30/06/2015

Sessão Poema - Parte II [Por um acaso... Eu falei que eu queria ser escritora?]



Eu queria ser escritora.
Mas como? Não sei escrever...
Não domino essa gramática, está língua pesada.
Não sei manipular palavras.
Falar de maneira poética.
Apenas sei que sinto, sinto uma vontade voraz.
Devorar todo saber, todo o amor, todo ódio.
Beber a tempestade de sentimentos;
E tenta transcrever em versos.
Sem métrica, sem rima, sem acerto.
Uma escrita pura cotidiana...
Talvez analfabeta.
                            Marginalizada...
                                     
Sei que me repito.
Palavras aprendemos e esquecemos com facilidade.
Não é como texto de teatro, decorado, molestado por improviso.
Pode salvar ou matar a obra do verdadeiro autor.
Textos sem pontuações por que não tem limites.
Não respeitam a ordem ortográfica.
Saem correndo no papel branco com sede de ganhar o mundo.
Com a missão de exorcizar a tristeza, de achar alegria.
De chorar poemas de amor, contar histórias e intrigas.
Eu já lhe disse que queria ser escritora?
Não é desejo de menina...
Nasceu da folha em branco.
Como o primeiro amor.
Você ama e não é correspondido.
A arte é assim, uma mulher ingrata, um homem frio.
No qual você se dedica entrega-se e sofre.
Por isso ela é linda.
A arte de escrever sem acentos, sem parágrafos sem medo.
Sem medo do ridículo.
Apenas uma ideia,..
Sentimentos, papel, ilusão.
Por um acaso...
Eu falei que eu queria ser escritora?



Tais Medeiros



"Eu escrevo pelos mortos...

Os não-nascido"...

4:48 Psicose - Sarah Kane

24/06/2015

Sou um exemplo para ela, de passar pelo furacão amoroso aparentemente intocável. Não me espanta saber que sua vida amorosa anda mal, tendo-me como exemplo só podia dar merda mesmo. [TEXTICULO 15]

-Ele não muda, nunca vai mudar.

Essa foi à frase que ela proferiu engolindo o choro. Tentava ser forte na minha frente, afinal como ela mesma diz - Sou um exemplo para ela, de passar pelo furacão amoroso aparentemente intocável. Não me espanta saber que sua vida amorosa anda mal, tendo-me como exemplo só podia dar merda mesmo.

-Lembra quando eu o conheci? Ele era tão diferente... Ou eu queria que fosse? Eu sabia que ia acabar assim, o primeiro ano já foi difícil. Mentiras, omissões...

-Sabia? Por que continuou? Não dá muito para confiar em quem de primeira já esconde a idade e, os filhos.

-Ah! Fui conhecendo sua vida, traumas, decepções e fiquei envolvida. Senti que ele precisava de mim.

-Fisgada pelos defeitos, dos quais me lembro, eram muitos. Não havia um dia que você não lhe chamasse à atenção, parecia mãe, ao telefone falando com o garotinho peralta.

-Ele é tão complicado que quis cuidar, fazer passar as dores do passado. A vida foi cruel com ele.

-Eu conheço a história.

-Quis consertar a vida dele, e esqueci a minha. Quando pensei que ia, não foi então ele percebeu que não precisava mais de mim. Não consegui mudá-lo.

-Não dá para salvar todo mundo.

-Como consegue amiga?

-O que?

-O seu relacionamento de anos acabou do dia para noite e, você está ai vivendo.


Vadia! Tinha que tocar nesse assunto? O que ela queria que eu fizesse? Estou vivendo, tenho que viver. Ainda tem oxigênio no mundo... Ela quer um conselho, só pode ser. Eu normalmente diria: Mantenha-se respirando. Porém não é bem assim, não é apenas uma briguinha. Não foi ela que disse adeus, foi ele. A pessoa que sempre precisou.

