07/04/2015

Sei que você gosta de brincar, de amores, mas ó, comigo SIM... Comigo SIM! - [TEXTICULO 05]



Entrei no bar a fim de afogar o arrependimento, não do que fiz, mas do que deveria ter feito. Realmente eu deveria ter ateado fogo naquele meliante. Entre uma dose e outra fiquei pensando em diversas maneiras de me vingar, apenas a imagem dele queimando me satisfazia, gosto de fogo, gosto de queimar coisas apesar de nunca ter queimado algo ou alguém.

O bar não estava muito cheio e a banda tocava MPB parecia ter sido enviada por ele até ali para enfiar os dedos em minhas feridas, dilacerar com músicas de amores falidos. O vocalista tinha uma bela voz, não chegava ser um Milton, mas cantava bem, percebo que o mesmo não tirará os olhos de minha mesa desde que cheguei então como não tinha nada a perde comecei a retribuir os olhares. Afinal algo teria que acontecer, se não for uma transa pelo menos pague a conta.

Ele não veio. Ficou rodeando, rodeando igual um cachorro ajeitando-se para marca território. Minha tatuagem é uma aliada dos homens que desejam aproximar de mim. Já sabem o que dizer para começar uma conversa casual e com ele não foi diferente.

- Oi! Tudo bem? Você faz teatro?

Não. Eu estudo teatro, quem faz teatro é engenheiro, pedreiro esses caras.

- Sim.

- Nossa que legal. Sempre quis fazer, para ter mais propriedade no palco.

Ele ficou ali parado em um silêncio constrangedor então eu que não sou dotada de muita paciência e odeio me senti acuada pedi para ele sentar. Conversamos sobre tudo, música, filmes, teatro uma conversa muito agradável, mas à medida que eu ia ficando podre de bêbada o intelectualismo começava a ficar chato e ele nada de se aproximar a cadeira ali a léguas de distancia de mim.

Não era um rapaz que bebia, parecia que não tinha vicio nenhum, ficou me olhando fumar, beber e falar, falar pelos cotovelos – Será que ele não se enche? Aquela sobriedade dele começou a me incomodar, acabando com toda a libido que eu estava exalando. Recuei, disse que precisa ir, pois teria ensaio no outro dia. Ele não tentou me convencer a fica ou ir para outro lugar, me deu um beijo no rosto e pediu o whatsapp. Levantei minha bandeira branca e sair, depois de ter concedido ao simpático rapaz o meu número, paguei a conta e voltei aos meus planos de vingança.

O tal “zap, zap” toca freneticamente nas primeiras horas do dia, uma ressaca apocalíptica, um barulho infernal, mensagens atrás de mensagens. Por que raios as pessoas não escrevem de uma vez só, tem que ficar mandando tudo picado nessa porra. Ao pegar aquele satanás em terra deparo-me com aquelas mensagens carinhosas que faria qualquer mulher normal sair da cama levitando como naqueles comerciais ridículos de absorventes que fazem as mulheres ter um dia super feliz, mas como eu disse mulheres NORMAIS.

- Bom dia anjo ruivo. Gostei muito de conhecer você – Você é uma mulher diferente fora dessa caixinha (Sim ele escreveu caixinha) que é a sociedade – Você é autêntica e linda – Podíamos... Sei lá... Sair para jantar?

JANTAR?????

Ahhh!!! Amor assim você me castra... Jantar não. Vou te dar uma dica e uma segunda chance

#Bar.

Não. Eu não respondi isso. Disse que gostei também, o que não é mentira, ele foi uma companhia ótima... Respondi que na melhor hora marcaríamos, porem não marcamos, tudo ficou ali conversas rápidas pelo “zap, zap” eu acredito que é melhor. Tive a impressão que esse bom rapaz não gosta de brincar de amores, justo, não para mim.

Sei que você gosta de brincar, de amores
mas ó, comigo não.. Comigo não!

Tais Medeiros.

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