23/09/2015

Às vezes... Quase sempre, eu queria matar o poeta e esta sensibilidade que reside em mim. Acabar com esses delírios de transcender de completar. Engolir todo esse devaneio poético, artístico e aceitar que o sexo é para procriar e o amor é um produto para lucrar mesmo as pessoas dizendo que amam incondicionalmente. Todo mundo ama esperando algo.[TEXTICULO 22]


Não quero amor. Quero algo a mais se existir, um toque que arrepia um olhar que cala os pensamentos, um encontro que talvez aconteça apenas uma vez, mas torna-se mágica.

Almejo algo que transcenda ao recordar-me arranque um sorriso tímido de felicidade. Logo eu que nunca tive pensamentos afetuosos pelos homens que chupei os separo em dois blocos. Os que me ensinaram que a vida dói e os que me ensinaram que viver pode ser gostoso a dualidade dos seres dualidade dos momentos que transformam a vida em aliada ou inimiga.

O primeiro grupo tornaram se pessoas das quais procuro não pensar, bloqueio qualquer momento bom e potencializo o aprendizado... A vida dói. O segundo grupo lembro com desejo... Um corpo bom... Um beijo insinuante... Uma noite libidinosa, mas que perece. Por nenhum dos dois sentimentos dignos, nada preenche. Transbordo de falta e penso que mendigo poções de ilusões de um encontro que ao lembrar faça minha alma leve, por saber que existe sim no mundo alguém que complete, mesmo que não esteja comigo sua lembrança me faz feliz.

Às vezes... Quase sempre, eu queria matar o poeta e esta sensibilidade que reside em mim. Acabar com esses delírios de transcender de completar. Engolir todo esse devaneio poético, artístico e aceitar que o sexo é para procriar e o amor é um produto para lucrar mesmo as pessoas dizendo que amam incondicionalmente. Todo mundo ama esperando algo.

As mães amam seus filhos esperando que eles sejam felizes, bons e respeitáveis, isso quando elas voltam para casa, penso que a maioria deseja não voltar, então até as mães esperam alguma coisa do amor. Eu espero o impossível espero que almas se liguem antes dos corpos. Aqui estou de novo poetizando o que não deve ser poetizado. Isto tudo é culpa dos poetas, escritores, palhaços, artistas filhos da lua, foram eles que inventaram a dor, abriram os olhos de seres ignorantes iguais a mim para um mundo que não existe uma boêmia que me fere, cura, enlouquece.

Tenho que me salvar desse bálsamo poético e viver a vida como uma eterna segunda feira. Acabar com essas crises existenciais e “PsicoAlcoólatras”. Aceitar as regras do jogo e parar de fazer versos onde não cabe nem palavras. Será que a poesia é o tóxico da vida?

Queria eu cegar meus olhos de poeta e voltar da lua para ver se apatia e aceitação leva-me a tranquilidade.

Essa mente faz muito barulho.

Tais Medeiros 

Parto-me.
A poesia prevalece.
O primeiro senso é a fuga.
Bom, na verdade é o medo,
Daí então, a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude,
Uma alteridade disfarçada,
Inquilina de todos os nossos riscos,
A juventude plena e sem planos se esvai
O parto ocorre.
Parto-me. Parto-me. Parto-me. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias.
Flagelo-me.
Exponho cicatrizes.
E acordo os meus, com muito mais cuidado,
Muito mais atenção!

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