19/02/2018

Sessão Poema - Parte LXXI [Seu suor; (meu) Minha saliva; (sua)... Vai!!! Me invade.]

Arte - Apollonia Saintclair


Vamos unir...
A seu fumo ao meu vinho;
O teu corpo ao meu.
Minha boca no seu pau;
Seu pau no meu íntimo.
E nos tornamos um.

Seu suor;
      (meu)
Minha saliva;
      (sua)

E a gente se enrosca, desenrosca.
Se perde entre os lenções, se acha no banho.

Vai!!!
Me invade.
Marcando-me por todas as partes.
Mistura-se a mim.
Sufoca-me enquanto me fode devagar.
Me encha de você.

Seus pelos;
Seu cheiro;
Seus olhos.
Ah! Esse olhar.

Me gruda em sua pele;
Em sua cama, nas paredes.
Por todo este aparamento.
Faz barulho para calar o barulho do mundo, da mente.

Me sente;
Me entende;
Me ama.

Beba-me em pequenos goles.
Mora em mim.
Que eu te deixo ficar...
Hoje, amanhã...
E talvez para sempre.

Tais Medeiros.

14/02/2018

Sessão Poema - Parte LXX [Seja a sua, seja seu.]

Imagem de internet

Faça um favor a você...
Entenda quando você não cabe.
Nas roupas, nos sapatos, nas coisas.
Em vidas... nos outros.
Tudo tem seu tempo;
Ou não é tempo.
Forçar, não irá fazer você caber.
Apenas machuca.
SIGA!!!

Não veja isso como derrota.
Desistir, também é uma qualidade dos sábios...
                                                 dos heróis de si.

Tudo que finda, recomeça.
Traz consigo o novo.
A noite dá lugar ao dia.
A primavera ao verão.
Diante de tanto sol chega também o tempo da escuridão...
O nublado, outono, inverno...
Momentos para reflexão.
O choro dura uma noite, mas cessa pela manhã.
O amanhecer dos seres, fases dos homens.

Reconhecer e permanecer...
Onde lhe cabe bem;
Lhe faz bem;
Onde você é o bem.
Refazer a viagem.
Reconstruir o abrigo.
E acima de tudo...
Não ser dor para ninguém.
Principalmente para ti.

Olhe!
O mundo é tão grande.
Há tantas pessoas, tantas histórias.
passados, presentes e futuros...
Todos passando por algo.
Todos almejando serem felizes.
Parafraseando o poeta das sarjetas...
“amar alguém, talvez seja deixa-lo em paz.”
Seja a paz.
Seja a sua, seja seu.

Tais Medeiros.

12/01/2018

Sessão Poema - Parte LXIX [Devore até ossos.]

Imagem de internet
Eu nunca encontrei quem me matasse a fome.
Que saciasse a cede, curasse as feridas.
Que me fizesse calar boca, emudecer os pensamentos.

Nunca encontrei quem acalmasse o corpo e dosasse os desejos
Quem me fizesse cultivar por muito tempo sonhos
Sonhos a dois.
me parece sempre a “três."

Não importa!!!

Sou eu, na maioria das vezes meu par
Sempre há cheiros nos dedos, líquidos entre as pernas...
                   minando entre os pelos, meu ser.

Os sentidos atentos.
E as mãos sempre ágeis.
Tocando fundo a tal felicidade.

Nunca encontrei alguém que fosse único.
Que me presenteasse com a normalidade dos humanos de "bem".

Graças aos deuses...

Estou correndo dessa normalidade.
do sagrado que tantos falam
duas coisas que nunca encontrei.

Almejo performance de movimentos.
Do encontro com o homem animal.
Sem paradigmas;
que se livram das máscaras
deixam marcas
Nunca encontrei quem me marcasse a carne. 

Os diabos saltam em meu caminho.
E eu me agarro a todos, me esbaldo, me condeno.
E se existe o sagrado.
Eu santifico a todos.
Pois minha peregrinação continua.
Encontrar aquele que me devore até ossos.

