17/08/2015

Uma distorção causada por doses descomedidas de whisky. Ficamos muito tempo bêbados pensando que era amor, mas bastou um dia de sobriedade para vermos que nunca foi, pois me moldei a um equilíbrio que nunca existiu. Foi qualquer coisa. Foram drogas, remédios "antinós" que as pessoas insistem em chamar de antidepressivo. A frágil Ilusão das receitas azuis. [TEXTICULO 20]

Amor? Diga que foi tudo um pesadelo. Que eu não te conheci... Não existiu esse tempo, essas feridas, essas coisas que maltrataram corpo, mente e este coração. Um acidente... Não passou disso. Apenas fantasmas no caminho.

Você nunca esteve aqui. Não é? Meu delírio auto destrutivo uma doença. Antes de amor foi meu câncer fugaz. Quase que me matou ser das sombras, quase que te mato numa ânsia de salvar o pouco de sanidade que pensei que tinha. Não passou de uma hemorragia de dor, sangue empedrado. 

Uma distorção causada por doses descomedidas de whisky. Ficamos muito tempo bêbados pensando que era amor, mas bastou um dia de sobriedade para vermos que nunca foi, pois me moldei a um equilíbrio que nunca existiu. Foi qualquer coisa. Foram drogas, remédios "antinós" que as pessoas insistem em chamar de antidepressivo. A frágil Ilusão das receitas azuis.

Tudo passou quando o ambiente parou de rodar e, você almejando queimar até o último resquício de minha alma. Gritei, chorei, praguejei todos os seres que supostamente reside neste céu. De repente tudo acabou. O único bem que podia ter me feito era ter me deixado. Não era amor, era apenas minha certa esquizofrenia. Porém não finja que nada sentiu porque até o ódio é um sentimento.

Ei! Senhor de jaleco! Não entorpeça essa doce doença, agora eu sei usá-la. Ohh! Senhor do altar! Não me ponha mais medo, ditando receitas para viver no paraíso, não é nele que quero viver, desejo viver aqui. Psiu! Sociedade, não me civilize. O mundo está podre por essas pessoas que se dizem tão civilizadas.

Viver longe das convenções, protocolos, e todo aquele blá blá blá que penetraram em mim com o único desejo de me desfigurar, culpar, punir. Mamãe, aprendi a usar minha esquizofrenia. Agora aceito o mundo que vejo e nego o mundo que vivo. Não há quem me convença que é ruim essa loucura.

Eu não quero essa sanidade não quero esse mundo real as mentiras alheias. Descobri que amo só por amar esse labirinto. Me permite? Ser tudo o que eles nunca quiseram ser.  A dor tem um gosto doce agora.

Porque nada mais abala essa mente já perturbada, esse corpo já marcado e esse coração que entende que existe para pulsar. Estou livre e não temo a queda. Pode apagar a luz, pode deixar a porta do guarda roupa aberto. Os medos se foram com o senhor e os valores que me oprimiam.

Tais Medeiros.




eu fico louco
eu fico fora de si
eu fica assim
eu fica fora de mim
eu fico um pouco
depois eu saio daqui
eu vai embora
eu fico fora de si
eu fico oco
eu fica bem assim
eu fico sem ninguém em mim

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