29/07/2015

Nota de jornal. PROCURA-SE Boy sedutor para brincar com os meus sentimentos. Preciso de inspiração para escrever. A felicidade não me inspira. [TEXTICULO 18]

Já faz um mês que a vida está uma calmaria e nada me acontece ou às minhas "zamigas", tudo monótono, estranho. Estou tão comportada e equilibrada que me entendia. As "zamigas" estão assim também, ninguém tem um drama, uma depressão ou merda nova para contar. Estou pensando seriamente em troca-las, sei lá, começar andar com as "zinimigas" para ter um pouco de adrenalina.

No Hell Center tudo anda bem, no teatro está até entrando um dinheiro e as últimas baladas foram tão tranquilas que pareciam um retiro espiritual. Não maltratei criança, não quis espancar ninguém, não discuti com as pessoas ou com as "zamigas" , não criei novos inimigos e muito menos sai com boys desconhecidos ou conhecidos. A vida segue assim tranquilamente entediante, sem confusão, sem sofrimento, conclusão: SEM INSPIRAÇÃO. 

Um mês que eu não escrevo nada que preste. Rabisco, rabisco e nada se completa, nada interessa, ando pela casa fumando tentando criar algo e NADISSSSSS. Os sofrimentos do passado não inspiram mais. Não que eu tenha superado, mas não dá linha. Quando saio de casa faço os caminhos mais longos para ter inspiração, as melhores sempre aconteceram no trem, no ônibus dei até uma volta de bike... E nada.

Apelei para WHATSAPP e pela primeira vez nada ali se dizia e, olha que se diz muito nesse aplicativo do tinhoso. Deus nos livre dessa história de fim do mundo e passar as conversas no telão - desculpe pai, desculpa mãe. Facebook? BLÁ, BLÁ, BLÁ nada à declarar, muito Che Guevara para pouca revolução e muita Maria do Bairro para pouco SBT.

Bloqueio criativo, levando -me ao uma pitada de depressão que não estimula á escrita. - Que merda minha tranquilidade, felicidade ou seja o que for, essa fase não é criativa. Eu preciso do sofrimento para criar, um caso, um caos. Preciso de um homem, os melhores textos saíram de decepções minhas ou de terceiras. Droga, as "zamigas" estão todas aparentemente tão resolvidas, maldita filosofia do desapego. 

Fui tomada por uma ideia insana, minha ultima cartada, se não desse certo eu aceitaria a calmaria e começaria escrever textos de auto ajuda - Postei no facebook. 

Nota de jornal.
PROCURA-SE Boy sedutor para brincar com os meus sentimentos. Preciso de inspiração para escrever. A felicidade não me inspira.

De repente o bate papo começou a piscar como uma árvore de natal, a grande maioria brincando, nada sério, mas eu falava sério. Então vi a janela dele, Marte era como eu denominava, tínhamos nos visto uma vez em um trabalho de curta metragem, uma tarde agradável, um homem adorável. Não conseguimos nos ver mais por falta de tempo. Mentira... Era orgulho meu de procura-lo e falta de vontade dele, penso. Então ele veio.

 -Vênus! Tudo bem?

Me apelidou de Vênus, por isso ele é Marte.

 - Ola! Marte. Estou bem e você? 

- Estou me rachando de rir com sua postagem.

- Não dá para escrever vomitando arco-íris. Não quer tentar a vaga?

 - Achei interessante. Qual é o salário?

 - Ahhh!!! Álcool, sexo e outras coisinhas.

 - Muito bom. O que tem que fazer?

 - Nada que você não tenha feito antes. Me iluda, me conquiste, faça promessas, seja companheiro, amante, as vezes minta e depois me deixe.

- E você vai retribuir?

- Sim. Duas vezes mais.

- E se eu gostar e não tiver motivos para te deixar?

- Não se preocupe com isso amor, motivos terá de monte, faço bem a minha parte, pode deixar.

- Que bom, mas tem um problema querida...

 - Qual?

 - Sou gay. 

PorraaaA!!! Ele era bom. Já me desiludiu via bate papo. 

- É? Obrigada. 

- Por que?

 - Já me inspirou. Amigos?

 - Sempre minha Vênus diva.

Tais Medeiros



Sei que você me entendeu

Sei também que não vai se importar

Se meu mundo caiu

Eu que aprenda a levantar

21/07/2015

Sessão poema - Parte III [Seu (PAU) rígido cobiçado pela boca voraz. Há quem acredite em amor a primeira vista. Eu? Tenho um amor a primeira chupada.]




Arte: Apollonia Saintclair 


Doce é o seu intimo.
E o fervilhar dos corpos nos aquece.
Morde...
Abraça...
Beije...
Ardente...
Adentre-me.

Louca dança de desejo, perdurável libido.
Seu (PAU) rígido cobiçado pela boca voraz.
Há quem acredite em amor à primeira vista.

Eu?

Tenho um amor à primeira chupada.
Não existe meio mais profundo de transcender os sentidos.
Línguas ligam almas.
Além do cheiro;
 do corpo
        dos olhos;
                        e sussurros.

Quero você em meus lábios.
Tornando-se meu quinto sentido.
Paladar desenfreado de excitação.
Chupar até reconhecer o seu gosto, seu gozo.
Pecar, pecar...
Perdão senhor, mas hoje vou pecar.
Afoga-me nesse mar onde pudor não cabe.
Apenas nós.
Na explosão das vias dos prazeres.
Por essa noite, por uma noite talvez para sempre.


Tais Medeiros










13/07/2015

Eu acendo o cigarro e as olho com meu olhar "ressacado" e penso: Devia leva-las para pegação, porque viver de pregação não está dando lá muito certo. [TEXTICULO 17]

Há algum tempo minhas tias de "coques" trabalhadas na beatice vem me aporrinhando para ir a igreja.

