11/06/2015

Das Amnésias Alcoólicas: Que vadia! Isso não é piada, piada é me chamar de mina. Não sou mina, sou uma bomba nuclear, homem nenhum vai diminuir meu nível de periculosidade. [TEXTICULO 14]

Depois de uma daquelas noites desenfreadas de boêmia, sem medo e com muita merda para adubar o resto da vida, eu só queria ficar ali na cama, quieta ouvindo o zumbi na minha cabeça. Porém entra no apartamento como fosse o fim do mundo uma amiga com um ataque de ressaca moral. Questionando o que foi feito ontem. "O que está feito não pode ser desfeito."" já dizia Lady Macbeth de Shakespeare.

- O que te aporrinha mulher?

- É muito ruim amiga. É ruim acordar e não se lembra de nada que fez ontem...

- Eu agradeço.

Acendendo o cigarro e vou levantando vagarosamente. O quarto ainda girava, sinto a cabeça latejar e o estomago a revirar.

- Preciso de um café. E por que esse desespero?

- Acordei em um quarto nua com um cara que eu não lembrava o nome.

- Mas lembra da transa?

- Alguns flashes

- Gosta?

- Ah! Sim... Mas é ruim não se lembrar de tudo.

- Acredite amiga, do tanto que bebemos é melhor não lembrar.

- Mas não se lembra do sexo é foda.

- Você já estava lá transasse de novo. Havia camisinha?

- Pelo quarto todo.

- Porra! Amiga... Menos mal... Eu estou com uns flashes também e não estão me agradando.

- Do skatista?

Eu não tinha lembrado do boy até ela falar. Estava lembrando do desdém de outra pessoa, mas pra que gastar minha ressaca com flashes ruins? O rosto do rapaz ganhou forma em minha mente. Loiro, alto estilo surfista da Califórnia.

- Ele deixou o número dele no seu celular. Não lembra? Você disse que gostou dele?

- Pra quem não se lembrava de nada...

- Sei porque o cara com quem dormi me contou. Eles são amigos.

- Então eu não devo ter gostado, por que eu acordei com você surtando, não com um skatista surfista da Califórnia em minha cama.

- Eu não sei o que aconteceu. Lembro que sai do bar com o cara e nada mais. Apenas sei que o cara gostou de você. O meu boy na hora do café me mostrou a mensagem que ele enviou.

- Café? Você não fez um sexo para recordar, mas tomou café?

- Eu acordei e ele já tinha feito... O que eu podia fazer? Já não lembrava o nome dele.

- O que tinha na mensagem?

Não devia fazer essas perguntas, acredito que a noite anterior não deve ter terminado bem, pelo fato de ter um maço de Eight no chão e um copo de conhaque em baixo da cama. Quando vejo esses objetos em casa já sei que passei pela sarjeta.

- Bem... Ele disse que apesar de maluca e bêbada você é bem legal, o cara pirou no seu cabelo.

- Gay?

- Não, besta. O meu boy perguntou se vocês queriam tomar café, ele disse que não tinha saído com você. Tive um ataque de riso... Ele te chamou de "Mina difícil". Pode isso?

Que vadia! Isso não é piada, piada é me chamar de mina. Não sou mina, sou uma bomba nuclear, homem nenhum vai diminuir meu nível de periculosidade. E essa ai? Quem pensa que é para falar de mim? Usa a desculpa da amnésia alcoólica para encobri suas merdas.

- Não sei por que você teve ataque de riso? Vejo que tem uma visão errada de mim. A questão aqui não é ser fácil ou difícil a questão é escolha. Eu escolho quando quero ser fácil e com quem quero ser fácil até levemente "embriagada" me envolvo quando quero não quando posso.

- Desculpe amiga. Não queria ofender.

- Tudo bem. Às vezes até eu esqueço que tenho essa sensibilidade, por isso que tenho amigos, para me lembra.

-Nossa.

- Meio gay essa frase agora néh? Que horas são?

- 15h00min.

- Vai sair com boy de novo?

- Amanhã. E você?

- Vou esperar o skatista bonitão me ligar. Qual era mesmo o nome dele?


Tais Medeiros

Você me tem fácil demais
E não parece capaz
De cuidar do que possui
Você sorriu e me propôs
Que eu te deixasse em paz
Me disse vai, eu não fui
Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu


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