-Sabe? Toda mulher tem um fascínio por um desalmado, têm a ilusão de cura-los. Eu nunca curei ninguém. Foi quando me dei conta - Não consigo curar a mim. Quem dirá o outro.
Esse papo de ser a heroína na vida de um homem, não me apetece. Agora entro para dividir, não para carregar o mundo sozinha. Apesar de estar tentando é me perder mais e, não tenho pressa em ser curada. Joguei para o alto essa responsabilidade que a caravana feminina, pensa que tem. Desculpe, desertei e, não foi do dia para noite não, levou um tempo, teve vítimas, cobaias.

Mulheres não mudam homens e, vice e versa. Nem para bem ou para mal. Pessoas mudam porque querem, e quando têm necessidades. E não adianta ficar se martirizando porque o boy não é o seu número, ele até pode te amar, mas ele não mudou e, parece que é desse jeito que ele almeja ser ao menos nesse momento. E você vai fazer o que? Sentar e esperar que mude? Às vezes rola e talvez leve mais tempo, tempo da sua vida. É isso que você quer?
Eu tive um investimento em longo prazo que, não me valeu os “felizes para sempre". Para falar a verdade, sinto o gosto do arrependimento amargando na boca até hoje. Só que essa é a minha história e, eu não me traumatizei, não desdenho o amor, ainda acredito, mas com menos cobranças, com menos sede de fazer tudo dar certo. Deixa essa porra rolar. Afinal, não perdemos um amor, apenas ganhamos a oportunidade de amar mais.


Tais Medeiros



Mas é tão certo quanto a morte
Que teima em me acompanhar
Vai ser difícil alguém lembrar
De mim
Eu não sofro mais
Toda dor do mundo


o

11/06/2015

Das Amnésias Alcoólicas: Que vadia! Isso não é piada, piada é me chamar de mina. Não sou mina, sou uma bomba nuclear, homem nenhum vai diminuir meu nível de periculosidade. [TEXTICULO 14]

Depois de uma daquelas noites desenfreadas de boêmia, sem medo e com muita merda para adubar o resto da vida, eu só queria ficar ali na cama, quieta ouvindo o zumbi na minha cabeça. Porém entra no apartamento como fosse o fim do mundo uma amiga com um ataque de ressaca moral. Questionando o que foi feito ontem. "O que está feito não pode ser desfeito."" já dizia Lady Macbeth de Shakespeare.

- O que te aporrinha mulher?

- É muito ruim amiga. É ruim acordar e não se lembra de nada que fez ontem...

- Eu agradeço.

Acendendo o cigarro e vou levantando vagarosamente. O quarto ainda girava, sinto a cabeça latejar e o estomago a revirar.

- Preciso de um café. E por que esse desespero?

- Acordei em um quarto nua com um cara que eu não lembrava o nome.

- Mas lembra da transa?

- Alguns flashes

- Gosta?

- Ah! Sim... Mas é ruim não se lembrar de tudo.

- Acredite amiga, do tanto que bebemos é melhor não lembrar.

- Mas não se lembra do sexo é foda.

- Você já estava lá transasse de novo. Havia camisinha?

- Pelo quarto todo.

- Porra! Amiga... Menos mal... Eu estou com uns flashes também e não estão me agradando.

- Do skatista?

Eu não tinha lembrado do boy até ela falar. Estava lembrando do desdém de outra pessoa, mas pra que gastar minha ressaca com flashes ruins? O rosto do rapaz ganhou forma em minha mente. Loiro, alto estilo surfista da Califórnia.

- Ele deixou o número dele no seu celular. Não lembra? Você disse que gostou dele?

- Pra quem não se lembrava de nada...

- Sei porque o cara com quem dormi me contou. Eles são amigos.

- Então eu não devo ter gostado, por que eu acordei com você surtando, não com um skatista surfista da Califórnia em minha cama.

- Eu não sei o que aconteceu. Lembro que sai do bar com o cara e nada mais. Apenas sei que o cara gostou de você. O meu boy na hora do café me mostrou a mensagem que ele enviou.

- Café? Você não fez um sexo para recordar, mas tomou café?

- Eu acordei e ele já tinha feito... O que eu podia fazer? Já não lembrava o nome dele.

