26/05/2015

Dos medos que se corporificam [Sessão poema ou TEXTICULO 12... Sei lá o que.]

Todos sabem como a amei, venerei, cuidei e, respeitei.
Todos sabem que suas dores carreguei, suas lágrimas sequei e, dos seus ódios compactuei.
Todos sabem que ela era meu chão, minha bússola no meio das tempestades. Que fui forte, por ela.
Todos sabem. Ninguém pode julgar-me. Agora ela se foi.
Foi embora metade de mim. Justo o lado bom!
Não posso dizer que foi covardia ou fraqueza. Ela era boa, sensível e o mundo não cuida de pessoas assim. Ela cuidou de si, fez o que pensou ser o melhor.
Pode soar como maldade, mas é por isso que ainda estou viva e, agora serei imortal, por que meu único lado bom se matou.
A sensibilidade suicidou-se;
O amor suicidou-se;
A fé suicidou-se;
O perdão, a moral e o respeito. Todos mortos.
Não há nada aqui, só cascas e miolos podres do caos.
Não choro. Não sinto mais falta. Não de você ou do outro. Na verdade nada sinto nessa merda, que uns insistem em chamar de dádiva. Vadia vida.

Tais Medeiros.
Sangue, Sangue,
Sangue. . .
Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Getúlio Vargas, suicidou
Nietzsche, enlouqueceu
E eu não vou nada bem
Não vou nada bem

19/05/2015

Tenho medo de Deus. Tenho medo do seu suposto poder, nos manipulando como peças de um tabuleiro. Devíamos prendê-lo. Não é isso que fazem com pessoas que possuem tamanho poder? Eu andei na linha, fiz as minhas orações, mas do que me valeu? São provações que você precisa passar... Então não adianta ajoelhar? Ele não mudará o roteiro essa é a minha cena. O por quê? [é uma pergunta que jamais será respondida] [TEXTICULO11]


Há uma guerra dentro de mim.

                        Onde palavras e pensamentos não se aliam.
A mente pensa incansavelmente no bem, mas a boca propaga o mal.

[não sei quem sou]

Carrego o desespero do mundo nas costas, calo a importância que isso tem.

[apatia é o que desejo]

Apatia a tudo a vida, passar os dias assim, sem um pingo de importância.
Alguém sofre! Ta bom.
Alguém ama! Ta bom.
Alguém morre! Ta bom.
Com isso a dor não existiria mais. Está tudo bom...

Mas essa pobre empatia existe, pondo-me no meio de tudo...

[essa força maldita, esse não se omitir, essa doença de querer salvar todo mundo]

- Síndrome de Messias?


- Não tenho salvação...

- Empatia ou culpa?

- Talvez medo...


Tenho medo de Deus.
Tenho medo do seu suposto poder, nos manipulando como peças de um tabuleiro.
Devíamos prendê-lo. Não é isso que fazem com pessoas que possuem tamanho poder?

- Eu andei na linha, fiz as minhas orações, mas do que me valeu?

- São provações que você precisa passar...

- Então não adianta ajoelhar? Ele não mudará o roteiro essa é a minha cena.


O por quê?
[é uma pergunta que jamais será respondida]

Não quero mais brincar de pecado e pecador. Se for para viver no inferno já peço as contas e vendo à alma, pelo menos não terei que me iludir em ser bom, alcançar a plenitude da paz.

Eu não sei se quero a paz. Penso que nunca quis.
[me doutrinaram assim]

Engraçado é que eu tenho amor, amor pelos meus.

Será que alguém consegue nascer sem isso?
[eu não consegui]

Apesar das pessoas não acreditarem eu amo, talvez não como a grande maioria, não como nos contos da Disney, mas amo. Amo de forma diferente.

- O amor mata?


O meu machuca e acolhe, está em mim, as duas faces.
Eu sou sua doença, seu remédio e nada será pela metade.

Mesmo sem saber no que acredito rezo pelos meus. Trevas são como bares, um eterno embriagar.
[o que não suporto é o desespero dos que fazem parte de mim]






Tais Medeiros


Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

16/05/2015

Um Cara: Quando o conheci não ouvi sinos, ouvi o caos. De certa forma gosto do caos. [TEXTICULO 10]

Ele era um cara envolvente, não era nenhum galã, até sua beleza era fora do padrão, mas não existia mulher que lhe dissesse não, eu digo isso por conhecimento de causa. Quando o conheci não ouvi sinos, ouvi o caos. De certa forma gosto do caos.