-Você tem que parar de viver em pecado.

Mal elas sabem que não vivo em pecado, ele que vive em mim. Elas vivem dizendo que esse negócio de arte é coisa de mulher da vida. Queria eu ao menos ter vida. Sempre sou surpreendida por elas no domingo de manhã no meu dia de ressaca mórbida e é a mesma ladainha.

- Você tem que parar com essa vida, arrumar um homem crente e servi a ele e ao senhor.

Eu acendo o cigarro e as olho com meu olhar "ressacado" e penso:

- Devia leva-las para pegação, porque viver de pregação não está dando lá muito certo.

Engulo a seco esses pensamentos, não quero ser rude com quem me ama e pensa que tenho que ser salva. Talvez eu precise ser salva, mas por hora não quero. Estou bem assim, bem aqui.

A parte pior são os almoços em família. Eu os amo, porém prefiro encontra-los em datas comemorativas. Natal, ano novo, velórios, sempre arrumo desculpa para esses domingos, ensaio, relatórios, mas na verdade ou estou de ressaca ou continuando a festa com algum boy. Amar o próximo, esse eu sigo a risca. Minha mãe é a pior. Eu aguento beatice, mas falsa moral não. Enquanto minhas tias criadas na igreja pregam em mim. Minha mãe me da conselhos falhos de vida, sendo que para ela não deu certo então tenta repetir o erro comigo.

- Você devia parar de sair com pobre, arrumar um homem rico e ser sustentada.

Rá... Como se fosse fácil. Como se eu quisesse.

- Mãe os tempos mudaram. Já no seu tempo não era mais assim.

Minha mãe me jogou no mundo quando ela tinha 16 anos, então ela é mais irmã que mãe e nessa relação, acredite, sou a mais velha.

- Sabe mãezinha? No passado algumas mulheres queimaram uns sutiãs pedindo igualdade de sexo, uma causa linda. Então vieram os boys sacanas e distorceram tudo. Só aumentou nossas obrigações, por isso divido a conta.

- Besteira. Você que anda nos lugares errados. É questão de ter foco, ver o P.R e cai para cima.

- P.R?

- É PAU RICO... Pau responsável, equilibrado chame do que quiser.

E as ladainhas não param por ai. Curioso como todo mundo tem receita para vida do outro e, como tem pessoas que precisam de receber ou dar opinião para viver.

Sei que as minhas beatas e mãe "adolescente" só desejam meu bem, só que esse não quero, obrigada e por favor respeitem.

Respeitem o meu modo de vida. Conselhos foram feitos para não serem seguidos.

Parem de achar ruim o diferente, já que dizem que sou bem diferente dos meus. Não façam castelos. Não sou princesa, não sou o futuro da família, não sou nada além do quero ser.



Tais Medeiros


Lunático que se dane, sou eu que tô pagando

Lunático que se dane, sou eu que to pirando

05/07/2015

12 Trabalhos Das Passionais [TEXTICULO 16]

Caso mais alguma amiga termine o relacionamento, estarei fadada a cirrose hepática. Estão pesados os dias e as noites. E se elas continuarem a sair com os "exes", ainda alimentando sentimentos, uma esperança falida de retorno, então vou ter é uma cirrose cerebral.
Fim de relacionamento é difícil, eu entendo, porém raiva e vodka, orgulho ferido e Martíni, não combinam. Os sintomas são: Carência, raiva, arrependimentos, auto piedade, choros, risadas frenéticas, planos em demasia, mais um pouco de choro, raiva, degradação dos boys, depois mensagens, telefonemas, sexo e, no outro dia a depressão de quem usou cocaína uma semana inteira e está na abstinência de Christiane F. Minhas noites e dias por enquanto não cabem sofrimentos, cabem confusão, muita confusão, tornei-me mestra nelas. Talvez seja um jeito de sofrer? Não vem ao caso, por hora matei meus demônios. Nessas depressões "ressacais", uma amiga me pediu uma receita para superar. Deveria estar muito mal para fazer isso, não podia negar. Ela queria uma cura, então dei o placebo de clichê para salva-la dela mesma. No improviso e, com esperança de fazê-la rir, ao menos criei os 12 Trabalhos Das Passionais. Os olhos dela brilharam, mulheres adoram grupos de femme fatales. 

Comecei... 
  • Primeiro - Mantenha-se respirando. 
  • Segundo - Amará a si própria sobre todas as coisas. 
  • Terceiro - Não sairá com o ex se ainda existe sentimento. 
  • Quarto - Não cobiçará o boy alheio ou o ex das "Zamigas" 
  • Quinto - Ajudará esconder o corpo caso precise. 
  • Sexto - Transará por prazer e quando quiser. 
  • Sétimo - Amará o próximo como fosse o primeiro. 
  • Oitavo - Não sofrerá mais do que a pessoa mereça. 
  • Nono - Não aceitará pedido de tempo do boy (Ele quer comer outra)
  • Décimo - Não serás obrigada a nada. 
  • Décimo Primeiro - Não carregarás traumas de Maria do bairro para outros relacionamentos.
  • Décimo Segundo - Viverá inabalável em sua vida.
 Ela me olhou e riu aquela risada dos tempos de colégio, risada de adolescente no primeiro porre, frenética. 

- Amiga você não existe. Vou mandar fazer um banner e pendurar na minha porta! Não, na geladeira! Nas paredes pela casa toda.

- Eu não duvido. Augusta? 

- Claro. 

Tais Medeiros.


Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada
Eu vou fazer misérias no seu coração