Tais Medeiros.

03/01/2018

Sessão Poema - Parte LXVIII [Roupas no chão... Seu corpo em cima do meu. E depois te dou revanche...]

Arte: Maria uve


Ele disse que está quase me amando;
                     mesmo com a distância...
Sinto sintomas de verdade.
É diferente de todos os corações ocos que passaram por aqui.
Fizeram bagunça e se foram...
Não se preocuparam com os restos que deixaram para traz.

Mas se quer mudanças;
Tem que mudar o caminho já percorridos...
tantas e tantas vezes.
Pegando o mesmo atalho os lobos nos acham.
Lobos em pele de cordeiro com almas de ovelhas negras.
Não chegamos a lugar nenhum.

Temos que mudar as atitudes;
às vezes mudar o comportamento
tirar a armadura, trocar de órbita...
e quem sabe até de pele.

Eu (a guerra)
Ele (a paz)

Uma alma criativa;
Uma alma que não pratica joguinhos.
Não tem certezas no caminho, mas tem coragem.
Isso me fascina...
Já me apaixonei por  homens fracos e sofri por isso.
Não quero  mais.

Eu gosto assim!!!
De gente que dobra a aposta quando a vida desafia.
Não falo de bens materiais;
futuros assegurados financeiramente.
Comprando companhia, amizade e lealdade.
Temos outros valores a serem multiplicados.

Gosto de gente que quando os sentimentos prematuros, imaturos aparecem;
Joga-se no precipício sem temer queda, sem temer o estrago.
Muito cuidado é desculpa para covardes.

O único jogo que gosto de jogar...
é o carteado.
Regado a muito álcool, cigarros, risos e torpor.

E quem perde...
Não chora, não sofre...
Não se sente carta fora do baralho.
Na verdade, nem perde.
Tira a roupa.
Este é o único jogo que devemos gozar.

Jogar...
Uns com os outros.

Roupas no chão...
Seu corpo em cima do meu.
E depois te dou revanche...
E vemos o que acontece.

Tais Medeiros. 

16/12/2017

Sessão Poema - Parte LXVII [E falamos o mesma língua.]

Sem créditos - Imagem de internet


Um silêncio ensurdecedor.

Aquele silêncio mortal

Onde os tímpanos se suicidam.

Não vem nada daí.

Nem sussurro, nem gemido...
                        nem um grunhido

Um GRITO!

Mesmo que de ódio.

Ódio também é sentimento.

                   Sinta-o...

E depois o reinvente.

Onde tem ódio;

Teve, tem, terá...
                 Amor.

Ele precisa dessa ternura para existir.

Como precisamos da troca para viver.

Trocar um com o outro...
                  de corpo, de gosto, de dores... de vida.

Eu te leio com lábios.

Uma leitura labial na pele.

Traduzo cada nervoso, cada liquido que sai de ti.

Seja gozo, lágrimas, suor...espasmos de tesão;
                 ou vibrações violentas;
                 de que não entende idioma nenhum.

Deixa eu te ensinar!?

Escrevo com a língua em sua pele

Pratico libras anatômicas...
                      por cima, por baixo de lado.

As mãos falam.

Seguro forte, massageio, ereto, duro... vou fundo...
                                    engulo tudo que sei mereço.

E você me sela num beijo grego.

Nossas bocas explicam tudo.

Esse silêncio, essa distância não diz nada.

Somente o intercambio vai juntar nossos "eus"

Meus pecados com o seus...

E é este chupar, tremer, gemer, rasgar, gozar que nos tornam universal...

                                             (iguais)

O desejo de "fuder" consciente e inconscientemente...
                                 é único entre todos os animais.

Te proponho uma trégua amor.

Nessa nossa guerra fria.

E é nessa selvageria

Os primatas de tesão

Que nos entendemos.

E falamos o mesma língua. 


Tais Medeiros.