Discutimos a noite toda e nem o álcool de quinta categoria me embebedava o bastante para recuar daquele excêntrico. Ele tinha uma sinceridade que beirava ao suicídio ou ao homicídio, dependendo da pessoa, era odiosamente inteligente e autoconfiante.

Aquele ser me irritou e enquanto todas as minhas amigas foram para o matadouro eu parti para casa, cuspindo ódio por ter perdido uma noite inteira conversando com aquele babaca. Prometi a mim.

- Nunca mais encontro as escuras.

A vida continuou a mesma vida de todos os dias, até que recebi uma ligação dele. Podia ter chamado no Wathsapp? Mas não, ele é diferente ou não queria correr o risco de ser ignorado no “zap” é fácil é só tomar cuidado com o tique azul, já uma ligação - Alô! Já era.

Não perguntou como eu estava, muito menos pediu desculpa por existir, convidou para um drink e eu disse sim. O que vou fazer? Gosto de beber...

O encontrei na Augusta. Entramos no bar, logo no qual tinha sido expulsa,  rezando para ninguém me reconhecer. Pedimos um drink e falei sobre teatro, eu atriz ele escritor, falamos de filmes, rimos das religiões e ficamos apáticos com a política.

- Na próxima encarnação quero nascer um relógio para ver se nasço na Suíça.

- Idiota... 

Essa era sua carta na manga, não ser levado a sério e ser amado por todas. Eu dormi com esse cara, não ia escutar aquela piada do relógio sem levar nada.

E consequentemente o vi de novo, ri de novo e trepei de novo. Comecei a fazer parte de sua vida, não como uma namorada, mas sei lá... Uma amiga de cama? Ele não falava de sentimentos, mas fazia com que as mulheres se sentissem bem, alimentava à autoestima, elas sentiam fatais, desejadas, senhoras de si, amadas mesmo sendo por uma noite. Mas nem todas conseguiam levar essas sensações para sua vida. Eu levei. Afinal eu já amava alguém que me virou do avesso sugou tudo que podia. Eu só precisava voltar a gostar de mim.

Ele sumia às vezes e eu sentia falta, porém não o procurava - Sabe aquele papo de respeitar a  individualidade? Não, não era isso, penso que era orgulho mesmo.

Eu conheci algumas histórias sobre ele. Para falar a verdade li sua vida em seu textos odiosamente bons. Sabia que não era apenas viagem, ele contava seus casos, fracassos e bebedeiras. Nunca escreveu sobre mim.

E as garotas de suas histórias sempre o amavam e sempre queriam ser amadas e ele sempre compreensivo, mas distante.

- Não será possível baby! Eu tenho um mundo para provar.

E todo bar, show, motel que me levava alguém o conhecia, sempre tinha uma mulher para lhe bofetear a cara. E eu estava lá contendo o riso com um copo de whisky na mão para aliviar a dor.

- É um canalha!

Canalha assumido, sem arrependimento e sem enganar a ninguém, chegava até ser surreal e ele no fundo não entendia por que eu ainda estava ali. Do outro lado da mesa sendo que nenhuma noite ou dia ao seu lado existia paz.

Ele se superou um belo dia. Reuniu todos os casos e “ex-casos” em um grupo do whatsapp.

Senti meu celular vibrar de minuto a minuto, não podia ver o que acontecia estava ensaiando. Ao final das atividades peguei um café, ascendi um cigarro e fui ver o celular.

O grupo era: Amores

(Ri)...

- Esse ser é maluco.

Tinha 20 mulheres adicionadas e um cabaré de cego de mensagens

- Oi amores!

- Vc e maluko?

- Se acha meu fio!!!

- Nojo... Vai se tratar pervertido.

- Cara de pau... Está pensando que faço parte disso?

- Lixoooo... Cafajeste...

- Pau pequeno..
.

Não creio que esse cara ainda consegue me surpreender!!!!

- Oi? Alguém?

- Já se foram todas...

- Nossa nem deu tempo de marca uma orgia...  kkkkkk

- kkkk... Acho que vão se juntar para marca minha morte!

