26/11/2017

Aprendi a não aceitar menos do que eu mereça e nem mais. Ando procurando as doses certas... Tornei-me desinteressada e desinteressante. [TEXTICULO 76]

Quando lembro de você, lembro de noites de perturbações. Não que eu nutra sentimentos de rancor, mas por mais que eu me esforce para lembrar do gosto do seu beijo, do seu cheiro do nosso sexo apenas me vem à mente - beijos molhados de medo e insegurança. Ainda sinto o gosto de lágrimas. E o cheiro? Não lembro. No nariz apenas ficou o cheiro do álcool, da cocaína, da ausência... se ausência fosse um cheiro seria o seu, tenho quase certeza disso. Você nunca esteve aqui, e eu somente percebi isso hoje.

O sexo? Fodas embaixo de brigas, colchão de discórdia não queríamos nos amar, queríamos nos puni. Sufocar um ao outro e de qualquer forma nos engolir. Enfiar o outro garganta abaixo, descontar no corpo alheio toda as nossas sombras na ilusão de que o outro é nossa confusão não nós mesmos. E eu ainda me vejo abandona nua num quarto de hotel e você a correr para noites de torpor, sem olhar para trás, sem considerar volta. Fugindo não de mim, mas de você, do que você pensar ser.

Quanto tempo perdemos? Fingindo ser amor... Quando na verdade era desespero. Seu desespero de perder, não de perder quem se ama, mas quem te suporta. E eu? Eu no desespero de provar minha existência, minha soberania, minha força de nunca desistir nesse delírio de salvar vidas.

Maldita síndrome de Peter Pan, síndrome de Cinderela, Electra, complexo Édipo, essa natureza materna que despedaça as mulheres. Maldito inconsciente que se torna consciente às vezes tarde demais. Ridiculamente me afogando nas águas de Narciso. Como se salva alguém que não pede socorro? Como se salva a nós mesmo? Dentro desse hospício que internamos nossas vidas por um longo inverno, eu aprendi muito.

Contudo só vejo isso agora, nessa nova primavera onde as flores chegam trazendo novos cheiros. Aprendi a não aceitar menos do que eu mereça e nem mais. Ando procurando as doses certas... Tornei-me desinteressada e desinteressante.

É sempre assim o início. As pessoas têm interesses rápidos, súbitos, vorazes. Bebem tudo num gole só e não suportam o refluxo - dizem para ser você mesmo, entretanto não aceitam o barulho que ecoa loucamente no espaço. Não sei qual veneno carrego, mas sei que mata rápido... Tudo se desfaz, não que eu acredite que algo seja eterno, porém tem coisas que duram mais e quando não duram causam satisfação, acalma a alma não se torna aprendizado para ninguém. Triste ser aprendizado para outro, eu não anseio por isso, quero ser riso, quero ser lembranças boas. A meta de vida foi reformulada e o desejo de não ser problema para ninguém se torna o mantra sussurrado a todo momento, todos os dias. Não escrevo mais por dor, escrevo por alivio.


O ditado “tudo que bom dura pouco” poderia consolar essa efemeridade só que não, sabemos que ninguém é tão imaculado assim. E é sempre a mesma a desculpa do intimidar ou de não saber o que fazer, olha para o outro e não o vê. E o que fica é essa sensação de não caber, de estar sempre escorrendo, sem laços, sem lugar, sempre indo... Para onde? Não sei... A certeza agora é de querer caminhar sozinho.


Tais Medeiros



Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar



20/09/2017

Lembrei quantas vezes me masturbei ouvindo aquela voz que dizia: Quando eu te encontrar vou te chupar por horas, vou te devorar te “fuder” por dias.... - Oi! Tudo bem? Faz tempo que você chegou? [TEXTICULO 75]


Após seis meses de masturbação literária e mensagens via redes sociais, finalmente chegou o dia de nos conhecermos. Conhecer não, pois já nos conhecíamos. Os  nossos caminhos já haviam se cruzados pelos bares da vida, entretanto era apenas "olá e tchau" protocolo de boa educação. Não existia nenhum interesse para além da amizade. Também nessa época éramos comprometidos e “trouxamentes” apaixonados pelos nossos pares. Contudo esse mundo gira mesmo e eu sempre tonta entre estradas tortas me deparei com ele. 

