas tardes e noites pensando em cada confusão que se meteu, cada confusão que ajudou a criar, cada amigo que se fodeu com uma ação ou palavra dela, cada amor ou quase amor que se foi sem ela saber ao certo porque, mas fez questão de se culpar. Sentia que sua presença era amaldiçoada então se exilou, porém não sabia que não faria falta. 
A família adorou a atitude tomada, afinal era uma paz que reinava no seio da família. Mal eles sabia que dentro de Jennifer as batalhas eram constantes, devia ser por isso que sempre estava cansada. Eles viam a nova Jennifer como uma mulher que amadureceu, equilibrou-se. E Jennifer apenas se via como um grande buraco negro. 
 – Que tudo suga, mas sempre aparenta está vazio. 
Nesta manhã Jennifer acordou alegre, conversava, ria, falava demasiadamente, parecia que todos os demônios que a possuíam haviam sido exorcizados. Ela sentia seu corpo ficar leve, sua mente abrir e planos começaram a ser feitos para aquele dia. Sentia uma necessidade de ver pessoas, conversar, abraçar, quebrar aquele exílio que ela mesma se impôs. A família partiu. E Jennifer ainda com aquele gosto de viver na boca, foi para sua casa, fumou um cigarro, deu uma olhada por cima nas redes sociais, cantarolou um trecho da música de Berlchior “Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo - Tenho pressa de viver. Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar - Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar.” 
Jennifer caminhou até o banheiro, parte da casa que mais gostava de ficar, tomou um banho demorado, perfumou-se, vestiu uma roupa que tinha comprado meses atrás, olhou-se no espelho e não gostou do que viu. Seu rosto não combinava com aquele dia lindo e com a sensação de plenitude que sentia. Maquiou-se, uma maquiagem leve, parecia um anjo. Era assim que se sentia, sentia que podia levitar... Voar. Foi até o quarto e pegou um lençol, dirigiu se para a lavanderia, olhou as paredes sem reboco, subiu em cima da maquina de lavar, amarrou o lençol e, voou... De maneira leve como sentia ser. Balançando sobre o caos, já deslumbrada com o paraíso, lentamente libertando se dos sentidos. 
- Jennifer vai precisar ficar internada na ala psiquiátrica. 
- Mas ela estava muito bem doutor... Fazia tempos que não tinha comportamentos anormais. 
- Existem casos que o paciente se mostra normal para driblar o tratamento, ou por que inocentemente acredita está bem até que acontece isso. 
- Vai interna-la? Ela não vai aceitar... 
- Jennifer? Jennifer? ... 
- Hãa! 
-Vamos precisar mantê-la internada apenas para observação. 
-Hãa! 
- Jennifer, o que levou você a isso? O que sentia? 
- Eu? Me sentir livre, eu voava. Senti alivio... A sensação de que seria a última merda que faria em minha vida.

Tais Medeiros.



Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja no seu copo
No seu colo e nesse bar
Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo
Tenho pressa de viver
Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo

20/08/2016

Cenas Curtas: SER MULHER ENTRE OUTRAS SOBREVIVÊNCIAS (Monólogo)


Relatórios, supermercado, reunião, pediatra, terapia, hora extra, marido, abre as pernas, está gorda, está feia, está fria, está de TPM, libera, assina, demite, contrata, lava a roupa, seca a roupa, passa roupa... Jantar em 20 minutos. Você escolheu, você disse que conseguiria feminista, feminina, FÉ MENINA... FÉ MENINA... 
Você é tão competente... E ainda por cima é linda. Realmente eu não sei o que seria desse setor sem um toque feminino, um toque maternal. Eu reconheço o seu valor, reconheço mesmo. Tão proativa, dedicada, desbravadora, mas confesso... Que fiquei entre a gente... Prefiro mais o cheiro do seu perfume quando chega todas as manhãs.
Não fique pensando nisso. E dai que os outros coordenadores ganham mais? Você já está no lucro, está à frente de um grande setor de uma grande empresa. Um patamar bom para uma mulher. E convenhamos... Os homens merecem ser ressarcidos por abrirem mão de muitas coisas pela família. A saúde, por exemplo. “É uma questão de hábito. Os homens, até por que trabalham mais, não acham tempo para se dedicar a saúde preventiva.” 
Entende? Não seja egoísta...
- Não seja egoísta, não seja egoísta, não seja egoísta...
Você sabe que eu te amo. Que te apoio, mas não me casei para isso... Não idealizei uma vida a dois assim. Eu quero chegar em casa e encontrar minha mulher, como meu pai encontrava minha mãe. Cuidando da casa, dos filhos. Entendi seu desejo de independência financeira, reconheço que nossas rendas nos proporcionou uma vida tranquila, mas eu não fui criado para trabalhar fora e cuidar da louça e das crianças. Não está certo. E você disse que daria conta, eu disse que te ajudaria, porem perdi meu lar e minha supremacia. Não sei por que foi nas ideias das “Queimadoras de sutiã”. Percebe? Só aumentou o trabalho. Você não é uma mãe ruim e muito menos uma profissional ruim tem até um cargo melhor que o meu, mas e quem cuida de mim? Entenda minha posição. Não seja egoísta.
- Não seja egoísta, não seja egoísta, não seja egoísta... 

- MÃEEEE, MÃEEE, MÃEEEE...

- Oi!... Vão se limpar... O jantar estará pronto em 20 minutos.


Tais Medeiros.