- Daqui a pouco terá um grupo anti vc.

- Não sei nem por que faço isso! E não sei por que você fica?

- Vc é maluco e os médicos dizem para não contrariar. Kkkkkkk

- Verdade kkkkk

- Augusta?


- Sempre.


Tais Medeiros

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mais nem porquê
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

10/05/2015

Esquete - Das DR do bar Parte II [TEXTICULO 09]



- Preciso te contar uma coisa.

- O que?

- Esse tempo que ficamos sem nos ver... Eu, e...  Estava saindo com outra garota.

- E vai ficar sério?

- Não. Ela é nova demais, bonita, porém vazia.

- Perfeita na estética e sem conteúdo? Sabe querido... Se eu fosse você não a deixava, ela é nova e vai amadurecer.

- Ou apodrecer...

- É um risco. Você não pensou que eu esperava fidelidade de você, pensou?

- Não sei.

- Sei que fidelidade não posso esperar, mas ao menos lealdade sim. Gosta dela?

- Estranho falar disso com você.

- Por quê? Foi você que começou.

- Por que te quero essa noite.

- Por isso mesmo, você me quer ESSA NOITE. Podemos ser amante hoje, amanhã e depois e amigos a vida inteira.

-Você existe?

- Não! Sou produto das suas bebedeiras.

Tais Medeiros

Todo dia
o dia inteiro
de corpo inteiro
todo dia
esse seu cheiro de cigarro
esse seu gosto de bebida

04/05/2015

Sessão Poema: Parte I [A única coisa que quero dura hoje é seu membro rígido. A única coisa que quero sufocante hoje é sua respiração sobre a minha. Sejamos ópio entorpecendo a existência. Façamos uma viagem alucinógena para o amor. Vamos nos usar sem dependência.]



Porque eu falarei somente uma vez.
Tire minha roupa... Sim, é isso. 
Rasgue sem medo com o único compromisso de me fazer mulher.
O sentimento engulo, guardo.
Não... Não perdi o respeito por mim.
Muito menos pelo amor.
Acho clichê traumas de amores falidos.
Eu quero sentir, farrear com esse tal desapego e me apegar mais e mais a mim.
Pegue-me por todos os lados que puder.
Viver custa caro? Eu pago.
Pago para rechear essa dura realidade com o melado do prazer.
A única coisa que quero dura hoje é seu membro rígido.
A única coisa que quero sufocante hoje é sua respiração sobre a minha.
Sejamos ópio entorpecendo a existência.
Façamos uma viagem alucinógena para o amor.
Vamos nos usar sem dependência.
Mas com carinho, por favor...
Está tudo muito insano lá fora.
Crescer rasga, fere!
Por isso a necessidade de relaxar.
Seja um dia bom para mim.
E hoje eu cuido de você.



"Deixa de conversa fiada
vem com versos afiados
enfiados entre as minhas pernas"
.
(RaiBlue)
Tais Medeiros.

Carta aberta aos Filhos Da Puta


Caros Filhos Da Puta

É com grande pesar que venho fazer algo que reluto, mas se faz necessário, pelo fato de que no mundo existe serem inóspitos como vocês, escravos do racional, fadados há explicações sem um pingo de sensibilidade há arte, alienados pelo óbvio.

Odeio ter que explicar texto...

Porém como sou uma mulher de espírito elevado, resolvi ajuda-los, meros Filhos da Puta a entender minha sutil obra.

Os textos, esquetes, poemas, prosas, contos, diálogos, casos e todo inferno que eu escrevo não são necessariamente minha vida, pode ser o que penso e pode mudar em outro manuscrito. Como todo pensamento muda, mas tudo é trabalhado, não deve se preocupar com a veracidade dos fatos, afinal não estamos em um tribunal.

Vocês queridos Filhos Da Puta não leram Crepúsculo e ficaram julgando se aquilo era verdade se tinha acontecido ou não. Então faça o mesmo com minha simplória obra.

Tente obter se não uma reflexão um entretenimento e parem de me dizer que o que eu escrevo denigre minha imagem por que há única verdade nessa história toda é que... ESTOU CAGANDO PRA ELA.

Atenciosamente;
Tais Medeiros

Razão de ser - [Paulo Leminski]

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?