Foi em uma rede social em meio poemas, teatro, fotos, alergias e alienígenas que tudo começou. Fomos nos relacionando e fingindo não ter nenhum interesse de “fuder” um com o outro por mais ou menos três dias seguidos. Sabe aquelas fodas que a gente perde a noção do tempo, do espaço da vida faz até a gente perder peso? Então!!! É essa mesmo. Era esse o objeto de desejo e esse desejo só aumentava  a cada ideia trocadas, a cada fantasia confidenciada.

Finalmente depois de seis meses, pois ele estava viajando a trabalho, íamos nos ver. Eu estava ansiosa. Não sei se ansiosa era a palavra certa. A verdade era que eu estava me cagando de medo, mas pela primeira vez não era medo de parar na mala ou na vala, era medo de não agradar.
Eu sentia medo de não saber como agir o que falar, afinal não era um total desconhecido, não era alguém que eu poderia escolher qual versão de mim apresentar. Ele sabia um pouco do meu passado, tínhamos "amigos" incomum que estavam a favor ou contra a mim. Às vezes até ele  poderia já ter presenciado alguns dos meus surtos passionais e ridículos pelos bares a fora. Sim! Tive épocas de guerras emocionais. Resumindo... Eu corria um risco da porra em encontra-lo. Neste momento fui tomada por um desejo de me mandar dali antes dele aparecer - tarde demais.

Ouvi sua voz rouca chamar meu nome - estremeci e confesso que a calcinha ficou úmida também. Lembrei quantas vezes me masturbei ouvindo aquela voz que dizia: Quando eu te encontrar vou te chupar por horas, vou te devorar te “fuder” por dias....

- Oi! Tudo bem? Faz tempo que você chegou?

Acordei do transe erótico com essas palavras que vinham da boca dele. Uma boca linda que estava acompanhada de um bigode e barba rebelde um verdadeiro hippie. Ele tem essa pegada de iluminado. Desde que começamos a nos falar ele passava uma leveza diante da vida, estranhamente me dava paz. Eu o beijei. Foi assim que respondi. Sou impulsiva, eu precisava de um beijo e ele correspondeu lascivamente.

Depois disso até tentamos ir a um bar para beber conversar tentar não ir direto para sexo, tentar não parecer tão profissional, não teve jeito. Depois da segunda cerveja ele meio acanhado disse:

- Não quero parecer precipitado, mas você é linda e eu espero por isso já faz algum tempo...

Eu não o deixei terminar a frase. Partimos para o hotel. Um hotel simplesinho, mas inspirava contos, romances marginas. Quando a porta se fechou eu disse a mim...

- Não existe a palavra não neste quarto. Eu o quero ao menos essa noite.

Ele se despiu e me despiu também. Ele ficava a vontade nu, poucas pessoas ficam, ele disse para eu ficar à vontade também. Disse para não ter vergonha das marcas alérgicas que carrego pelo corpo. Tão lindo! Mal ele sabia que o que me envergonha é usar roupas... Nos beijamos e a cada chupada de língua eu ficava ofegante e transbordando de tesão. Então ele veio, beijando meus lábios, meus seios, minha barriga e chegou onde eu mais clamava por ele - abocanhou-me.

Ele me chupava gostoso, beijava meus grandes e pequenos lábios, um beijo de língua profundo, abocanhava meu clitóris e eu via seu olhar malicioso entre minhas pernas. Sua cara de satisfação em me ver derretendo e gemendo em sua boca. Eu não sabia distinguir o era que saliva o que era gozo, o que era eu e o que era cama. Eu vibrava em sua língua. Em meio a esse sexo oral que me tirava o juízo - ele levou sua boca ao pé do meu ouvido e disse: Esfrega essa boceta na minha cara.

Eu estava no céu. Rapidamente mudei a posição com uma agilidade que até eu desconheci. Eu já almejava por isso e antes que ele pudesse se ajeitar na cama  eu sente na cara dele. Seu pedido é uma ordem.

Esfreguei a boceta molhada e cheia de tesão na cara dele e o sacana continuava chupando, lambendo sem perder o ritmo, sem perder o tesão. Eu sentia uma satisfação enorme em ser invadida por aquela língua, nenhum orifício lhe escapava, não havia pudor, era amor meu bem.  

Então pensei comigo enquanto fitava aquele olhar safado, aqueles olhos cor de conhaque por baixo de mim. 

- Ahhh!!! Está valendo apena ter esperado por seis meses esse homem por seis meses e o melhor que a noite só está começando. 

Vamos dobrar o horário da pernoite.