- O que tinha na mensagem?

Não devia fazer essas perguntas, acredito que a noite anterior não deve ter terminado bem, pelo fato de ter um maço de Eight no chão e um copo de conhaque em baixo da cama. Quando vejo esses objetos em casa já sei que passei pela sarjeta.

- Bem... Ele disse que apesar de maluca e bêbada você é bem legal, o cara pirou no seu cabelo.

- Gay?

- Não, besta. O meu boy perguntou se vocês queriam tomar café, ele disse que não tinha saído com você. Tive um ataque de riso... Ele te chamou de "Mina difícil". Pode isso?

Que vadia! Isso não é piada, piada é me chamar de mina. Não sou mina, sou uma bomba nuclear, homem nenhum vai diminuir meu nível de periculosidade. E essa ai? Quem pensa que é para falar de mim? Usa a desculpa da amnésia alcoólica para encobri suas merdas.

- Não sei por que você teve ataque de riso? Vejo que tem uma visão errada de mim. A questão aqui não é ser fácil ou difícil a questão é escolha. Eu escolho quando quero ser fácil e com quem quero ser fácil até levemente "embriagada" me envolvo quando quero não quando posso.

- Desculpe amiga. Não queria ofender.

- Tudo bem. Às vezes até eu esqueço que tenho essa sensibilidade, por isso que tenho amigos, para me lembra.

-Nossa.

- Meio gay essa frase agora néh? Que horas são?

- 15h00min.

- Vai sair com boy de novo?

- Amanhã. E você?

- Vou esperar o skatista bonitão me ligar. Qual era mesmo o nome dele?


Tais Medeiros

Você me tem fácil demais
E não parece capaz
De cuidar do que possui
Você sorriu e me propôs
Que eu te deixasse em paz
Me disse vai, eu não fui
Não faça assim
Não faça nada por mim
Não vá pensando que eu sou seu


08/06/2015

Amor Platônico Literário [TEXTICULO 13]


Já se apaixonou por meras palavras, mas não por palavras ditas, mas por palavras escritas por pessoas que você sequer conhece? Estranho é pouco talvez seja o cúmulo, o apogeu da loucura. Apaixonar - se por alguém que você nunca viu, nunca tocou apenas leu. Enganar-se com linhas irônicas ou sarcásticas, apreciar uma face borrada, uma foto sem foco e ainda sentir-se cúmplice dos momentos vividos, criados pela pessoa oculta nos textos.

Amor platônico, será que cabe aqui? Já não sei, pois você ama alguém, se contenta em vê-la, admirá-la nada consumado.

O que será isso? Devaneios, apenas isso? Não é possível que pelo fato de você se identificar e emocionar com certo texto, certo escritor e sua obra libertina, desregrada, quer dizer que está apaixonada... Tinha que no mínimo haver um contato, um toque ao menos um olhar.

Não... Ninguém se apaixona por outra pessoa através de textos. As pessoas já têm dificuldades em serem elas frente a frente imagine atrás do papel, letras, pontos e vírgulas. Por mais estranho que possa parecer, eu me  apaixonei por textos e por um estereótipo de escritor no estilo falido, alcoólatra e talvez romântico. Apaixonado por algo, porém decepcionado. Usa da ironia e do humor negro para esconder talvez uma ferida que não cicatriza por mais que ele se entorpeça. Representa um rebelde, escreve sobre a vida que tem ou queria ter.

Complexa esse tipo de paixão, pelo menos nisso ela não se faz diferente já que se apaixonar, amar é sempre complexo. Corremos os mesmos riscos, criar castelos, histórias e não ter um final feliz. Esperar o príncipe ou o demônio daqueles textos que despertou essa paixão. Ficar imaginando aquele ser recheado de sentimentos e depois acordar sabendo que como toda boa história são apenas palavras, versos e prosas. Melhor continuar com esse amor platônico literário nos textos ele é perfeito pra mim.


Tais Medeiros.
Noite e dia se completam
O nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
Eu te recriei só pro meu prazer
Só pro meu prazer