Eu sei que vai ser muito bom
Porque eu tenho uma boa imaginação
Eu gosto de agradar
Deve se livrar das roupas e das inibições
As inibições são boas porque podemos as superar
Eu farei tudo o que você mandar

20/08/2017

Sessão Poema - Parte LXVI [Ame-me como souber.]

Arte: Nudegrafia


Ama-me como quiser;

Como você souber.

Não amamos iguais

Somos animais diferentes.

Eu sei te amar de muitas formas...
                        de todos os jeitos.

Te devoro pelos lados.

Te engulo pelo meio

E no fim...

Lhe beijo os lábios.

Silencio sua mente;

A muito tempo em combustão.

Afago o coração.

E ficamos assim...

Preguiçosos a ver a vida.

Deixando-a seguir seu rumo.

E não temos pressa.

Tudo que é nosso arruma um jeito de chegar até nós.

Nos encaixamos direitinho.

No tempo certo, na hora certa.

Os movimentos exatos e as palavras corretas.

Até os defeitos excitam.

Amei primeiro a eles, antes de amar suas amplas qualidades.

Eu também quero...

Gastar o resto de minha vida com uma pessoa fantástica...

Você...

Rasga-me o corpo;

Estimula minha mente.

Que mal você poderia me causar?

É por você que escrevo.

Nos dias de sol e nas noites de chuva.

E este é só uns dos bens que você causa em mim.

Me encha de vida...
                 de sensações...

Beba-me vagarosamente

Para que eu possa nos eternizar...
                      em diversas linhas.

Do papel branco ao corpo.

Do sagrado ao profano.

Do primeiro amor ao eterno pecado...

Ame-me como souber.

Mas ama-me...

Com verdade, voracidade, transparência.

Ainda temos tempo.

Tais Medeiros. 

08/08/2017

Sessão Poema - Parte LXV [Tudo nesta vida deve ser feito com tesão...]


Arte: Jean François Painchaud


Eu não acumulo nada.

Nem dinheiro;

Nem sapatos, roupas, bijuterias, maquiagens.

Muito menos raiva e rancor.

Às vezes me desfaço até livros...
                      meus nobres amores.

Quem dirá de relações que me desbotam.

Não só me desfaço;

Limpo o espaço.

Para singularidade vim.

Amores?!

Também não acumulo.

Que venham e tragam tudo.

Beijos;

Abraços;

Confidências;

Choros;

Excitação.;

Membros duros, pernas trêmulas.

E o molhar...

O (ser) molhado de paixão.

Tudo nesta vida deve ser feito com tesão...

Nessa e nas outras...
                            caso exista.

Tudo é êxtase;

Tudo é voraz;

É tudo amor, meu bem.

Tais Medeiros.



27/07/2017

Sessão Poema - Parte LXIV [Eu sou o paradoxo.]

Arte: Apollonia Saintclair

Eu ando devorando livros;
Devorando cigarros;
Devorando destilados;
Devorando solidão.
Em contrapartida
A vida me devora.
Lentamente, mas ferozmente.
Não me concede perdão.
Inalo cigarros e escuridão.
E nada parece ter sentido.
Ando sem matilha
Um cão doente, esquecida.
No fundo de uma selva rasa.
Entretanto.
Ainda consigo sentir os cheiros.
Não perdi o instinto de caça.
E não me tornei uma.
Será difícil me achar.
Me reconhece entre a neblina.
Eu não morri...
Ainda respiro.
Vagarosamente.
Um pouco de tudo...
                   sem se importar com nada.

Não paro...
Dou um tempo até as feridas do último combate secarem.
Não espero que curem, não espero que cicatrizem.
Quero apenas que elas possam aguentar.
Mais pancadas...
Mais mordidas;
Mais pau e pedra;
Me apropriei da solidão.
Agora não espero.
Qualquer hora é hora.
O momento não será anunciado.
Pois não será o retorno do salvador.
Será eu.
Voltando do inferno
Ardente...
Em brasa.
Para transformar homens em pedras.
Afogar mulheres entre minhas pernas.
Enterrar no útero todos aqueles que sofrem.
Meus seios calaram as bocas daqueles que ousaram me renegar...
                                                                                sufocando-os. 

Uma diaba;
Um cão;
A Loba.
Em pelo e carne.
Abrindo o purgatório.
E quando retornar.
Não terá um corpo que não arda.
Que eu não entre.
Para amar ou destruir.
Não terá uma bebida que amenize.
Eu trago verdades.
Eu sou o paradoxo.
É dentro de mim...
Que reside o inferno e o paraíso.

Tais Medeiros.